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FALTAM ESCRITÓRIOS NO PORTO

Expresso

2026-03-27 22:09:08

Procura Dos 98.600 metros quadrados de área de escritórios que se encontram em fase de construção, um terço já está reservado 0 valor das rendas, OS preços mais baixos em termos de alojamento e a maior disponibilidade de talento técnico e tecnológico são algumas das razões que fazem com que mais empresas internacionais, particularmente nas áreas da tecnologia, serviços partilhados e inovação, escolham o Porto e a região circundante para se instalarem. Na opinião dos profissionais que trabalham neste mercado, a falta de espaços de escritórios de qualidade, sobretudo de edifícios novos que respondam às exigências das empresas internacionais em termos de sustentabilidade, com elevados padrões de eficiência energética e ambiental, bem-estar e conectividade digital, é uma das razões que fazem com que no Porto e nas zonas envolventes não se instalem mais empresas, apesar de existir procura, com grande peso das áreas tecnológicas. Uma situação que se pode confirmar pelo facto de que uma parte da atual oferta de edifícios em construção esteja já reservada. De referir que nos próximos anos está prevista a entrada no mercado do Porto e áreas adjacentes de aproximadamente 120 mil metros quadrados de nova oferta, sendo que cerca de 98.600 m2 se encontram atualmente em fase de construção. “Um indicador relevante é o facto de aproximadamente um terço dos espaços em carteira já se encontrar comprometido, o que demonstra que a procura continua ativa para projetos com maior qualidade”, destaca Pedro Salema Garção, responsável pela área de escritórios da consultora Cushman & Wakefield. De acordo com a consultora, se analisarmos os dados desde o final de 2021 até 2025, cerca de um terço da área dos projetos em construção encontrava-se reservada no final de cada ano. O espaço de escritórios novos em construção oscilava entre os 97 mil metros quadrados (em 2021), com espaço em reserva de 25%; em 2022 , um dos melhores anos em termos de projetos em construção , com 112 m , a área reservada foi de 37%. Já em 2023 registou-se uma pequena quebra na área construída, cerca de 91 mil metros quadrados, com 23% do espaço reservado no final desse ano. Em 2024 estavam em construção 103 mil metros quadrados, sendo que as reservas foram superiores em 31%. Já no final de 2025 as reservas de espaço foram superiores em 32%. Graça Ribeiro da Cunha, responsável pela área de escritórios da consultora Savills, refere que o mercado de escritórios no Porto entrou em 2026 com perspetivas de estabilidade e crescimento moderado. “Apesar do contexto internacional desafiante, a procura mantém-se suportada pelo investimento estrangeiro, pelo dinamismo tecnológico e pela crescente exigência por espaços de qualidade e com sustentabilidade.” Bernardo Vasconcelos, da consultora JLL, argumenta, por seu lado, que não existem sinais de abrandamento estrutural da procura, salientando que todas as operações registadas corresponderam a ocupação imediata. “As empresas continuam interessadas em novos escritórios, num contexto de consolidação dos modelos de trabalho e de perspetivas económicas relativamente positivas para Portugal”, afirma. Na opinião dos especialistas em imobiliário, o aumento da procura por escritórios na Invicta resulta sobretudo de fatores estruturais, como a qualidade das universidades, a disponibilidade de talento qualificado, os custos operacionais competitivos e a qualidade de vida. Estes elementos continuam, segundo os profissionais da especialidade, a ser determinantes para a atração de investimento e para a expansão de operações empresariais na região. De referir que em 2025 o mercado de escritórios do Grande Porto registou cerca de 43.700 m2 de área colocada, representando uma redução face ao ano anterior (76.600 m?). Contudo, o responsável da consultora JLL alerta para que esta situação “não deve ser interpretada como uma quebra estrutural da procura, mas sobretudo como consequência da escassez de espaços de elevada qualidade disponíveis no mercado, particularmente em edifícios novos ou totalmente reabilitados”. Lisboa continua a representar um grande peso em comparação com o Porto neste segmento. De referir que, em 2025, a capital registou um volume de ocupação total de aproximadamente 204.067 m2 ao longo do ano, sendo que entre janeiro e fevereiro deste ano foram ocupados 17.250 m2 de escritórios, distribuídos por 24 operações. Já no Porto realizaram-se quatro operações, que totalizaram cerca de 2500 m , um volume praticamente idêntico ao registado no período homólogo. “No Porto, pelo contrário, a escassez de produto é mais evidente num mercado menos líquido”, explica Bernardo Vasconcelos. De acordo com os dados da Invest Porto, em-presa de captação de investimento da autarquia do Porto, o reconhecimento do papel da cidade foi reforçado recentemente pelo “Financial Times”, que elegeu O Porto como “a melhor grande cidade europeia em estratégia de IDE (Ambiente de Desenvolvimento Integrado) para 2025”. O impacto económico é visível nos mais de 23.500 empregos estrangeiros criados nos últimos cinco anos por estes projetos, em que se destacam empresas globais como a Natixis, Euronext, BMW (Critical Techworks) e FedEx. Nos últimos anos tem-se verificado uma clara evolução do mercado, no sentido de disponibilizar edifícios com melhores padrões ambientais e maior foco na sustentabilidade e no bem-estar dos utilizadores. Entre os projetos mais relevantes, em fase de desenvolvimento ou recentemen: te entregues, destacam-se edifícios como O HOP Heart of Porto, com 30 mil metros quadrados, localizado na Baixa do Porto e com a conclusão prevista para o final deste ano. Este edifício, tal como O Viva Offices, localizado na Zona Empresarial do Porto, reflete “uma forte aposta em sustentabilidade, bem-estar e conectividade digital, evidenciando elevados padrões de eficiência energética e ambiental”, sublinha Pedro Salema Garção, sendo que estes aspetos são valorizados nas certificações reconhecidas a nível internacional. De referir que O Viva Offices, um empreendimento concluído recentemente, promovido pela Sonae Sierra e pelo grupo Ferreira, apresenta cerca de 60% dos 21.500 m2 já comercializados ESTA PREVISTA A ENTRADA DE 120 MIL METROS QUADRADOS DE NOVOS ESCRITóRIOS NO MERCADO DO PORTO E AREAS ADJACENTES Os novos edifícios de escritórios no Grande Porto estão a ser reservados ainda na fase de construção FOTO D.R. ELISABETE SOARES