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CONSTRUTORES TRAVAM APOSTA NOS ELÉTRICOS

Vida Económica

2026-04-02 21:09:12

Os principais construtores automóveis mundiais estão a rever as suas estratégias para os veículos elétricos, depois de registarem mais de 70 mil milhões de dólares (cerca de 60,7 mil milhões de euros) em imparidades associadas a investimentos nesta tecnologia, no ano passado. O recuo refete um contexto de procura mais fraca do que o esperado, sobretudo nos Estados Unidos, e uma forte guerra de preços na China, que tem pressionado as margens do setor. A mudança de estratégia tem particular relevância para o mercado automóvel europeu, onde vários fabricantes estavam a acelerar a transição para a mobilidade elétrica para cumprir metas ambientais e regulatórias. Agora, vários grupos optam por uma abordagem mais gradual, reforçando a aposta em modelos híbridos ou mantendo motores de combustão em determinados segmentos. Entre os casos mais recentes está o da japonesa Honda, que anunciou custos de cerca de 2,5 bilioes de ienes (13,6 mil milhões de euros) nos próximos anos para reestruturar a sua atividade ligada aos veículos elétricos. A empresa indicou também que poderá registar um prejuízo até 570 mil miihões de ienes no exercício fiscal que termina em março, revertendo previsóes anteriores de lucro. A tendência estende-se a vários grandes fabricantes. A Stellantis anunciou imparidades significativas associadas à reorganização da sua gama e à adaptação às novas regras de emissões, enquanto a Ford registou uma desvalorização de 19,5 mil milhões de dólares e cancelou vários projetos de elétricos para reforçar modelos híbridos e a combustáo. Também a General Motors avançou com uma imparidade de cerca de 6 mil milhões de dólares, relacionada com o abandono de alguns investimentos em elétricos. Na Europa, o grupo Volkswagen reportou perdas de cerca de 5,1 mil milhões de euros ligadas à revisão da estratégia da Porsche, que decidiu adiar alguns lançamentos totalmente élétricos. Apesar deste recuo tático, os fabricantes continuam a considerar a eletrificação como uma tendência inevitável a longo prazo. No entanto, a evolução do mercado, a pressão dos concorrentes chineses e a neces-. sidade de rentabilidade estão a levar o setor a ajustar o ritmo da transição um movimento que poderá marcar a próxima fase da indústria automóvel europeia: