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ADEUS FERRARI. CONDUZIMOS O ASTON MARTIN VALHALLA

Razão Automóvel Online

2026-03-30 21:04:02

O Valhalla é o primeiro supercarro de motor central da Aston Martin e quer desafiar o domínio da Ferrari, Lamborghini e McLaren. Consegue? O Valhalla é o primeiro supercarro de motor central traseiro da Aston Martin e quer desafiar o domínio da Ferrari, Lamborghini e McLaren. Consegue? Aston Martin Valhalla Primeiras impressões 9.5/10 O primeiro supercarro da Aston Martin com motor central traseiro é híbrido plug-in. Mas isso não é um problema O anti-Ferrari que a Aston Martin vinha a prometer há anos está finalmente aqui. Chama-se Valhalla, custa mais de um milhão de euros e será limitado a apenas 999 unidades. Portugal vai receber oito. É o primeiro supercarro de motor central da marca britânica - o Valkyrie está noutro patamar de preço e exclusividade - e um verdadeiro ponto de viragem para a Aston Martin, que construiu a sua reputação a construir GT elegantes com motor dianteiro. O Valhalla rompe com tudo isso e aposta numa mecânica híbrida plug-in para enfrentar o domínio da Ferrari, Lamborghini e McLaren. Será que consegue? Já o conduzimos e as primeiras impressões dificilmente poderiam ter sido mais positivas. Ora veja: Esculpido pelo vento Um supercarro tem de ser impactante mesmo quando está parado. E o Valhalla respeita esta máxima na perfeição, com uma carroçaria que tem tanto de dramática quanto de funcional. Nenhuma linha ou aresta deste exterior foi desenhada sem um propósito. O Valhalla foi esculpido num túnel de vento, para oferecer o melhor comportamento aerodinâmico possível. © Aston Martin A asa traseira é composta por dois elementos e na posição mais agressiva consegue gerar mais de 600 kg de downforce. Aliás, a esse nível este modelo também é uma estreia, já que é o primeiro Aston Martin de produção a contar com elementos aerodinâmicos ativos nos dois eixos: há uma pequena asa por baixo do para-choques dianteiro e uma asa traseira que pode atingir até 51,5º para atuar como travão ou -8,5º, para uma redução máxima de arrasto. A 240 km/h, o Valhalla é capaz de gerar cerca de 610 kg de downforce, valor que se mantém até à velocidade máxima de 350 km/h. Mas mais impressionante do que tudo isto é o facto dos dois elementos aerodinâmicos trabalharem sempre em conjunto, ajustando-se de forma contínua para manter o equilíbrio do carro em qualquer situação. © Aston Martin As jantes em magnésio permitem reduzir em 12 kg as massas não suspensas do Valhalla. Outra coisa que também não deixa ninguém indiferente são as portas de abertura diédrica, que acrescentam uma pitada de teatralidade a toda a experiência e servem como uma espécie de ritual de boas-vindas a um habitáculo que foi inspirado na Fórmula 1. Condutor é o protagonista Minimalista, orientado para o condutor e com uma dieta à base de fibra de carbono exposta. É assim o interior do Valhalla, que é, só por si, uma autêntica experiência. O esquema de suspensão dianteiro, do tipo push-rod, permitiu avançar o habitáculo e alcançar uma posição de condução mais baixa, ainda que a pedaleira esteja mais elevada do que é habitual, para não interferir na aerodinâmica - o fundo do Valhalla também foi esculpido pelo túnel de vento para oferecer a melhor performance possível. © Aston Martin O volante do Valhalla é feito a partir de uma única peça de fibra de carbono. O para-brisas é estreito e muito inclinado (o pilar A está bastante mais avançado do que na maioria dos carros), mas a visibilidade para a frente é boa. Há também um sistema com câmera traseira que substitui o espelho retrovisor. Os bancos são feitos a partir de uma única peça de fibra de carbono, tal como o volante, mas são menos radicais do que parecem: apesar de garantirem um bom encaixe e um excelente suporte, são suficientemente confortáveis para uma jornada mais longa de condução. Quanto ao espaço para a cabeça é surpreendentemente bom, mesmo quando estamos a usar um capacete. © Aston Martin Não se deixe enganar pelo formato agressivo dos bancos: as várias almofadas fazem com que o conforto também esteja garantido. O habitáculo em si é muito simples e transmite a sensação de que estamos num carro de corrida. É muito técnico, algo frio e com alguns comandos partilhados com outros modelos da Aston Martin, nomeadamente o comando para controlar os modos de condução e o seletor da transmissão. Mas a maior questão talvez seja o facto de não existir nenhum espaço para bagagens. E quando digo “nenhum” é mesmo “nenhum”. Não há maneira de guardar uma pequena mochila ou até mesmo um pequeno saco. Um statement tecnológico O perfil esguio do Valhalla não passa despercebido e vira cabeças por onde passa. Mas é só quando começamos a olhar para o esqueleto deste supercarro que percebemos, efetivamente, aquilo que ele traz para cima da mesa . Além de ser o primeiro Aston Martin de produção com motor em posição central traseira, é também o primeiro híbrido plug-in da história da marca britânica, com sede em Gaydon. Mas não se preocupe, está (muito) longe de ser um problema. O grupo propulsor do Valhalla combina um motor V8 biturbo de 4,0 litros (fornecido pela Mercedes-AMG), que produz 828 cv, com três motores elétricos (dois de fluxo axial na frente e um integrado na transmissão), que adicionam 251 cv. © Aston Martin Apesar da potência e do arsenal tecnológico o Valhalla é um carro fácil de domar em estrada. Tudo somado, temos um pacote com 1079 cv de potência máxima e 1100 Nm de binário máximo, que graças a uma caixa automática de dupla embraiagem (em estreia, na marca) nos deixa acelerar dos 0 aos 100 km/h em 2,5s e atingir os 350 km/h de velocidade máxima (limitada eletronicamente). Escusado será dizer que este sistema híbrido também é capaz de animar o Valhalla de forma exclusivamente elétrica, ainda que apenas durante uns escassos 14 km e até aos 140 km/h. São várias camadas tecnológicas e um sistema que, em teoria, é altamente complexo. Mas em estrada, a palavra de ordem é simplicidade. A facilidade com que conseguimos colocar binário e velocidade sobre o asfalto impressiona e a maneira como o motor V8 se deixa domar também. © Aston Martin A asa inferior dianteira funciona em simultâneo com a asa traseira para aumentar a eficácia do Valhalla em pista. É um carro muito fácil de levar e explorar, com inputs muito precisos ao nível da direção e da travagem (usa um sistema brake-by-wire e tem discos de carbono da Brembo com 410 mm de diâmetro à frente e 390 mm atrás) e que nunca chega a ser desconfortável, mesmo nos pisos mais degradados. O equilíbrio é notável. Temos um carro que consegue ser implacável nas estradas mais reviradas sem precisar de recorrer a suspensões com um acerto excessivamente rígido. E isso sente-se muito bem na forma como o carro filtra todas as irregularidades do asfalto. © Aston Martin O Circuito de Navarra, em Espanha, foi o palco escolhido para testar as aptidões dinâmicas deste monstro com mais de 1000 cv. Mas quando queremos subir o ritmo e a exigência e o levamos para um circuito ele transforma-se e diz: “presente!”. No modo Race, a suspensão fica mais firme, a nota sonora sobe, a condução fica mais crua e o motor V8 parece que ganha ainda mais pulmão. Em pista, tudo fica à mostra: não apenas um carro de estrada que pode ir a um track day e fazer boa figura; é uma verdadeira máquina de devorar curvas que foi pensada para ser usada e abusada neste tipo de cenários. Um pedaço de sonho Depois de configurado, o preço do Aston Martin Valhalla ronda os 1,2 milhões de euros e isso é substancialmente mais do que modelos como o Lamborghini Revuelto ou o Ferrari 849 Testarossa, que testámos recentemente em pista: Mas a marca britânica prefere olhar para este modelo como uma máquina diferente, que fica a meio caminho entre estes supercarros e os hipercarros mais exclusivos, como o Ferrari F80 ou o McLaren W1, que custam bem mais do dobro (no caso do Ferrari, mais do triplo). Por isso mesmo, resumir o Valhalla ao preço que está na etiqueta é um exercício redutor. Mas depois de ter passado algum tempo com ele não tenho dúvidas de que é um produto vencedor, que abre a porta da marca britânica a um novo tipo de cliente. © Aston Martin A Aston Martin só vai construir 999 exemplares do Valhalla. É o primeiro passo da marca em direção a uma nova era, a dos supercarros de motor central traseiro. E para estreante, este Aston Martin sente-se como peixe na água num mar onde até aqui só estávamos habituados a encontrar Ferrari, Lamborghini e McLaren. Veredito Aston Martin Valhalla Primeiras impressões 9.5/10 Diogo Teixeira