DADOS QUE GERAM SOLUÇÕES: E-REDES DESAFIA ESTUDANTES PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
2026-03-31 21:09:06

A 7 de Abril, os melhores projectos de mestrado nesta área vão ser reconhecidos na entrega dos prémios Open Data Academy Challenge A transição energética beneficia da disponibilização de dados sólidos. E é a partir deles que estudantes de mestrado de todo o país voltam a ser desafiados pela E-REDES a olhar para o sistema eléctrico e a criar soluções para desafios actuais, como a mobilidade eléctrica, o autoconsumo ou comunidades de energia renovável. A segunda edição do Open Data Academy Challenge, cujos prémios são entregues na tarde de 7 de Abril, na Fundação Portuguesa das Comunicações, conta com cinco projectos finalistas , de um total de 10 candidaturas válidas, provenientes de seis instituições de ensino superior portuguesas. As propostas deste ano revelaram novas abordagens para temas relacionados com a transição energética, como uso de modelos de linguagem (LLM), machine learning, arquitecturas de business intelligence ou introdução de análises econométricas mais sofisticadas. Em comum, todas recorreram ao portal Open Data da E-REDES, que tem informação actual e rigorosa sobre consumo energético, infra-estrutura eléctrica, energias renováveis ou mobilidade eléctrica com base nos dados do principal operador na distribuição de energia eléctrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão. Os três vencedores (ver finalistas na caixa) receberão um prémio monetário, entre 2 e os 6 mil euros, como incentivo “para estimular a investigação aplicada a desafios reais do território e da transição energética”, descreve Luís Tiago Ferreira, responsável pelo Open Data da E-REDES e que, na cerimónia de dia 7, apresentará as perspectivas de desenvolvimento deste portal. Está também confirmada a participação, como keynote speaker, de Franck Carassus, CEO North America e co-fundador da Huwise. Contributos para os municípios O Open Data Academy Challenge nasce de um objectivo mais amplo: o de transformar o portal Open Data da E-REDES numa ferramenta viva, capaz de gerar conhecimento útil para a sociedade, contribuindo para a transição energética através da interpretação de dados e da apresentação de soluções concretas. A ligação com a academia tem-se concretizado não só através do Open Data Academy, mas também pela realização de roadshows, conferências e actividades práticas, que têm promovido a literacia energética de milhares de estudantes e incentivando a investigação aplicada. A E-REDES tem também envolvido as autarquias e as agências de energia nos desafios apresentados aos estudantes , “com benefícios para todos, porque os alunos são confrontados com problemas reais do território e as autarquias e estas entidades têm acesso a essas competências analíticas e orientadas”, diz Luís Tiago Ferreira. O alcance do portal vai muito além da academia. Empresas, investigadores e municípios utilizam os dados para diferentes fins, do planeamento de redes à definição de estratégias energéticas locais. Foto Luís Tiago Ferreira, responsável pelo Open Data da E-REDES: o prémio é um incentivo “para estimular a investigação aplicada a desafios reais do território e da transição energética” E a utilização do portal também tem crescido: em 2025, o número de downloads multiplicou-se por oito. “Temos, por exemplo, empresas de mobilidade eléctrica a usar os dados para tornar as suas operações e planeamento mais eficientes, ou autarquias a integrar dados em projectos europeus e planeamento energético”, refere o responsável pelo Open Data. A própria base de informação disponível continua a expandir-se. Só no último ano foram publicados sete novos conjuntos de dados, incluindo, por exemplo, sobre o carregamento de veículos eléctricos em espaços públicos, com granularidade horária e por freguesia. “Procuramos sempre publicar novos dados e visualizações em resposta às necessidades encontradas”, afirma Luís Tiago Ferreira. Quem é o jurí? É composto por Ana Pinto Martinho (docente do ISCTE e investigadora no OberCom), Carlos Santos (presidente da RNAE - Associação das Agências de Energia e Ambiente), João Martins de Carvalho (vogal do Conselho Executivo da E-REDES), José Cano Rodríguez (professor na Universidade de Oviedo) e Manuela Fonseca (directora de Serviços de Planeamento Energético e Estatístico na DGEG - Direção-Geral de Energia e Geologia). Em 2026, diz o responsável, o Open Data da E-REDES vai continuar a acrescentar e melhorar os dados existentes, nomeadamente com a finalidade de contribuir para a transição energética dos municípios: “Vamos adicionar informação sobre a energia renovável produzida em cada concelho, para permitir apurar balanços energéticos e a penetração renovável. Complementarmente, estamos a trabalhar numa metodologia para estimar a produção autoconsumida, para poder dar melhor visibilidade a essa realidade crescente , quanto do crescimento do consumo eléctrico em Portugal estará escondido actualmente, sendo suprido por produção local?” Esta é a ambição da E-REDES: a partir dos milhares de dados gerados diariamente, ajudar a construir decisões mais informadas na academia, nas empresas e, cada vez mais, ao nível dos municípios. Como resume Tiago Luís Ferreira, esta é uma ferramenta que permite “abordagens inovadoras e aumento de eficiência”. Os cinco finalistas Ana Sofia Rodrigues (ISCTE): Determinantes da Implementação de UPAC em Portugal Catarina Silva (IST): Drivers of Self-Consumption and Electric Mobility in Portuguese Municipalities Henrique Rica (Universidade de Évora): Desenvolvimento de um Modelo de Simulação de Gestão Técnica e Económica de Comunidades de Energia Renovável Miguel Valadares (ISCTE): Exploratory Data Analysis of Self-Consumption Units Rafael Gonçalves (Universidade de Aveiro): Machine Learning as a Service for Renewable Energy Communities Luís Tiago Ferreira, responsável pelo Open Data da E-REDES: o prémio é um incentivo “para estimular a investigação aplicada a desafios reais do território e da transição energética”