CAVACO APERTA COM MONTENEGRO; GOUVEIA E MELO DEDICA-SE AOS DRONES
2026-03-27 22:09:07

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O artigo tem por título “O dinheiro do Estado não cai do céu” e é contundente na analíse que faz da política em Portugal. “A imprescindibilidade das reformas, reforçada pelos graves conflitos internacionais, deve motivar o atual Governo e as forças políticas que o apoiam a responder atempadamente com uma vigorosa ação de denúncia e responsabilização da oposição à obstrução parlamentar a cada uma das reformas e de esclarecimento da opinião pública”, diz, preconizando a necessidade de aprovação de reformas. Algo que as “forças de bloqueio”, uma expressão que recupera do tempo em que era Primeiro-ministro (e Mário Soares, Presidente da República) têm impedido, referindo-se de forma evidente ao PS e ao Chega. O ex-Chefe de Estado Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo, está a trabalhar para Portugal ter “um grande cluster de robótica militar”. O futuro do ex-candidato presidencial passa pela “edificação de um grande cluster de robótica militar”, em Portugal e em Espanha, “que posteriormente alimente a robótica de duplo uso militar e civil”, revela o almirante na reserva num artigo de análise sobre a situação política internacional, que será publicado na próxima edição da Revista do Expresso. “Em Portugal há menos de 10 empresas desta área”, assinala, explicando que é preciso criar escala para o sector se tornar relevante. A Tekever, que é “a coqueluche” deste segmento e que exporta muito para a Ucrânia, “fatura EUR112 milhões por ano”. O objetivo é “multiplicar esse valor para mais de mil milhões no conjunto”, adianta num longo ensaio onde espraia a sua visão estartégica sobre Defesa em Portugal e na Europa. A guerra no Médio Oriente, e o comboio de tempestades que assolou vastas regiões de Portugal, estão a produzir efeitos na economia. O Governo, apesar do “brilharete” do superávite orçamental está a apertar e corta em certas medidas: IVA zero está excluído, apoios a rendas também, bónus aos pensionistas em dúvida. O executivo liderado por Luís Montenegro não quer riscos em Bruxelas e vai medir semana a semana a guerra ao Irão, tomando o pulso às necessidades de famílias e empresas. O aumento dos custos da energia provocado pela guerra no Irão ainda não se refletiu nos preços, mas lá chegaremos. Passou menos de um mês desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irão, a 28 de fevereiro, e o efeito na energia já é visível: o gasóleo ultrapassou esta semana os dois euros por litro, um recorde histórico, impulsionado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. Mas, nos supermercados portugueses, o pior ainda está por chegar. O cabaz de 63 produtos alimentares essenciais monitorizado pela Deco Proteste, que inclui carne, peixe, frutas, legumes, laticínios e mercearia, e cujo preço é calculado a partir da média das principais lojas online, custa esta semana 254,40 euros. É o valor mais elevado desde que a organização começou este acompanhamento, em janeiro de 2022. Há meses que o Tribunal Constitucional funciona com menos dois juízes. Depois de pressão presidencial (Seguro marcou Conselho de Estado para 17 de abril) e de várias tentativas de acordo falhadas, os partidos marcaram novamente eleições para os vários órgãos externos ao Parlamento a 16 de abril. Estão em causa os representantes em vários órgãos, o que inclui a escolha de três juízes do TC, do provedor de Justiça, cinco eleitos para o Conselho de Estado, num conjunto de escolhas que inclui dezenas de lugares e em que só algumas têm de ser aprovadas por dois terços dos deputados. No Caderno de Economia, o grande destaque vai para a crise económica que a guerra no Médio Oriente pode ter espoletado. Em menos de um mês de guerra generalizada no Golfo Pérsico, os mercados de ações já perderam cerca de 10 biliões de dólares (EUR8,7 biliões), segundo as estimativas do Expresso a partir do valor de capitalização bolsista mundial no final de fevereiro avançado pela The World Federation of Exchanges. O índice mundial MSCI caiu 6% desde 27 de fevereiro, na véspera do ataque dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel ao Irão. Essa quebra em menos de um mês representa já 38% das perdas anuais registadas em 2022, no primeiro ano da crise gerada pela invasão da Ucrânia pela Rússia. O conflito no Golfo Pérsico pode ter também consequências na privatização da TAP. Que vai avançar, apesar da subida do preço do jet fuel. Risco de desistência do grupo que junta Iberia e British Airways não afeta para já o interesse da Lufthansa e Air France-KLM na companhia portuguesa. Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas, já veio esclarecer que a privatização é para avançar e no Governo a expectativa é que haja propostas em cima da mesa na próxima quinta-feira. Portugal deixou de convergir. Depois de três anos a subir, o Produto Interno Bruto per capita em Portugal, em paridades do poder de compra e em percentagem da média da União Europeia, caiu de 82% em 2024 para 81% em 2025, indica a estimativa preliminar do Eurostat. Um alerta para o Governo da AD de Luís Montenegro, já que este é o principal indicador de convergência real da economia portuguesa com os parceiros europeus e reflete o nível de vida da população face à média comunitária.PIB per capita recuou para 81% da média da União Europeia após três anos a subir. O pico de 85% de 1999-2000 continua por recuperar. Apertem bem os cintos, o caminho vai ser sinuoso. O suplemento sobre Mercado Automóvel incluído no Caderno de Economia chama a atenção para os tempos difíceis por que que a indústria se está a meter com o enecerramento de fábricas no horizonte. há pouco mais de um ano, a todo-poderosa Volkswagen anunciou a intenção de fechar três fábricas dentro dos limites territoriais da própria Alemanha, para conseguir sobreviver à atribulada transição para a mobilidade elétrica - que não está a acontecer ao ritmo esperado. Um autêntico escândalo económico, social e também político e totalmente inédito nos 88 anos de história da empresa. A capa da Revista do Expresso é esta semana dedicada ao nosso cérebro. Menos atenção, menor vocabulário e raciocínio enevoado são sinais de alerta. Num mundo saturado de informação, a atenção transformou-se num bem escasso e valioso. É monitorizada e disputada ao segundo pelas redes sociais e plataformas de streaming, que fazem tudo para a atrair. Mas a sobrecarga de estímulos tem impacto no cérebro, e já há capacidades que estão a degradar-se. Foi a partir da perpétua representação da Paixão de Cristo que Pedro Cabrita Reis - nome maior da arte contemporânea desde meados dos anos 80 do século XX - construiu a sua última obra, “XIV Steps”, composta, precisamente, por 14 dípticos referentes a cada uma das estações, que levará a Veneza, no decorrer da próxima edição da Bienal Internacional de Arte, que tem início a 9 de maio. A rotina dos diplomatas portugueses num dos países mais pobres do mundo e na capital de um país em guerra há quatro anos. Alguns deixam a família para trás, outros seguem com ela para as novas moradas. São o rosto de Portugal, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Grande entrevista a Helena Freitas: “O desligamento da natureza é responsável pela desestruturação das sociedades humanas”. Nasceu numa aldeia minhota e, a partir da Universidade de Coimbra, dedicou a vida ao estudo da ecologia e da sustentabilidade. Pelo meio dedicou-se à valorização dos territórios do interior e desiludiu-se com a política, mas não abdica da liberdade de continuar a intervir como cidadã. O espaço do grande ensaio do suplemento Ideias é ocupado pelo artigo já mencionado de Aníbal Cavaco Silva. Conte ainda com uma entrevista a Ricardo Alexandre, jornalista da TSF e comentador da SIC Notícias: “A relação do Irão com os Estados Unidos é cheia de equívocos, mas já foi muito boa”. O autor do livro “Tudo Sobre o Irão”vai além da espuma dos dias e aprofunda o contexto histórico e social que leva à rutura entre Washington e Teerão, outrora amigos na geopolítica. Reflete também sobre duas versões do Irão: “o país de fachada” e o “país por trás das portas”. Tudo isto e muito mais na edição desta sexta-feira do Expresso. Tenha um bom fim de semana!