BYD ATTO 2 COMFORT: A MATURAÇÃO ELÉTRICA DA BYD EM PORTUGAL
2026-03-27 22:09:08

É com a sensação de estar perante um produto que reflete uma rápida curva de aprendizagem que concluímos o ensaio de várias centenas de quilómetros ao volante do novo BYD Atto 2 Comfort, a versão 100% elétrica que a marca chinesa acaba de introduzir no mercado português e cuja apresentação o LusoMotores também acompanhou. Mais do que uma simples atualização, este modelo representa a consolidação de uma estratégia: a BYD deixou de ser vista como a “nova marca a explorar” para se afirmar como uma alternativa sólida e madura no segmento dos SUV citadinos, desafiando diretamente a hegemonia europeia. A aposta em Portugal tem sido assertiva, com uma rede de concessionários em expansão, e este Atto 2 surge como o argumento perfeito para quem procura racionalidade sem prescindir de tecnologia. A primeira grande diferença para o Atto 2 anteriormente comercializado sente-se logo ao volante. Se o modelo de entrada era competente mas denotava uma suspensão mais seca em piso urbano degradado, esta nova geração Comfort apresenta uma evolução significativa no comportamento dinâmico. A BYD refinou a calibração do chassis; o amortecimento está agora mais progressivo, absorvendo eficazmente as irregularidades do asfalto português sem comprometer a estabilidade em curva. Continua este modelo sem ser um desportivo - e não se pede que o seja -, mas a direção, ligeiramente mais pesada e direta que no antecessor, inspira confiança em autoestrada, onde se mantém firme e previsível, algo essencial num veículo que se propõe a ser versátil. As prestações são adequadas ao segmento B. O motor elétrico de 130 kW (177 cv) proporciona um arranque vigoroso e respostas imediatas no trânsito citadino, onde a agilidade é rainha. A autonomia declarada ronda os 420 km em ciclo combinado (WLTP), mas na realidade, após centenas de quilómetros que misturaram periferia de Lisboa, autoestrada aproveitando algumas rectas mais prolongadas de vias como a CREL e A10, mas também alguns percursos mais sinusos por estrada nacional, os valores situaram-se entre os 350 e os 380 km com condução normal, um valor perfeitamente competitivo e que anula a “ansiedade de autonomia” para o dia a dia. Carregamento da bateria de 10% a 80% em pouco mais de meia hora As necessidades de carregamento são facilitadas pela compatibilidade com carregadores rápidos até 88 kW em corrente contínua, permitindo recuperar de 10% a 80% da bateria Blade (LFP) em cerca de 35 minutos, desde que se encontre um posto compatível - um tempo competitivo, ainda que abaixo dos picos de 150 kW que alguns rivais já oferecem. O conforto a bordo é um dos seus trunfos. Os bancos dianteiros, agora com acabamento em material perfurado e ventilação elétrica (uma raridade no segmento), revelaram-se excelentes para viagens longas, oferecendo bom suporte lombar sem rigidez excessiva. A habitabilidade é generosa, fruto da arquitetura dedicada a veículos elétricos, com um piso traseiro plano que acomoda três adultos sem grande sacrifício. A conectividade é assegurada por um ecrã central rotativo de 12,8 polegadas, cuja funcionalidade de rotação (entre modo paisagem e retrato) mantém-se como um diferenciador lúdico e prático. O sistema é rápido, intuitivo e integra de forma nativa o Android Auto e Apple CarPlay sem fios, embora o ecrã de instrumentos atrás do volante continue a pecar pela pouca personalização e dimensão reduzida face à concorrência. Três pontos positivos globais Eficiência e Bateria Blade: A combinação da bateria LFP estrutural com a gestão térmica eficiente oferece uma autonomia real muito próxima da anunciada, acrescida de uma durabilidade e segurança química superiores à média do segmento. Conforto e Equipamento: A introdução de bancos dianteiros ventilados, o amplo espaço traseiro e a suspensão refinada colocam o Atto 2 Comfort num patamar de conforto que rivaliza com segmentos superiores. Evolução Dinâmica: A nova calibração do chassis e a rigidez extra da estrutura corrigiram a principal crítica ao modelo anterior, resultando num comportamento em estrada mais maduro, estável e confiante. Três pontos a melhorar: Potência de Carregamento: Apesar de suficiente para viagens ocasionais, os 88 kW em corrente contínua ficam aquém dos 100-150 kW oferecidos por rivais diretos, alongando ligeiramente as paragens em percursos longos. Ecrã de Instrumentos Reduzido: O painel de instrumentos digital é demasiado pequeno e com poucas opções de visualização, contrastando com a riqueza do ecrã central e obrigando o condutor a desviar mais a atenção. Assistência à Condução Conservadora: O sistema de condução semi-autónoma (ADAS) é funcional, mas peca por intervenções por vezes demasiado bruscas na correção de faixa, especialmente em estradas nacionais sinuosas, onde se torna mais intrusivo do que realmente necessário. Ficha Técnica , BYD Atto 2 Comfort CategoriaEspecificaçãoMotorElétrico síncrono de ímanes permanentesPotência Máxima130 kW (177 cv)Binário Máximo290 NmTipo de BateriaBYD Blade Battery (LFP , Lithium Iron Phosphate)Capacidade Bruta51 kWh (aproximadamente)Autonomia (WLTP)420 km (ciclo combinado)Carregamento AC (Corrente Alternada)11 kW (trifásico) , Tempo total: aprox. 5h30Carregamento DC (Corrente Contínua)88 kW (máx.) , 10% a 80%: aprox. 35 minTraçãoDianteiraAceleração (0-100 km/h)7,9 segundosVelocidade Máxima160 km/h (limitada eletronicamente)Comprimento4,31 mLargura1,83 mAltura1,67 mDistância entre Eixos2,62 mCapacidade da Bagageira400 litros (aprox.)Principais EquipamentosEcrã central rotativo de 12,8?, bancos dianteiros ventilados, Android Auto/Apple CarPlay sem fios, câmara 360°, carregador embarcado 11 kW, jantes em liga leve 17? Bateria LFP “joga” a favor do Atto 2 Comfort Falando em particularidades, a grande novança tecnológica reside na introdução de um sistema de bateria estrutural (Cell-to-Chassis), que integra as células diretamente na estrutura do veículo. Isto não só aumenta a rigidez torsional (notória na ausência de vibrações parasitas) como liberta espaço interior. É um salto qualitativo em relação ao anterior modelo, que utilizava uma abordagem mais convencional. No capítulo da concorrência, o Atto 2 Comfort posiciona-se num dos segmentos mais concorridos em Portugal, rivalizando diretamente com o MG4, o Renault Mégane E-Tech e o recente Leapmotor C10. Face ao MG4, o BYD oferece um interior mais premium e um pós-venda em consolidação, mas perde em dinâmica mais desportiva. Contra o Mégane E-Tech, a relação preço/equipamento é francamente superior, embora a rede Renault ainda goze de uma capilaridade que a BYD está a conquistar. O ponto onde o Atto 2 se destaca é na bateria LFP (mais segura e duradoura) e na garantia geral do veículo, que em Portugal continua a ser um argumento de peso. Veredicto final Analisando o mercado nacional, o Jaecoo 7 PHEV insere-se num segmento ferozmente concorrido, onde figuras como o Peugeot 3008, o Toyota C-HR, o Ford Kuga ou o Volvo XC40 reinavam. A Jaecoo entra com uma estratégia agressiva de relação equipamento/preço, oferecendo um nível de dotação tecnológica e de luxo interior que, na concorrência europeia, só estaria disponível em níveis de equipamento superiores ou mediante custosos opcionais. A marca, ainda recente em Portugal, beneficia da confiança institucional do Grupo JAP, um conhecido importador com uma rede de assistência em expansão, o que mitiga a desconfiança natural que o consumidor português ainda tem em relação a marcas emergentes. Da nossa parte, e aquando do ensaio realizado para o LusoMotores, a impressão permitida por este Jaecco 7, à venda por foi sem dúvida positiva, bem mais, aliás, do que a sentida perante o Jaecco 5, que demos conta de ter ainda uma margem de progressão de progressão considerável. Aqui, a relação preço/oferta/qualidade poderá ser o factor que fará a diferença no momento da compra e, sem dúvida, pela positiva. ensaio: Jorge Reis Jorge Reis