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GUERRA NO IRÃO PODE TER IMPACTO NO MERCADO DE CARROS DE LUXO

Notícias ao Minuto Online

2026-03-30 21:04:06

O Médio Oriente é um dos mercados mais importantes para as marcas de carros de luxo, graças à disponibilidade financeira dos clientes na região. No entanto, está agora sob ameaça devido à instabilidade criada pela guerra no Irão. A guerra no Irão poderá vir a ter um impacto negativo nas marcas de carros de luxo - que têm no Médio Oriente um mercado de grande importância tendo em conta os clientes com grande disponibilidade financeira. De facto, segundo a Reuters, aquela região representa menos de dez por cento do volume de vendas destes fabricantes, mas apresenta lucros muito acima da média tendo em conta a exclusividade de muitos dos modelos lá comercializados. A clientela tem, em várias ocasiões, pedidos específicos de personalização e de acabamentos no valor de centenas de milhar ou mesmo de mais de um milhão de euros. E há edições limitadas mais luxuosas disponíveis apenas na região do Golfo. A mesma agência escreve que, devido à guerra no Irão encetada pelos ataques de Estados Unidos da América e Israel a partir de 28 de fevereiro, vários fabricantes de luxo fecharam temporariamente os seus concessionários e suspenderam entregas nos países do Médio Oriente - entre eles, a Ferrari e a Maserati (da Stellantis), que já terão retomado atividade. E esta não é a única adversidade dos fabricantes de luxo e do setor automóvel no geral, que têm lidado com desafios como as tarifas, impacto que a invasão russa à Ucrânia teve em 2022 ou a forte concorrência chinesa. Para além disso, a procura global tem vindo a quebrar. Andy Palmer, antigo diretor-executivo da Aston Martin, pintou um quadro preocupante: "Para um fabricante de carros premium e de luxo em particular, é um desastre completo". Na Bentley, não há cortes de produção estimados, mas o diretor financeiro Axel Dewitz admitiu à Reuters que isso pode mudar: "Se a atual crise durar algumas semanas, penso que precisaríamos de rever a situação". Quanto à Rolls-Royce, considera prematuro antecipar eventuais efeitos de longo termo nesta altura. No Grupo de Volkswagen - que tem a Porsche - o diretor-executivo Oliver Blume admitiu que irá haver "seguramente" um impacto nas vendas do Médio Oriente, que representam uma "margem muito elevada". A F1rst Motors, no Dubai (Emirados Árabes Unidos) é conhecida por vender automóveis de luxo de topo e chegou a estar fechada depois da eclosão do conflito. Já reabriu e, apesar de ter conseguido estabilizar as vendas de carros acima dos 1,4 milhões de dólares, regista uma quebra do negócio a rondar 30 por cento: "É óbvio que há menos pessoas a passarem pela porta principal, mas ainda estamos a conseguir manter um bom nível do negócio", contou o diretor Chris Bull à Reuters. Bernardo Matias