CONDUZIMOS O BMW SÉRIE 2 COUPÉ. DESPORTIVO Q.B. E SEM EXAGEROS
2026-03-30 21:06:20

Durante alguns dias, conduzimos um dos membros da Série 2 da BMW - o coupé BMW 230i. E aqui contamos-lhe o que vimos neste bávaro de duas portas com um certo caráter desportivo. No mercado há mais de uma década, a Série 2 da BMW está atualmente na sua segunda geração. Um dos seus integrantes é o coupé de duas portas BMW 230i, que pudemos conduzir por uns dias. Durante a nossa experiência, levámos o automóvel a vários percursos diferentes - desde a autoestrada onde mais se consegue sentir o desempenho do seu motor de quatro cilindros, ao trânsito da hora de ponta, passando por cenários urbanos e inter-urbanos em estradas nacionais e regionais. Especificações O BMW 230i tem um motor de quatro cilindros com 1.998 centímetros cúbicos de cilindrada. Alimentado a gasolina, consegue debitar até 245 cv de potência e 400 Nm de binário. Números que permitem a aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,9 segundos e atingir um máximo de 250 km/h. O coupé tem tração traseira e há transmissão automática desportiva Steptronic de oito relações. Não é a motorização mais potente disponível - esse papel cabe ao BMW M240i xDrive Coupé de 392 cv. Condução com personalidade desportiva Posto de condução© Notícias ao Minuto O condutor está ligado ao carro num banco ergonómico, numa posição baixa como se quer de um automóvel como o BMW 230i que não compromete a visibilidade para a estrada. E agarra um grosso volante desportivo M em pele nesta versão ensaiada, de três raios, com revestimento suave ao tato e aderente. Dizemos que, no geral, o BMW 230i transmite uma energia desportiva, mas sem ser demasiado agressivo, proporcionando uma condução envolvente. Encontramos um carro equilibrado. É suficientemente ágil, também previsível, com boa aderência. A caixa de velocidades faz as passagens no momento certo, sem permitir que o motor entre em esforço excessivo. Mesmo no modo Sport, mais desportivo e agressivo, não se sente um esforço demasiado do motor incutido por passagens de caixa fora do momento ideal para a experiência de condução pretendida. Também é possível operar as trocas através das patilhas no volante. A direção revela um feedback à altura de um BMW e uma resposta competente e precisa, passando bem nas mudanças de direção e em caminhos mais sinuosos. E o acelerador responde bem aos "inputs" do condutor, sem se notarem atrasos ou insuficiências para o que lhe é solicitado. Não há como fugir à realidade, até porque é pelo que se pretende: a suspensão desportiva M é algo firme. No entanto, não em demasia para a condução ou para seguir a bordo, absorvendo suficientemente bem as irregularidades do piso. Não é adaptativa, mas nem por isso o comportamento do carro sai prejudicado de modo a ficar desagradável ou imprevisível. Em termos de consumos, a média esteve durante o nosso teste relativamente em linha com o combinado anunciado de 6,8 litros por cada 100 quilómetros. Para um carro com apenas 1.600 kg, e tendo em conta o preço atual dos combustíveis, este pode ser um aspeto a ter em conta. As ajudas à condução são muito competentes, com especial ênfase para o limitador de velocidade e cruise control ativo com função stop & go (associado a um preço extra de 620 euros). Modos de condução: Eco e Sport fazem a diferença Há modos de condução com diferenças notáveis: o mais equilibrado e acionado por defeito sempre que se liga o carro é o Comfort (e não o último selecionado). Mas para se ser mais económico nos consumos pode escolher-se Eco Pro - em que o acelerador responde de forma mais suave e gradual e a suspensão fica mais suave. Os outros modos são o personalizável, Sport e Sport Plus - o mais agressivo e desportivo, com uma forte aceleração e o condutor e ocupantes a sentirem mais a estrada. É alto e bem constituído? Esqueça este BMW Bancos de trás do BMW 230i© Notícias ao Minuto O BMW 230i é um coupé de quatro lugares e duas portas. Não é um carro familiar, nem para pessoas grandes, sobretudo na traseira. O acesso aos bancos de trás faz-se ao reclinar parcialmente os bancos da frente (que reagem ao deslizar automaticamente para a frente para completar o acesso). A parte de trás está longe de ser confortável, tendo muito pouco espaço para pernas e para a cabeça. Então, alguém mais alto e constituído, não terá uma experiência positiva a bordo. É capaz de transportar quatro pessoas? É, e tem motor mais do que suficiente para o peso resultante. É confortável para tal? Não. Surpreendentemente, a bagageira parece visualmente pequena, mas transporta 390 litros. Bem insonorizado, o habitáculo é tranquilo para os ouvidos dos ocupantes, permitindo usufruir do sistema de som Harman/Kardon que equipa o BMW 230i Coupé que experimentámos. Ainda assim, é possível ouvir a sonoridade do motor de quatro cilindros em linha e 2,0 litros - um dos aspetos que pode procurar aquele que comprar este carro. O amplo ecrã central é prático, servindo de base para o sistema de infoentretenimento intuitivo. É possível ligar telemóveis sem fios, reproduzindo a navegação ou multimédia. O controlo por voz é competente. O painel de instrumentos é rico em informações selecionáveis - tanto pode ir do mais básico como a multimédia às forças G, passando pela bússola ou pela navegação. Não há velocímetro analógico nem no seu formato tradicional circular, mas a informação gráfica e por números da velocidade deixa o condutor bem informado. Mas fica a faltar essa sensação clássica. E também não há conta-rotações. A construção e a qualidade do interior notam-se. Uma pele suave branca Vernasca Oyster com costuras contrastantes em preto reveste os bancos. No tejadilho, encontra-se forro antracite BMW M, destacando-se ainda os cintos de segurança M. Há, também, detalhes que remetem para a fibra de carbono. Na consola central, abundam controlos táteis - botão de ligar/desligar, seletor do modo de marcha (ponto morto, D/S e marcha-atrás), travão de estacionamento, Auto Hold, modos de condução, câmaras e ajuda ao estacionamento e controlos do sistema de infoentretenimento incluindo um grande rotativo - enfim, os controlos essenciais estão à mão do condutor e são físicos. As portas estão bem desenhadas, com controlos para vidros, puxadores de desenho convencional e, no caso da do condutor, há ainda botões para ajustar a posição pré-definida do banco. E ainda há que contar com os botões físicos no volante de três raios: patilhas para operar as trocas de velocidade, hastes habituais para luzes, piscas ou limpa para-brisas, controlos de multimédia e controlos de ajudas à condução. O sistema de climatização tem alguns controlos físicos básicos, mas é sobretudo acessível através do ecrã tátil central - o que não se revela muito prático e distrai quem está a conduzir. Logo acima da consola, há botões físicos para os quatro piscas e multimédia, tal como para a climatização. O apoio lombar ajustável é um recurso assinalável para os bancos dianteiros, assim como o ajuste elétrico dos mesmos. Encontra-se, também, um tejadilho de abrir e vidros com proteção solar, tal como carregador sem fios e tomadas USB-C. Nem todos estes equipamentos são de série, fazendo parte de pacotes diferentes como o Pack Premium ou sendo extras individuais. Design com alma desportiva, sem exageros BMW 230i© Notícias ao Minuto A unidade ensaiada do BMW 230i surge na cor Branco Alpine, com jantes de 19 polegadas de raios em formato Y e bicolores - que conferem um aspeto mais desportivo ao automóvel. Revelam travões desportivos M em vermelho, que conferem um aspeto mais desportivo. De visual compacto, mas com um longo capot esculpido, tem uma grelha dianteira escura típica da BMW, no formato de rins, e nos para-choques há grandes entradas de escuras que conferem um aspeto agressivo à máquina. A silhueta é a de um coupé, com perfil baixo e alongado e linha de tejadilho suave. Atrás, encontramos um difusor preto ao centro e duas saídas de escape a ladeá-lo, envoltas pelo para-choques. Os faróis são tradicionais, sem grandes faixas ou protuberâncias que os prolonguem em largura. A tampa do porta-bagagens é curta. Falámos num visual compacto, e este impressiona quando vemos as dimensões: não parece ter 4.537 milímetros (4,5 metros) de comprimento. A largura fica-se pelos 1.838 milímetros (ou 2.068 milímetros se contarmos com os espelhos retrovisores exteriores) e também é um carro baixo (1.390 milímetros). Apesar do comprimento, a distância entre eixos é relativamente curta (2.741 milímetros). O peso, esse, é de 1.600 kg, num carro com capacidade de carga útil de 475 kg e peso máximo rebocável de 1.600 kg. No essencial, em termos visuais, pareceu-nos um carro que equilibra a sobriedade com uma energia desportiva no que ao desenho diz respeito. Então, e quanto custa? Atualmente, o BMW 230i Coupé está à venda em Portugal a partir dos 62.159 euros, mas a Série 2 começa nos 50.450 euros com o 218i Coupé de 156 cv. No topo de gama, está o M240i xDrive Coupé com 392 cv, a partir dos 75.600 euros. Conforme nos chegou às mãos, a unidade ensaiada foi-nos descrita com um preço de 76.465,88 euros, com quase 13 mil euros em equipamento opcional incluídos. ESPECIFICAÇÕES TECNICAS BMW 230i Coupé (Série 2) MOTOR Posição Central Dianteira, Longitudinal Arquitetura 4 cilindros em linha Distribuição 2 a.c.c./16 válvulas Alimentação Inj. indireta, Turbocompressor, Intercooler Capacidade 1.998 cm3 Potência 245 cv Binário 400 Nm TRANSMISSÃO Tração Traseira Caixa de velocidades Caixa automática Steptronic de 8 vel. CHASSIS Suspensão FR: Independente duplo braço; TR: Independente multi-link Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos ventilados Direção Assistência eletrónica DIMENSÕES E CAPACIDADES Comp. x Larg. x Alt. 4.537 mm x 2.068 mm x 1.390 mm Distância entre eixos 2.741 mm Capacidade da mala 390 l Capacidade do depósito 52 l Rodas FR: 225/40 R19; TR: 225/35 R19 Peso 1.600 kg PRESTAÇÕES E CONSUMOS Velocidade máxima 250 km/h 0-100 km/h 5,9s Consumo misto 6,8 l/100 km Emissões CO2 155 g/km 7,5 0-10 ANÁLISE Não sendo um coupé dos mais desportivos que se podem encontrar, o BMW 230i é um compromisso entre um carro utilizável no dia-a-dia, condução envolvente, estilo premium, desempenho, conforto e sensações - apresentando um pendor relativamente desportivo sem ser agressivo. Não é um carro para grandes famílias nem para grandes deslocações, uma vez que o espaço é relativamente limitado - especialmente nos bancos de trás. Também não é o carro mais poupado do mundo, com consumos anunciados de 6,8 litros por cada 100 quilómetros. Dinâmica de condução Abundância de controlos físicos Design exterior e acabamentos interiores Consumos Pouco espaço atrás Falta de controlos físicos para a operação mais "detalhada" da climatização Bernardo Matias