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BARCOS ECOLÓGICOS FEITOS EM PORTUGAL QUEREM REVOLUCIONAR ENTREGAS NAS CIDADES EUROPEIAS

Sapo Online

2026-03-26 22:06:11

Empresa francesa aposta no transporte fluvial e em bicicletas elétricas para reduzir trânsito e emissões, com embarcações construídas no Barreiro. O empresário francês Thomas Castan criou em Estrasburgo uma empresa de transporte ecológico de mercadorias pelos rios, para levar produtos aos centros das cidades, e os novos barcos são feitos em Portugal, o primeiro a ser apresentado na sexta-feira. A empresa, “Urban Logistic Solutions” (ULS), foi criada em 2019, mas só depois da pandemia de covid-19 começou a operar. Está para já em Estrasburgo e Lyon, e em breve nas cidades de Rouen, Mulhouse e Paris, como explicou o empresário à Agência Lusa. Thomas Castan é natural de Estrasburgo, mas vive há quase uma década em Portugal. E por isso, e porque o negócio da logística “verde” se está a expandir, é em Portugal, no Barreiro, que está a construir as novas embarcações da ULS. O conceito é simples, diz à Lusa. As grandes cidades desenvolveram-se sempre à volta de rios e é pelos rios que os barcos irão transportar pequenos contentores com mercadorias, desde simples encomendas de lojas online a produtos como sacos de farinha ou barris de cerveja. Nos cais uma frota de bicicletas levará em minutos os produtos aos seus destinatários, particulares, lojas, restaurantes. CEiiA, Micro e AMFI unem-se para desenvolver microveículos elétricos na Europa Na sexta-feira vai ser apresentado no Barreiro o primeiro barco para a ULS construído em módulos e que se pode desmontar em quatro horas. Terá como destino final a “Ponte Alexandre III”, em Paris, para daí as bicicletas elétricas fazerem entregas na Avenida dos Campos Elísios em seis minutos apenas. Thomas Castan não tem dúvidas de que o negócio pode crescer. Diz que tem para já sete cais em França, que estão a ser negociados mais 21 e que já foi contactado por autarcas de cidades de países como Bélgica, Alemanha, Inglaterra ou Países Baixos. É por isso que o empresário, apaixonado por Portugal, quer fazer do país o centro de construção dos barcos. Nas declarações à Lusa lamenta que não tenha sido possível instalar os motores nos dois barcos que está a construir no Barreiro, que por falta de espaço serão colocados em Estrasburgo. “Almada, Seixal, Montijo, Alcochete estamos prontos para fazer um estaleiro porque o do Barreiro é muito pequeno para dezenas de barcos, com gruas e motores e não encontrámos um espaço maior. Só montamos em França por falta de espaço aqui”, disse o empresário em jeito de apelo. Ferry elétrico “voador” reduz emissões e tempo de viagem em Estocolmo A ULS, disse, também gostaria de investir em Portugal na construção dos contentores e das bicicletas elétricas e também num centro de investigação e desenvolvimento. “Os barcos são a melhor maneira de entrar no centro da cidade com mercadorias de vários tipos, e os nossos são basicamente porta-contentores urbanos, com a mercadoria a descarregar diretamente para as bicicletas”, explicou à Lusa. E sobre os novos barcos , os que já estão a trabalhar são de outra geração , disse que são “como um jogo de Tetris” e desmontáveis como um lego, onde tudo se encaixa. Cada um permite 600 pequenos contentores, até 120 toneladas de mercadorias, que serão transportadas em minutos por 15 a 20 bicicletas. Segundo o responsável, um barco assim é o equivalente a 150 camiões e evita 82% das emissões de dióxido de carbono resultante do transporte rodoviário. Iniciativa europeia sobre transportes sustentáveis procura 1 milhão de assinaturas Thomas Castan fala das conversas que teve com presidentes de Câmara, fala dos três problemas que todos lamentam e que provêm das entregas. E cita-os: a poluição e má qualidade do ar, o excesso de trânsito com os camiões a irem à mesma hora para os centros das cidades, e a ocupação do espaço público. “Quem é que nunca ficou preso numa fila atrás de um camião a descarregar produtos e quando alguém diz alguma coisa houve a resposta estou a trabalhar? Com as bicicletas resolvemos os três problemas”. Mas antes há outro problema a resolver, a construção dos barcos, elétricos, equipados com uma grua , cada um com 15 a 20 bicicletas (capacidade de carga de 200 quilos cada uma). “Numa hora pode carregar-se duas toneladas”. Thomas Castan indica que os barcos maiores podem ir até 38 metros de comprimentos por 10 de largura, que os mais pequenos são de 20 metros por cinco, e afiança que o sistema ULS em Lisboa “fazia todo o sentido”. Agência Lusa Editado por Jornal PT Green SAPO