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CONSTRUTORAS ESPANHOLAS PREPARAM-SE PARA ATACAR O SEGUNDO TROÇO DA ALTA VELOCIDADE PORTO-LISBOA

Construir Online

2026-04-01 17:50:08

A dois meses do fim do prazo para apresentação de propostas, os jornais espanhóis falam do interesse das construtoras no projecto de Alta Velocidade Porto-Lisboa. Assim, Acciona, a FCC e a Ferrovial deverão renovar a aliança que formaram em 2024, enquanto a Sacyr poderá juntar-se às portuguesas DST e ACA As grandes empresas de construção espanholas regressam com força ao projecto da Linha de Alta Velocidade (LAV) entre o Porto e Lisboa. Após o chumbo da única proposta apresentada no ano passado, o Governo português relançou o concurso para o troço Oiã-Soure com condições financeiras mais atractivas, o que despertou novamente o interesse dos grupos do país vizinho. Segundo o jornal espanhol “El Economista”, a Acciona, a FCC e a Ferrovial estão a renovar a aliança que formaram em 2024 para concorrer a este projecto, enquanto a Sacyr, que controla em Portugal a Somague e a Neopul, volta a juntar-se às portuguesas DST (Domingos da Silva Teixeira) e ACA (Alberto Couto Alves) Engenharia & Construção. O diário económico espanhol titula a notícia de forma directa: “El AVE portugués seduce a las constructoras españolas con un contrato mejorado que supera los 7.000 millones”. O troço em causa, com cerca de 61 km de nova linha de alta velocidade, inclui a adaptação da estação de Coimbra, a quadruplicação da Linha Norte entre Taveiro e a entrada sul de Coimbra, uma nova subestação de tracção eléctrica e as ligações à linha existente. O contrato é uma parceria público-privada (PPP) que abrange concepção, construção, financiamento, operação e manutenção durante 30 anos (dos quais 5,5 anos de desenvolvimento). A Infraestruturas de Portugal (IP) fixou o dia 25 de Maio de 2026 como prazo limite para a apresentação de propostas. Caso se confirmem, os dois consórcios espanhóis vão enfrentar o consórcio liderado pela Mota-Engil, que no concurso anterior (2024/2025) foi o único a apresentar proposta, mas viu-a rejeitada por não cumprir as especificações técnicas. O valor máximo da concessão está fixado em 1.603,36 milhões de euros (preços de Dezembro de 2023). Ao longo dos 30 anos, os pagamentos totais estimados à concessionária podem atingir os 4.765 milhões de euros, aos quais se somam cerca de 600 milhões de euros em fundos públicos para projectos, expropriações e outras despesas. No total, o projecto ultrapassa os 7 mil milhões de euros. A melhoria das condições contratuais foi decisiva para aumentar o apetite das construtoras espanholas, que nos concursos iniciais consideravam os valores financeiros insuficientes. Recorde-se que o consórcio LusoLAV, liderado pela Mota-Engil (com Teixeira Duarte, Casais, Conduril, Gabriel Couto e Alves Ribeiro), já ganhou o primeiro troço entre Porto-Campanhã e Oiã, tendo o contrato sido assinado em 2025. O Governo planeia lançar em breve o concurso para o troço Soure-Carregado, ficando a ligação Carregado-Lisboa para uma outra fase. Quando toda a linha estiver concluída, a viagem entre o Porto e Lisboa deverá reduzir-se para cerca de 1 hora e 15 minutos.