COMBUSTÍVEIS “VERDES” AINDA SÃO ALTERNATIVA MAIS CARA
2026-03-27 22:09:07

Em Portugal o HVO é vendido a um preço por litro 20 cêntimos superior ao do combustível fóssil Entre 2020 e 2024, o número de veículos nas estradas portuguesas aumentou quase 9%, para mais de 7,6 milhões, revelam os dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes. O gasóleo domina, com 4,8 milhões de veículos (63%), mais do dobro dos que circulam a gasolina (2,3 milhões, 30%). Seguem-se os 100% elétricos (173.871), que já ultrapassam marginalmente os híbridos (173.698), os híbridos plug-in (quase 134 mil) e os que são alimentados a gás de petróleo liquefeito (GPL), quase 92 mil. Em quase um mês de guerra no Médio Oriente o preço do gasóleo aumentou cerca de 45 cêntimos por litro e o da gasolina 24 cêntimos. Os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia mostram que em 2025 Portugal consumiu 4,5 milhões de toneladas de gasóleo, 1,3 milhões de toneladas de gasolina e 63 mil toneladas de GPL. Nos biocombustíveis, a Entidade Nacional para o Sector Energético dá conta de mais de 210 mil toneladas de biocombustíveis produzidos, com quase 170 mil toneladas vendidas para incorporação pelos produtores nacionais e 41 mil toneladas para exportação. “Os sistemas de propulsão mais amigos do ambiente registam ainda um impacto reduzido no mercado português, mas com tendência de subida”, conclui o Observatório do Automóvel Club de Portugal, revelando que no ano passado a posse de automóveis a gasolina subiu, enquanto a popularidade do diesel caiu. Nos elétricos e nos híbridos plug-in houve um aumento expressivo em 2025. Com quase 50% dos inquiridos a quererem trocar de carro, se essa opção fosse tomada hoje, 21% optariam por um elétrico, 20% por um híbrido plug-in, 19% por um modelo a diesel, 19% por gasolina, 10% por um híbrido e apenas 4% por GPL. A justificação diz respeito a “questões de economia” na hora de abastecer. Para as famílias, está disponível nas bombas gasóleo com um máximo de 30% de biodiesel incorporado. Na gasolina, o bioetanol só vai até 5% Na visão de Pedro Faria, presidente da Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), estes são a melhor opção face aos problemas dos combustíveis fósseis. “As crises encurtam o tempo de decisão”, adianta, sublinhando que quem conduz um elétrico está mais protegido da volatilidade dos preços. Segundo dados da UVE, com os preços atuais, percorrer 100 km custa cerca de EUR10 com gasolina e gasóleo, enquanto num elétrico o valor baixa para EUR2,12 (carregando em casa) ou EUR3,65 (na rede pública). Em relação aos biocombustíveis avançados, Pedro Faria diz que “terão um papel na aviação e transporte marítimo”, mas nos veículos ligeiros “a eletrificação é a opção mais racional em termos de eficiência, custo e maturidade tecnológica, sem qualquer competição próxima”. Neste momento, as famílias que queiram manter o carro com motor de combustão interna, mas optar por combustíveis menos poluentes só têm como alternativa os carros a gasóleo com incorporações de biodiesel entre 7% e 30%, combustível que é vendido nas bombas a particulares, enquanto na gasolina a incorporação de bioetanol só está nos 5% (ainda que o Governo esteja a trabalhar para duplicar esta percentagem para os 10%). No caso de frotas empresariais (camiões, sobretudo), já existe a opção de comprar biodiesel 100% ou HVO (óleo vegetal hidrotratado, um biocombustível de última geração), pagando mais 15 a 20 cêntimos por litro (na ordem dos EUR2,20 por litro), face aos combustíveis fósseis, conta Luís Nunes, administrador da Prio. A empresa produz cerca de 100 mil toneladas de biodiesel por ano em Portugal. Quanto ao HVO, o país ainda não tem produção (a Galp espera arrancar em 2026 com 460 mil toneladas por ano em Sines) e tem de importar para vender: quase 6900 toneladas em 2025. O secretário-geral da Associação Portuguesa de Produtores de Biocombustíveis, Jaime Braga, confirma que são alternativas cujos “custos impõem, por razoabilidade económica, prudência na velocidade de implementação”. Da mesma forma, Ana Calhôa, secretária-geral da Associação de Bioenergia Avançada, garante que “o parque automóvel existente pode funcionar com combustíveis com maiores percentagens de biocombustíveis, sem necessidade de comprar outras viaturas”. Bárbara Silva Jornalista Bárbara Silva