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SABOR TENDÊNCIA - ALIMENTOS RICOS

Saber Viver

2026-04-02 21:09:11

Não. não Se lrcitce de u1n artigo sobre nulrição. Vamos, isso sin. falar de status @ daquele 1ã0 dlesejcdo sentimento de pertençor al 0Im determinado grupo. Segundo muitos, o que se come e onde se come é, sem dúvida, o grande novo sinal exterior de riqueza. Foodies VS. Photo-First Ambas as tribos influenciam profundamente a forma como os espaços são pensados, comunicados e concebidos. "Penso que há certos aspetos transversais à maioria dos restaurantes a Fullest não é exceção. Quando se cria um conceito de restauração, pensa-se sempre no seu potencial instagramável. Não é superficialidade, é estratégia. é um lugar-comum, mas que importa repetir: a imagem de um restaurante é parte do produto final. ? isso engloba uma decoração com elementos marcantes (seja qual for o estilo), pratos visualmente apelativos, cores e texturas que fotografem bem, uma iluminação que favoreça as fotos (muito importante!) e inclusão de detalhes de marca (logótipo na louça, etc.) para serem fotografados e aparecer nas redes", afirma Gonçalo Fernandes, CEO do grupo de restauração Fullest. "A Fullest trabalha marcas que vivem muito da sua identidade visual, da experiência de espaço e da consistência estética. Isso não significa que tudo é feito para o Instagram, mas, sim, que a imagem é parte central da proposta de valor, que o design é pensado para ser memorável e que os espaços têm personalidade e presença. Tudo isso torna-os, de modo inevitável, altamente partilháveis. Os restaurantes de hoje já não competem só pela comida, competem pela experiência total". Experiência que é, em si, um símbolo de status nesta era economicamente frágil mas digitalmente musculada. Quando a economia global abranda, o luxo expressa-se de outras formas. é verdade que vão sempre existir os supermilionários, totalmente imunes a oscilações financeiras ou recessões. Mas, para quem o luxo é uma opção de vida, embora não ao nível de possuir uma ilha ou um jato privado, o acréscimo (muitas vezes para o dobro) no preço dos mais habituais sinais exteriores de riqueza, tais como carros topo de gama ou roupa e acessórios de marca, leva a repensar algumas escolhas. E, se as experiências de luxo também têm como função serem partilhadas (será exibidas uma palavra demasiado forte?) nas redes sociais, há quem tenha mudado o foco e opte por investir em viagens ou bons restaurantes fotos em locais aspiracionais funcionam sempre muito bem! , em vez de trocar de Porsche todos os anos. Os números indicam que o consumo de bens de luxo está, de facto a diminuir. O que não quer dizer que as pessoas não continuem a precisar de qualidade, beleza e prazer na sua vida; procuram-nos é em decisões mais simples, como no que comem. Num mundo política e economicamente instável, a comida surge como um dos luxos mais aceitáveis, algo a que não se aponta tanto o dedo. Quando o planeta abana financeiramente, ir a um restaurante da moda não é visto como tão excessivo ou recriminatório como comprar mais uma it bag ou um relógio de marca. "Para quem leva a comida asério, é duro ver o foco desviar-se. Chefs, cozinheiros, gestores e equipas de sala dedicam anos a aperfeiçoar técnica, sabor, consistência. Quando percebem que um prato viral vale mais do que um prato perfeito, que a decoração pesa mais do que uma execução exemplar e que um influencer pode trazer mais clientes do que uma crítica gastronómica, é natural que sintam um certo desconforto. A restauração é um oficio como outro qualquer e os oficios valorizam profundidade, não superficialidade. Mas, se analisarmos bem, a experiência de uma ida a um restaurante sempre foi mais do que apenas comida. Mesmo antes das redes sociais, as pessoas escolhiam restaurantes pelo ambiente, serviço, localização, reputação e (boa) frequência. Atualmente, isso só está mais visivel e amplificado. A comida continua a ser o coração do negócio, mas já não é o único órgão vital. Quem trabalha na área sente que está a competir não só com outros restaurantes, mas com o feed dos clientes", diz Gonçalo Fernandes. E qual é o lado positivo deste novo status que se adquire via gastronomia? "A estética e a instagramabilidade têm obviamente vantagens: trazem clientes, dão notoriedade, permitem que projetos pequenos e independentes ganhem visibilidade, democratizam o acesso à gastronomia e ajudam a financiar o que realmente importa: a cozinha. Acredito que o essencial continua a ser a comida, mas, além dela, um restaurante precisa de outros fatores para se tornar inesquecivel: boa estética, boa narrativa, boa experiência, boa comunicação. A comida vai ser sempre o fundamento, mas aexperiência (o que as pessoas levam consigo) é o que faz o negócio sobreviver", remata Gonçalo Fernandes. O efeito batom No fundo, é o efeito batom. Em 2001, o CEO do império de cosmética Estée Lauder, Leonard Lauder, notou um aspeto interessante nos dados relativos ao abrandamento do consumo provocado pelo 11 de setembro: no meio de uma diminuição generalizada das vendas de todos os produtos da marca, só um subia: os batons. Ou seja, as grandes compras estavam a ser substituídas por uma pequena, mas possível de adquirir mesmo quando as carteiras se esvaziam (e que faz toda a diferença no look de uma mulher). O luxo pode diminuir de tamanho, mas não desaparece. As pessoas continuam a precisar de se alimentar emocionalmente; fazem-no é de uma forma mais sensata. E é precisamente aqui que entra a necessidade de frequentar (e fotografar) restaurantes de topo. Uma carteira de 5000 euros pode estar fora de questão, mas um macaron de foie gras e trufa não. Gonçalo Fernandes, CEO do grupo de restauração Fullest concorda: "Hoje em dia, luxo não são só objetos, são experiências. Um jantar num restaurante trendy comunica acesso, conhecimento cultural, poder económico, pertença a um certo grupo; é, de facto, o mesmo mecanismo psicológico de uma carteira de marca, só que à mesa." Uma tendência que se tem vindo a acentuar nos últimos anos. "Sim, por várias razões. Primeiro, as redes sociais transformaram os restaurantes em cenários; depois, no pós-pandemia, houve uma explosão do chamado revenge spending (gastar para compensar o que não se viveu durante o confinamento). Além disso, a gastronomia passou a fazer parte da cultura pop , muitos chefs são celebridades e até influencers! Outro motivo para isso é o facto de a classe média alta ter começado a procurar experiências premium como forma de afirmação. Por fim, não há como negar que o marketing dos restaurantes está muito mais orientado para a exclusividade e storytelling. Por isso, sim, hoje ir ao restaurante certo é quase como usar aquele relógio: diz muito sobre a pessoa." A lógica FOMO Na era do "se não postar, não aconteceu", a ida regular a locais aspiracionais , com a publicação dos respetivos stories, reels e afins para o comprovar , é uma forma agradável de conseguir conteúdos apetecíveis (e passíveis de obter um número simpático de visualizações e likes). "A lógica do FOMO (fear of missing out) amplifica, de facto, a corrida aos sítios trendy. As redes sociais criam uma sensação de que todos já foram menos eu ou que, se não for agora, entretanto, já passou de moda. Isto empurra as pessoas para os mesmos lugares, ao mesmo tempo, com a mesma intenção: mostrar que pertencem ao grupo que está in ", sublinha Gonçalo Fernandes. Muitas vezes nem é o menu a principal razão pela qual se escolhe um restaurante quem nunca optou por determinado local porque o espaço é bonito ou é frequentado por x celebridade que atire a primeira pedra! O CEO concorda: "Hoje, quem frequenta um bom restaurante já não procura apenas boa comida. Vai com um conjunto de expectativas mais sofisticado, moldado pelas redes sociais e por uma muito mais elevada literacia gastronómica (fruto também de um vasto currículo de experiências premium). os clientes atuais procuram qualidade (se vão gastar dinheiro, tem de ser bom!) mas também emoção, história, estética e conforto. Um bom restaurante já não é apenas um lugar onde se come bem; é um produto cultural completo", conclui. Ocontrassenso dos tempos atuais: vamos pela comida, mas a comidanão êfundamental? Ir umrestaurante da moda não é visto como tão exCessio ou recriminatório como comprar mais uma it bag ouumrelógio de marca "A lógica do fear of missing out amplifica a corrida aos sítios trendy E as redes sociais criam uma sensação de todos já foram menos eu” Sandra Gato