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APRENDIZAGEM CONTÍNUA COM MODELOS MAIS FLEXÍVEIS E HÍBRIDOS

Jornal Económico (O)

2026-03-27 22:09:08

Aprendizagem contínua, com flexibilidade e modelos hibrídos Futuro a IA, sustentabilidade e ética tendem a ganhar destaque. Os modelos híbridos e flexíveis também. Mas, no final, o que importa, independentemente dos modelos, formatos e temáticas, é “formar decisores capazes de pensar, integrar e agir”. aromeira@medianove.com Três chaves vão abrir a porta, não à vez, mas em simultâneo. O futuro dos programas de MBA passa por evoluir três dimensões chave: modelos de aprendizagem, formatos e temáticas. “O futuro dos MBA passará por programas mais flexíveis, mais exigentes e mais ligados à realidade. Haverá mais modelos híbridos, maior modularidade e maior compatibilidade com vidas profissionais intensas”, antecipa José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education. Mas atenção, alerta. “Flexibilidade não pode significar facilitismo. Pelo contrário, o MBA do futuro terá de ser ainda mais relevante, mais aplicável e mais transformador”. No essencial, os líderes das escolas de negócios com responsabilidade direta em MBA ouvidos pelo Jornal Económico, olham para o futuro do programa por uma lente similar à do professor Crespo de Carvalho. Para Ana Côrte-Real, Faculty & Corporate Relations Director e MBA Director da Porto Business School, “a aprendizagem terá de ser cada vez mais contínua, adaptativa e experiencial”. Nas temáticas, a tendência, adianta, é para que áreas como Inteligência Artificial, sustentabilidade, ética e inovação deixem de ser disciplinas isoladas para passarem a “estar integradas transversalmente em todo o programa”, preparando líderes para “ambientes complexos e tecnológicos”. A responsável da PBS vê os formatos a tornar-se mais flexíveis e híbridos. “É natural que aumente a oferta de cursos realizados de forma remota (i.e., online) ou híbrida”, acompanha Pedro Torres, Subdiretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Coordenador do MBA para Executivos, mas com salvaguardas. A experiência que o programa proporciona conta. No caso do da FEUC, essa experiência “está muito ligada à cultura académica que se vive na cidade e à integração dos estudantes na Universidade”. Conclusão? O formato presencial vai continuar a ser privilegiado. De forma dinâmica, entenda-se. “É possível a introdução de alguma inovação pedagógica, que pode passar pela uti-lização de mais tecnologia na personalização da experiência de cada estudante, de forma complementar ou integrada nas aulas presenciais”, adianta Pedro Torres. Entre os novos temas, destaque para o pensamento computacional, a transição energética, a liderança de equipas híbridas (humanos + agentes de IA), bem como “questões relacionadas com a gestão do risco tecnológico e a cibersegurança”. Agostinho Abrunhosa, diretor do AESE Executive MBA, não se afasta muito: “Haverá certamente novos formatos e maior integração de tecnologia, incluindo inteligência artificial e simulações. Mas aquilo que realmente distingue um MBA continuará a ser o desenvolvimento da análise, da capacidade de decidir e implementar em contextos complexos e da liderança de pessoas”, detalha. Não está em causa o conceito. Nem se trata de o reinventar. Em termos temáticos, veremos também, acrescenta, uma crescente integração de IA aplicada à gestão, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. Ao nível dos conteúdos, Margarita Carvalho, Cocoordenadora do MBA Executivo da Universidade Portucalense, aponta justamente para as áreas da transformação digital, inteligência artificial, sustentabilidade e inovação. “Continuarão a ganhar protagonismo, a par do desenvolvimento de competências humanas, tais como a liderança, a criatividade, o pensamento crítico e a resiliência, cada vez mais valorizadas num mundo empresarial em rápida transformação”. O contexto atual é de grande incerteza. O mundo, salienta, José Crespo de Carvalho, está “mais instável, mais rápido e mais complexo”, o que significa que os MBA “terão de formar menos repetidores de fórmulas e mais decisores capazes de pensar, integrar e agir.” Fazendo-o, acrescenta, “de forma independente e for-mando ideias próprias, convicções, baseadas no seu conhecimento e nas suas competências”. Na mesma linha e em síntese, remata Luís Marques, Diretor do MBA Executivo e Docente na Católica Porto Business School: “O MBA do futuro será menos sobre acumular conhecimento e mais sobre desenvolver a capacidade de interpretar contextos complexos, tomar decisões com impacto e liderar processos de transformação nas organizações”. É o resultado que importa. Como avaliar os MBA online na era da IA? a O futuro trará muita mais inteligência artificial (IA) generativa, o que coloca desafios importantes às escolas de negócios, sobretudo às que oferecem programas de MBA online. Um artigo publicado recentemente no jornal britânico “Financial Times” (FT) revela preocupações com o potencial de fraudes, de como podem as escolas de negócios detetá-las e o que devem fazer quando as encontram. “Tudo isso está levando as escolas a repensar a forma como fazem as avaliações, principalmente nos MBA online”, escreve Sarah Murray. A reformulação, adianta, passa por “alterar o equilíbrio entre redação e projetos em grupo, pedir aos alunos que defendam os trabalhos escritos e recorrer a avaliações orais para testar as suas competências de análise crítica.” A oferta de cursos realizados de forma remota ou híbrida é uma tendência na formação avançada Pedro Torres Subdiretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Coordenador do MBA para Executivos Almerinda Romeira