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TENDÊNCIAS: ESPECIALIZAÇÃO FUNCIONAL DOS MBA COM POUCA TRAÇÃO

Jornal Económico Online (O)

2026-03-29 21:05:40

As novas temáticas societais estão a impulsionar a especialização funcional nos MBA. É uma tendência em ascensão. Em Portugal, a maior parte dos programas valoriza a abordagem integrada da gestão. A lógica da especialização funcional do MBA, tendência em ascensão em alguns mercados, não ganhou ainda grande tração em Portugal. “O objetivo não é formar especialistas. É formar decisores completos, capazes de navegar a complexidade com impacto real no negócio”, explica Joana Santos Silva, CEO do ISEG Executive Education e diretora executiva do ISEG MBA ao Jornal Económico (JE). O MBA do ISEG parte da base clássica da gestão - estratégia, finanças, operações - e não se limita a uma lógica de especialização funcional, esclarece. “Privilegiamos uma visão integrada e sistémica da gestão porque é isso que o contexto atual exige. Um líder hoje não opera em silos - decide em ambientes onde tecnologia, sustentabilidade, dados e pessoas estão interligados”. O programa incorpora dimensões críticas como tecnologia, inteligência artificial, economia circular e liderança, não como especializações isoladas, mas como camadas transversais à tomada de decisão. A UPT alinha pelo mesmo diapasão. “O MBA Executivo da Universidade Portucalense privilegia uma abordagem transversal da gestão, assente numa lógica de “gestão pura e dura”, mas alinhada com os desafios atuais das organizações”, revela Margarita Carvalho, cocoordenadora do programa da UPT. “Mais do que especializações formais”, o MBA da UPT aposta numa “formação integrada” que combina estratégia, liderança, transformação digital e sustentabilidade, “permitindo aos participantes desenvolver uma visão holística das organizações”. Luís Marques, diretor do MBA Executivo da Católica Porto Business School, explica ao JE que o programa não assenta numa especialização tradicional, mas sim numa “abordagem integrada da gestão”, orientada para a criação de valor nas organizações. “Trabalhamos três grandes vetores que enquadram os desafios empresariais: eficiência, gestão de risco e inovação”, adianta. A visão da Escola traduz-se numa “forte ligação entre teoria e prática”, através de desafios empresariais reais , como o business case transversal, que permite aos participantes “aplicar diferentes perspetivas” de gestão a problemas concretos. O Lisbon MBA Católica|Nova estrutura a sua formação em torno de três eixos, diretamente alinhados com os desafios reais que as organizações enfrentam hoje: Liderança e Gestão de Pessoas, Transformação Digital e Inovação e Sustentabilidade e Impacto. O curriculum inclui disciplinas core como Finanças, Contabilidade, Marketing, Recursos Humanos, Estratégia, Operações e Processos, Controlo de Gestão, Ética e Sustentabilidade. AESE e Porto Business School afinam uma perspetiva metodológica que vai na direção da tendência. Agostinho Abrunhosa esclarece que o AESE Executive MBA assenta na convicção de que “antes de especializar”, é necessário compreender a gestão “no seu todo e vista do topo”. Mas , e aqui surge um dado novo , cada carreira tem desafios próprios e para lhes dar resposta, o programa que dirige, inclui um elective track que permite personalizar parte do percurso, aprofundando temas específicos. Incluí ainda coaching pessoal e suporte de carreira. “A base continua a ser a gestão , aquilo a que chamaria arquitetura da decisão , mas com espaço para que cada participante aprofunde as áreas mais relevantes para o seu caso”, salienta. Os MBA da Porto Business School (PBS) assentam numa base sólida de gestão generalista, que, segundo Ana Côrte- -Real, “continua a ser essencial para formar líderes capazes de tomar decisões integradas e com impacto”, mas num contexto de “carreira cada vez mais personalizado”, é fundamental permitir aos alunos “adaptar o seu percurso”, explica a Faculty & Corporate Relations Director e MBA Director da Porto Business School. Ora, aqui, isso já é possível. Os participantes podem customizar “a sua jornada”. Como? Escolhendo áreas que refletem tendências críticas do mercado e lhes permitem aprofundar competências específicas sem perder a base generalista. Ou seja, mais do que escolher entre “gestão pura” ou especialização, o modelo combina ambos. “Primeiro, constrói-se a base; depois, diferencia-se o perfil”, conclui Ana Côrte-Real   Especializações mais populares de MBA Tirar uma startup do papel não é fácil. Um MBA especializado em Empreendedorismo ajuda a desenvolver competências que talvez permitam concretizar a ideia, fazer dela um negócio. É um dos muitos exemplos de MBA especializados referidos pelo GMAC, administrador do GMAT (Graduate Management Admission Test), exame de admissão exigido em muitos programas de MBA e mestrado em gestão. Finanças é outro exemplo de especialização e uma das mais procuradas, segundo esta fonte. O participante pode aprofundar conhecimento e competências em gestão de ativos, fintech, como controlar riscos estratégicos e financeiros e até como avaliar a sua empresa, se for o caso. Ainda segundo o GMAC, muitas escolas de negócios de alto nível disponibilizam já essa variante. Os MBA especializados florescem como cogumelos nos Estados Unidos, oferecendo a possibilidade de complementar a formação generalista em gestão, tornando-se “especialista”. Almerinda Romeira