HONDA NSX-R É O 911 GT3 RS JAPONÊS QUE NASCEU ANTES DO TEMPO
2026-03-30 21:04:38

Leve, puro, sem eletrónica e sem filtros. O Honda NSX-R continua a ser um dos desportivos mais especiais de sempre. Há carros que são rápidos e há carros que são eficazes. E depois há carros que nascem da obsessão quase desmesurada de um grupo de engenheiros. O Honda NSX-R pertence a essa última categoria. Muito antes da Porsche transformar o 911 GT3 RS numa referência absoluta de precisão em pista, já a Honda andava a fazer exatamente a mesma coisa. Mas fê-lo à japonesa, com menos marketing e mais engenharia. O resultado? Um dos melhores carros desportivos de sempre. E sim, podemos dizê-lo sem rodeios: o Honda NSX-R é o verdadeiro 911 GT3 RS japonês . Menos peso, mais tudo À primeira vista, a receita do NSX-R parece simples, mas não é. Partindo do já brilhante Honda NSX, os engenheiros da Honda decidiram fazer aquilo que hoje é quase um cliché, mas que na altura era tudo menos óbvio: tirar peso. Muito peso. Estamos a falar de remover isolamento acústico, sistema de som, ar condicionado (opcional, porque também há limites para o sofrimento ), e substituir praticamente tudo o que fosse possível por materiais mais leves. © Razão Automóvel Sem luxos e sem truques : o interior do NSX-R é uma ode a quem gosta de conduzir. Até os bancos convencionais foram substituídos por autênticas conchas em fibra de carbono da Recaro, dignas de um carro de competição. O resultado desta dieta rigorosa? Apenas 1230 kg, menos cerca de 120 kg face ao NSX original. A NÃO PERDER: Ayrton Senna. O piloto que ajudou o Honda NSX a curvar Pode não parecer muito, mas muda tudo. Até porque, por debaixo do vidro traseiro, continuava o mesmo V6 atmosférico VTEC de 3,0 litros (mais tarde subiu para os 3,2 litros na versão NA2), com uma sonoridade que merece ser preservada e com 280 cv de potência - o máximo permitido na altura pelo acordo de cavalheiros firmado entre os construtores japoneses. © Razão Automóvel O V6 atmosférico do NSX-R grita até às 8000 rpm e tem um som que merece ser preservado para a eternidade. Eu sei que 280 cv não impressionam à luz dos padrões atuais. Mas o Honda NSX-R nunca foi sobre números. Foi sempre sobre ligação homem/máquina e pureza de condução. Afinado por quem sabe Era (e é) um verdadeiro driver s car, capaz de agradar até o mais exigente dos condutores: Ayrton Senna da Silva. Sabe-se que o piloto brasileiro teve três exemplares do NSX e foi peça chave no seu desenvolvimento. Não há registos de que tenha tido um NSX-R, mas a sua influência fez-se sentir em praticamente tudo. Tanto que Senna marcou presença na apresentação do NSX-R, no Circuito de Suzuka, no Japão, e brindou-nos com um dos melhores vídeos de sempre. Vejam e ouçam: Sem fato de piloto, de mocassins clássicos e com um jogo de pés quase hipnótico, Senna brilhou. Sempre acompanhado por uma banda sonora V6 VTEC que raramente desceu das 6000 rpm. Este casamento não poderia ser mais perfeito. A mesma obsessão quase doentia que todos associavam a Senna também estava presente no Honda NSX-R: um chassis afinado à exaustão, uma direção sem filtros, uma caixa manual que era um tratado de precisão e sem rede de segurança digital. © Razão Automóvel A simplicidade de comandos do NSX-R combina na perfeição com a essência deste modelo. Não havia modos de condução, botões “Sport Plus” ou eletrónica intrusiva para nos amparar. Havia apenas talento. Ou a falta dele. Anti-supercarro O Honda NSX-R nunca tentou ser o mais rápido em linha reta, apesar de ter ficado conhecido como mata-Ferrari . Nunca tentou impressionar com números absurdos ou com um design extravagante. E verdade seja dita: nunca precisou. Tal como o Porsche 911 GT3 RS, o Honda NSX-R é um carro feito para quem coloca a experiência de condução pura e analógica no topo de um pedestal. Para quem é obcecado com detalhes. Para aquele momento em que tudo faz sentido depois de uma sequência de curvas bem feita. © Razão Automóvel Em 2002 a Honda levou o NSX-R ao Nürburgring e arrancou um tempo de 7 minutos e 56 segundos. A diferença é que o fez anos antes de (quase) todos os outros, sem aparato e de forma discreta, à japonesa . E durante anos essa discrição fez com que muitos não lhe dessem o devido valor. Mas o facto de unidades recentes terem sido vendidas em leilão por valores a roçar o milhão de euros prova que a justiça está, finalmente, a ser feita. Já não era sem tempo. Miguel Dias