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BYD ULTRAPASSA TESLA, ENQUANTO ROBÔS PISCAM O OLHO A MUSK

Expresso

2026-03-27 22:09:08

Luta pela liderança no mercado dos elétricos aquece disputa entre chinesa e norte-americana Arivalidade entre a BYD e a Tesla entrou numa nova fase em 2025, com uma inversão na liderança global do mercado de veículos elétricos. Pela primeira vez, a fabricante chinesa ultrapassou a empresa liderada por Elon Musk em vendas anuais de carros 100% elétricos, consolidando uma mudança que já se vinha a desenhar há vários meses. No entanto, as pressões no mercado interno, com forte concorrência nos preços, podem complicar as ambições da BYD, numa altura em que a rival Tesla se foca mais noutras áreas de negócio. Em 2025, as vendas da Tesla caíram cerca de 9%, em termos homólogos, para 1,64 milhões de veículos, enquanto a BYD cresceu quase 28%, ultrapassando os 2,25 milhões de unidades vendidas. Se juntarmos os veículos híbridos (que a Tesla não vende), a empresa chinesa vendeu um total de 4,6 milhões de carros. A estratégia da BYD, à imagem das concorrentes chinesas, assenta no ganho rápido de escala, combinado com preços agressivos, muito abaixo dos fabricantes ocidentais. Demorou 58 13 anos a chegar ao primeiro milhão de carros produzidos, mas depois acelerou. A expansão tem sido particularmente eficaz em mercados emergentes, como a América Latina e O Sudeste Asiático, mas também na Europa. A empresa abriu a sua primeira fábrica fora da Asia, em outubro do ano passado, no Brasil. Está a entrar na Europa, com unidades na Hungria e Turquia, sendo que a Reuters noticiou no ano passado que a Alemanha poderia ser o próximo destino. Uma das vantagens da empresa, de acordo com uma nota do banco de investimen-to Jefferies, é a inovação tecnológica. A sua segunda geração da bateria Blade, padrão na maioria dos modelos, “estabelece um recorde global de velocidade de carregamento”, permitindo carregar de 10% a 70% em apenas cinco minutos, e proporcionar 400 quilómetros de autonomia. O banco destaca que a empresa está a construir uma rede de 20 mil estações de carregamento rápido até 2026, criando uma infraestrutura “difícil de replicar” e com potencial de monetização futura. Apesar deste avanço, a liderança da BYD não é isenta de desafios. O crescimento abrandou em 2025 para o ritmo mais lento dos últimos cinco anos, pressionado pela concorrência intensa no mercado chinês, onde marcas como Geely ou MG disputam quota com margens reduzidas. Em fevereiro, a empresa registou uma quebra nas vendas, comparando o período homólogo, pelo sexto mês consecutivo. Em Portugal, a liderança tem sido repartida. A BYD já se chegou à frente, mas no arranque deste ano é a Tesla que leva a melhor. Nos primeiros dois meses de 2026, a marca de Elon Musk registou 1537 matrículas, acima das 785 da BYD, que ocupa a segunda posição. Este desempenho mostra que, apesar das dificuldades globais, a marca mantém a sua capacidade comercial em vários mercados. Em 2025, a Tesla faturou 94 mil milhões de dólares, o equivalente a EUR81 mil milhões. Destes, cerca de 70% dizem respeito à venda de carros e 20% à venda de baterias, sistemas solares e serviços de carregamento. Na última apresentação de resultados da Tesla, ao mesmo tempo em que Elon Musk anunciava que iria descontinuar a produção dos modelos s e x, apontava para outra direção: a dos humanoides. O mundo encantado dos robôs O líder da empresa disse que estes robôs poderiam representar 80% de todo o valor da Tesla no futuro. Mas os investidores desconfiaram de que isso teria sido apenas uma manobra para escamotear o fracasso registado na venda de automóveis, numa altura em que a Tesla anunciava uma quebra de 30% dos lucros e dificuldades no negócio dos robotáxis. A empresa estabeleceu uma meta de produzir até um milhão de humanoides por ano até 2030, através do seu projeto Optimus, com início de produção em escala previsto já para 2026. “A empresa poderá beneficiar tanto da utilização do seu robô Optimus nas operações internas como da sua venda a clientes externos. Acreditamos que a Tesla pode alavancar parte da sua experiência nos veículos e energia, nomeadamente em eletrónica de potência/semicondutores, software de navegação e produção”. pode ler-se numa nota do Goldman Sachs, que prevê que os lucros possam mais do que duplicar até 2030, caso as vendas corram como o esperado. O preço médio de cada Optimus deverá rondar EUR40 mil a EUR60 mil. Ainda assim, lembram os analistas, este mercado está longe de estar maduro. Persistem desafios técnicos, desde a capacidade de manipulação dos robôs até à segurança em ambientes reais, e a adoção em larga escala poderá demorar vários anos. Em paralelo, a empresa está também a investir no desenvolvimento de robotáxis, mercado que poderá atingir mais de 200 mil milhões de dólares até ao final da década. Aqui, a Tesla enfrenta a concorrência de empresas como a Waymo, quej já opera milhares de veículos autónomos e acumulou milhões de viagens. A Tesla ainda não tem uma frota significativa totalmente autónoma, mas está a testar o seu serviço de robotáxi em cidades como Austin. Globalmente, a empresa norte-americana prevê um investimento de cerca de 20 mil milhões de dólares (EUR17,3 mil milhões) em 2026. NUMEROS 1,6 milhões éo número de carros elétricos que a Tesla vendeu em todo o mundo em 2025. Representa uma quebra homóloga de 9%. Já a iBYD vendeu 2,2 milhões 5 é o número de minutos em que a segunda geração da bateria Blade, usada em grande parte dos modelos de ligeiros da BYD, pode carregar a bateria, dos 10% aos 70%, num modo de carregamento ultrarrápido 785 é o número das novas matrículas registadas pela marca BYD em Portugal nos primeiros dois meses deste ano. A empresa está em segundo lugar, na venda de elétricos, superada pela Tesla, que registou 1537 matrículas, com uma quota de mercado de 17% neste segmento TESLA LIDERA VENDAS DE CARROS ELETRICOS EM PORTUGAL NOS PRIMEIROS MESES DE 2026, COM 1537 MATRICULAS REGISTADAS. A BYD VEM EM SEGUNDO LUGAR Tesla deixará de produzir dois modelos de carros elétricos, enquanto dá o próximo passo para se focar noutros negócios Gonçalo Almeida