BOLT PREPARA EXPANSÃO NOS AÇORES DO SERVIÇO DE TVDE PARA O FAIAL E O PICO
2026-03-29 21:05:54

“Daqui a um ano gostava de estar, pelo menos, em quatro ilhas, com uma centena de viaturas” Foi dada à Bolt a concessão, não exclusiva, para a exploração do serviço de TVDE, na Região, até à data a única que entre nós fornece tal valência. Iniciou a actividade há precisamente um ano, pelo que será o momento certo para Mário de Morais, Director-geral da Bolt em Portugal, fazer o “ponto de situação” Veio a São Miguel a propósito do primeiro ano da presença da Bolt, nas suas diversas valências nos Açores. Uma visita de cortesia ou de controle, para melhor saber como é que vão as coisas? Foi uma visita de planeamento futuro e digo que a nossa expansão aos Açores está a correr muito bem. O que nós viemos aqui foi perceber o que é que podemos fazer mais. Estamos numa fase em que queremos perceber a reacção dos Açores à nossa presença. E reagiram muito bem. A implementação do serviço TVDE da Bolt em São Miguel foi motivada pelo mercado turístico? Sim, é uma motivação natural, mas mais de metade dos nossos utilizadores são residentes. A sazonalidade turística tem pesado? Claro, tem pesado muito, pesa na distribuição entre pessoas. Em Junho e julho, 60% eram turistas. Em dezembro fizemos mais viagens que fizemos em Julho por ser a época de Natal, mas então 75% eram residentes. Portanto, os números conseguidos em São Miguel e na Terceira neste primeiro ano motivam para mais investimento e mais programação. Ou seja? Temos duas questões: A primeira, e que começámos agora também é fazer publicidade na ilha, a mostrar a marca. No serviço TVDE, de início, estava apenas entregue a os motoristas que tínhamos, portanto, uma destas fases de investimento que está a acontecer. Outra, é que queremos que haja mais pessoas a trabalhar no sector. Temos, neste momento, cerca de 40 motoristas com licença. Fala dos Açores ou de São Miguel? São Miguel e Terceira, sendo que a grande maioria está em São Miguel. Uma, precisamos de mais motoristas. Há muitos clientes que tentam pedir o serviço e os motoristas estão ocupados, o que é bom sinal, mas revela que que precisamos de expandir. Uma das razões que me fez cá vir foi perceber, com a Direcção Regional do Emprego, com a parte dos transportes, como é que podemos expandir para outras ilhas, como o Faial e o Pico, onde já temos clientes a perguntar pelo serviço. Já tinha referido que o Pico seria talvez a prioridade de expansão próxima, mas agora entendo que será o próximo passo será o Faial. Tranquilo com a captação de colaboradores? Precisamos de pessoas dispostas a trabalhar, como é óbvio, e fazer as formações. Informalmente, contacto com muitas pessoas e acho que há muita gente que deseja aderir. Não há falta de procura de pessoas que queiram aderir. Temos pessoas interessadas. as formações demoram algum tempo e, às vezes, desincentivam mas só boas formações. O Governo da República um bom trabalho ao criar esta formação. É uma formação longa, mas boa. E nós viemos também cá para voltar a abrir cursos de formação, em conjunto com as entidades locais, para garantir as pessoas interessadas, possam, realmente, aderir, fazer o curso e, a partir daí, começar a trabalhar. Todos os TVDE são eléctricos Tenho consciência de que em São Miguel há poucos postos que carregam na rede pública e tenho sentido de algum feedback negativo da parte de alguns dos nossos motoristas Sinto que há falta de capacidade da Região na mobilidade elétrica. Ainda não tem condicionado ou atrasado a evolução da nossa actividade, mas vai acontecer. Já vimos isto acontecer, por exemplo, em Lisboa, onde mais de 40% dos carros são eléctricos. Temos hoje em dia um problema de infra-estrutura e agora estamos atrasados, estamos a ir atrás. O que nós queremos fazer com os Açores é, assim que tivermos garantia do próximo lote de motoristas a entrar, vamos trabalhar com o Governo Regional para garantir que há mais infra-estrutura. O ponto positivo é que, da parte da infra-estrutura, há muita entrega em a desenvolver, porque percebem que o futuro está aqui. Mas o Governo suspendeu durante meses todo e qualquer apoio, quer a aquisição de viaturas, bem como para a instalação de novos pontos de carregamento eléctrico. Nada disso não nos afectou em especial porque estamos ainda com uma curva de crescimento rápido, mas não exponencial. O que eu acho é que esse sector dos TVDS tem que ser sustentável sem apoio. A ideia é que traga mais valor para a economia. E aqui, o papel da Bolt, sendo a única plataforma na Região, é também poder ajudar e incentivar com os apoios que tiverem de ser dados e, se calhar, apoiando um bocado o Governo Regional nesse investimento. Os apoios têm que ir para as empresas que precisam, para as pessoas que precisam, para fazer esta transição. Sendo um sector que é saudável e que tem capacidade para crescer, acho que aqui os apoios têm de ser dirigidos a quem precisa deles. Não acho que o motorista, e pelos rendimentos que nós vemos na plataforma, que quer fazer TVD, precise de mais apoio do que já damos, que rapidamente recupera o valor da viatura. Porquê a Bolt é a única prestadora de serviço de TVDE nos Açores? Asseguramos a permanência como a única presente, e podemos operar por um prazo de cinco anos, mas nada impede ninguém de entrar no mercado. Ou seja, se amanhã outra plataforma quiser entrar, basta fazer o processo normal para ter a licença. É um mercado aberto, entra quem quiser entrar. Ma acrescento que há uma grande diferença de estratégia entre a Bolt e a concorrência: desde que estou na liderança da Bolt, a minha missão sempre foi cobrir todo o Portugal, daí o meu esforço também de entrar na Ilha do Faial e na na Ilha do Pico. Portanto, estamos cá para ficar e considero que está a correr muito bem para os turistas que vêm aos Açores e para os açorianos. Os dados mais recentes que tenho (de hoje), já fizemos 500 mil quilómetros entre São Miguel e Terceira, em um ano, 500 mil quilómetros de viagens.. São muitos quilómetros, já dá para reformar um carro, mas isso é outra questão. Em suma, balanço de um ano muito positivo. E daqui a um ano, se cá vier o que gostaria de dizer? Daqui a um ano gostava de estar pelo menos em quatro ilhas. São Miguel, Terceira, Pico e Faial, gostava, também, que o total de viaturas chegasse a uma centena. *jornal@diariodosacores.pt Mário de Morais, Director-geral da Bolt em Portugal “Precisamos de mais motoristas para responder à procura que existe. Mais de metade dos utilizadores da Bolt nos Açores são residentes” RUI LEITE MELO