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FORNECEDORES AUTOMÓVEIS ENFRENTAM CRISE. UM QUARTO ESPERAM PREJUÍZOS

Notícias ao Minuto Online

2026-03-27 22:09:07

Num contexto muito adverso, um quarto dos fornecedores automóveis europeus enfrenta a previsão de prejuízos este ano. É a conclusão de um inquérito da Associação Europeia de Fornecedores (CLEPA), agora divulgado. Os fornecedores europeus de componentes automóveis estão a enfrentar um cenário complicado de crise, que se pode agravar: um em cada quatro prevê acabar este ano com prejuízos. É a conclusão do mais recente CLEPA Pulse Check, elaborado em parceria entre a Associação Europeia de Fornecedores Automóveis (CLEPA) e a consultora McKinsey. Pode ler-se no documento publicado esta semana que "24 por cento dos fornecedores esperam, agora, rentabilidade negativa em 2026, uma forte subida face aos 15 por cento do inquérito anterior" - que remonta ao último outono. Ou seja, praticamente um quarto dos fornecedores automóveis encaram a perspetiva de fecharem o ano com "margens negativas" ou, por outras palavras, prejuízos. O trabalho fala de uma estatística que sublinha "uma grave pressão financeira". Já uma parte significativa dos fornecedores - 76 por cento - esperam uma rentabilidade inferior a cinco por cento. Este, diz a CLEPA, é o patamar que se considera necessário para suportar "investimentos ao longo prazo na inovação e capacidade industrial". Em comunicado, o secretário-geral da associação, Benjamin Krieger, sublinhou a necessidade urgente de agir: "Os fornecedores automóveis na Europa estão a enfrentar uma crise de rentabilidade que exige ação imediata e pragmática". Empresas diversificam atividade Perante as adversidades, as empresas não ficam de braços cruzados. Os números da CLEPA mostram que 73 por cento das mesmas "ajustou significativamente os seus portfólios de produto", descontinuando componentes padronizados com baixas margens para orientarem o investimento para "plataformas chave de eletrificação ou impulsionadas por software". Também há a realocação de tecnologias como sensores e eletrónica "para uso em aplicações industriais". Por outro lado, 40 por cento dos fornecedores têm uma crescente aposta noutros setores, incluindo o da defesa. No entanto, o secretário-geral da CLEPA defendeu: "Esta volatilidade económica obrigou a uma mudança de emergência. A diversificação para setores adjacentes deve ser uma medida temporária e tática para proteger a nossa mão-de-obra e pegada industrial". De recordar que esta semana a Porsche SE anunciou investimentos em tecnologia na área da defesa, enquanto a Volkswagen pondera produzir peças para o sistema de defesa aérea Cúpula de Ferro israelita na Alemanha. Lei do Acelerador Industrial é vital Benjamin Krieger sustentou ainda: "A implementação da Lei do Acelerador Industrial é mais crucial do que nunca. No atual contexto geopolítico, a autonomia estratégica deve passar de meta distante a uma prioridade política e industrial imediata". As propostas da CLEPA No entender da associação de fornecedores automóveis, para além da "implementação imediata da Lei do Acelerador Industrial", também devem existir regulamentos de emissões de dióxido de carbono que "garantam inovação, permitindo todas as opções competitivas, neutras em carbono, prosperarem" - em vez de uma vinculação a determinadas tecnologias. Sobre a atitude dos organismos da União Europeia no que toca ao comércio, a CLEPA entende que deve envolver "uma avaliação de riscos rigorosa dos parceiros comerciais com base em critérios objetivos e aplicação robusta". Diz a entidade: "Esta é a única maneira de manter cadeias de fornecimento interligadas enquanto se fecham lacunas comerciais e se garante que a indústria europeia tem um ambiente justo no qual competir". Bernardo Matias