INVESTIGAÇÃO - PORTUGAL LANÇA SEIS SATÉLITES NO ESPAÇO
2026-03-31 21:09:07

Há mais seis satélites portugueses no espaço e é “apenas o início” "Camões”, "Agustina”, “Pessoa” e “Saramago” vão criar um serviço de navegação marítima. Ministro da Economia antecipa novos lançamentos abilio.ribeiro@jn.pt INOVAçáO E um momento histórico. Foram ontem lançados seis satélites portugueses, com sucesso, para o espaço, a partir dos Estados Unidos. O acontecimento foi transmitido em direto õno Pavilhão do conhecimento, em Lisboa, e acompanhado com entusiasmo por dezenas de pessoas. O ministro da Economia considera que é “o dia mais marcante” para a presença de Portugal õno espaço, mas diz que é “apenas õno início”. “Hoje é o dia mais marcante, mas é apenas o início, porque atrás destes satélites irão outros ainda este ano e vamos ter o nos- so próprio lançador nos Açores”, sublinhou Manuel Castro Almeida, que acompanhou o momento, em Lisboa. Os seis satélites foram lançados na base de Vandenberg, na Califórnia, Estados Unidos, õno âmbito da Agenda New Space Portugal, a bordo de um fogue-tão Falcon 9 da SpaceX. Entre eles, quatro = “Camões”, "Agustina”, “Pessoa” e "Saramago”, nomeados em homenagem aos escritores portugueses , fazem parte da Constelação Lusíada, que vai permitir criar um serviço de navegação marítima. Será uma espécie de “Waze dos oceanos”, adiantou Ivo Vieira, diretor-executivo da LusoSpace, responsável pelo projeto. “Vai permitir que qualquer navio õno meio do mar possa ter comunicações a um preço muito acessívele, assim, conseguimos ter uma rede de internet marítima e criar o Waze dos oceanos, para podermos partilhar os dados que há no mar, como alertas de piratas, meteorologia, pessoas que estão a precisar de apoio, icebergues à deriva, derrames de petróleo e muito mais”, acrescentou. o projeto representa um investimento de 15 milhões de euros, dos quais 10 milhões financiados pelos fundos europeus do PRR. Os primeiros dados deverão estar disponíveis após três meses, mas o serviço só estará “totalmente operacional” em 2027, quando estiverem em órbita os 12 satélites que compõem a constelação. A bordo do Falcon 9 seguiram também outros dois satélites que fazem parte da Constelação do Atlântico: um satélite SAR (Synthetio Aperture Radar, Radar de Abertura Sintética em português) da Força Aérea, e um satélite ótico (VHRLight NexGen) da responsabilidade do CEiiA e da N3O. Segundo Emir Sirage, diretor da New Space Portugal, os dados recolhidos através da Constelação do Atlântico poderão ser usados para efeitos de defesa e segurança, mas terão também um uso civil em áreas como resposta a catástrofes, agricultura de precisão, monitorização ambiental e mapeamento de carbono. CONViVIO COM O ESPAçO Castro Almeida lembrou o tempo em que só alguns países tinham ousadia de chegar ao espaço. “Eram Só os grandes países, muito ricos, e Portugal punha-se totalmente fora dessa situação. Hoje, Portugal é um parceiro ativo e quer estar na primeira linha do convívio com o espaço”, sublinhou. O ministro destacou ainda a capacidade de duplo uso, em particular da Constelação do Atlântico, defendendo que deve ser essa a aposta da Europa. “Portugal está a ter uma parte determinante, ativa, liderante mesmo, nesse processo de reforço das capacidades de uso militar da Europa”, acrescentou, falando numa “era nova na ligação de Portugal com espaço”. .o COM LUSA vão criar sistema de navegação marítima P. 22 Satélites foram lançados às I2.02 horas, na base de Vandenberg, na Califórnia DEFESA Investimento “não é para comprar armamento?, diz ministro Sobre se o aumento da despesa com defesa passa pelo investimento nessa ligação de Portugal ao espaço, o ministro da Economia disse que o investimento no setor militar “não é para comprar armamento”. “Queremos participar no reforço das capacidades militares da Europa e isto é uma forma de o fazer. As despesas que estamos a fazer na chegada ao espaço vão contar no conjunto das despesas militares”, explicou. Abílio T. Ribeiro