CARRO ELÉTRICO OU A GASOLINA: O QUE COMPENSA MAIS?
2026-03-27 22:09:07

Tempo para recuperar sobrecusto da compra de um elétrico varia com a quilometragem Os carros elétricos são, quando o carregamento é doméstico, mais baratos de utilizar do que os modelos a combustão, mas continuam a exigir um investimento inicial mais elevado. Essa diferença de preço leva muitos consumidores a interrogarem-se sobre se compensa comprar um elétrico em vez de um carro a gasolina. A resposta depende, cada vez mais, de cada caso e, mais do que do tipo de carro, da forma como é utilizado, da quilometragem anual e do custo da energia. O Expresso comparou os custos de dois modelos disponíveis em versões elétrica e a gasolina - o Peugeot 208 e o Volvo XC40 -, tendo em conta o preço médio da gasolina simples a 23 de março (EUR1,922 por litro) e um custo da eletricidade de EUR0,203 por kWh. Este valor corresponde à tarifa simples regulada, acrescida de IVA a 23%, ainda que muitas ofertas no mercado liberalizado proporcionem energia mais barata que a da tarifa regulada. As simulações assumem carregamento em contexto doméstico, onde o custo da eletricidade é mais baixo do que na rede pública (mais cara, mas também de carregamento mais rápido). Começando com o Peugeot 208, um dos modelos mais populares no segmento dos citadinos, a diferença no preço de entrada é significativa: EUR18.825 na versão a gasolina de 100 cavalos (CV) e EUR29.185 na versão elétrica de 136 CV. As duas versões distinguem-se também pela autonomia, que na versão elétrica pode atingir 360 quilómetros, enquanto o depósito da versão a gasolina permite o dobro. Peugeot 208 Simulação com base em gasolina a EUR1,92/litro e eletricidade a EUR0,203/kWh. Pressupõe carregamento doméstico A utilização fará diferença nas comparações. Com uma utilização de 15 mil quilómetros por ano, a despesa com energia ronda EUR1500 no modelo a gasolina e pouco mais de EUR400 no elétrico. É uma poupança anual relevante, mas, atendendo à diferença no preço de compra, o tempo necessário para compensar o investimento aproxima-se dos dez anos. É um horizonte relativamente longo, sobretudo num segmento onde muitos condutores trocam de carro ao fim de poucos anos. Já com um uso mais intensivo, de 25 mil quilómetros por ano, esse prazo desce para cerca de seis anos, refletindo o maior impacto da poupança anual. Para quem percorre poucos quilómetros, o retorno pode nem chegar a concretizar-se: com uma média anual de cinco mil quilómetros, seriam necessários mais de 30 anos para que a diferença entre a eletricidade e a gasolina (mantendo-se os preços atuais) cobrisse o sobrecusto da aquisição do modelo elétrico. Diferença não se esgota no custo da energia. Elétricos são mais baratos de manter, mas os modelos a combustão continuam a oferecer maior autonomia No Volvo XC40, um SUV de segmento superior, o cenário é distinto. A versão a gasolina com 163 CV começa nos EUR44.944, enquanto o elétrico EX40, com 442 CV arranca nos EUR49.582. A diferença é inferior a EUR5 mil, bastante mais reduzida do que no caso do utilitário da Peugeot. Com uma potência superior, o EX40 destaca-se pela autonomia, que pode chegar aos 575 quilómetros. Neste caso, com uma utilização anual de 15 mil quilómetros, o elétrico pode compensar em cerca de três anos. Com 25 mil quilómetros, são precisos apenas dois anos, refletindo o menor diferencial no preço de aquisição e a maior poupança acumulada em energia (para percorrer essa mesma distância, seriam precisos EUR3125, no caso da versão a gasolina, e EUR875, na versão elétrica). Os dois exemplos mostram que quanto menor for a diferença de preços entre a versão elétrica e a combustão e maior a quilometragem, mais rápida será a recuperação do investimento no carro com bateria. Volvo XC40 Simulação com base em gasolina a EUR1,92/litro e eletricidade a EUR0,203/kWh. Pressupõe carregamento doméstico Há, no entanto, fatores adicionais que devem ser considerados. As simulações assumem carregamento doméstico, mas quando o utilizador depende dos carregadores rápidos da rede pública o custo por quilómetro sobe e a vantagem dos elétricos diminui, podendo mesmo desaparecer. Por outro lado, o diferencial de preço entre elétricos e veículos com motor de combustão varia de marca para marca (e algumas não têm modelos equivalentes). Mas além da energia, há outros elementos a considerar no momento de comprar um novo carro. Os elétricos tendem a ter menores custos de manutenção, devido à menor complexidade mecânica, e continuam a beneficiar de vantagens fiscais, enquanto os modelos a combustão mantêm vantagens na autonomia e na rapidez de utilização, especialmente em viagens longas, onde o tempo de carregamento continua a ser um fator relevante. Mariana Coelho Dias Jornalista Mariana Coelho Dias