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GUIMARÃES ANUNCIA FÁBRICA DE SATÉLITES NA FÁBRICA DO ALTO, EM PEVIDÉM

Mais Guimarães

2026-04-04 21:09:15

O município de Guimarães vai acolher a primeira unidade de produção de satélites ópticos em Portugal, num investimento considerado estratégico para o futuro económico e tecnológico do concelho. A instalação será feita na Fábrica do Alto, em Pevidém, e ficará a cargo do CEiiA Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, entidade de referência nacional na área da engenharia e inovação. A decisão foi aprovada em reunião do Executivo Municipal, nesta segunda-feira, no âmbito de uma nova cedência do edifício ao CEiiA, substituindo o contrato anteriormente estabelecido. Para o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, este é um “momento decisivo para a afirmação de Guimarães num setor emergente e altamente competitivo. ê uma grande oportunidade para Guimarães se afirmar na economia do espaço”, afirmou o autarca, sublinhando o alcance nacional e internacional do projeto. A nova unidade integra-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento do setor aeroespacial no concelho, alicerçada na colaboração entre o município, a Universidade do Minho e o CEiiA, no âmbito do Guimarães Space Hub. Este modelo procura potenciar a transferência de conhecimento, a investigação aplicada e a criação de emprego qualificado, consolidando um ecossistema de inovação com impacto duradouro. Recorde-se que as antigas instalações da Fábrica do Arquinho, na cidade, vão acolher a Escola de Engenharia Aeroespacial e também o projeto Fibrenamics. Ricardo Araújo destacou que o investimento na Fábrica do Alto, em Pevidém, representa um passo determinante” na concretização de uma visão assente em três pilares fundamentais: formação avançada, investigação e industrialização. “Em poucos meses fomos capazes de identificar esta oportunidade, mobilizar parceiros e criar as condições para a sua concretização”, referiu, acrescentando que o projeto surge já no atual mandato, reforçando a prioridade dada ao Desenvolvimento Económico. O autarca defendeu ainda que esta iniciativa posiciona Guimarães como um potencial polo ibérico na área da inovação avançada, com capacidade para atrair novas empresas e investimentos ligados à economia do espaço. “Mais importante do que a requalificação da fábrica é aquilo a que se destina. Estamos a falar de uma indústria de ponta, com enorme potencial no presente e no futuro”, afirmou. O projeto está ligado ao desenvolvimento da “Constelação do Atlântico”, e enquadra-se num contexto europeu de reforço da autonomia no domínio espacial, bem como no crescimento deste setor. A unidade de produção de satélites ópticos terá aplicações em áreas como a defesa, a monitorização ambiental, a gestão de catástrofes e o planeamento urbano, inserindo-se em cadeias de valor internacionais Para além do impacto direto em Guimarães e na freguesia de Pevidém, O investimento é visto como estruturante para o país, contribuindo para a afirmação de Portugal no setor aeroespacial. A instalação da unidade poderá também impulsionar a criação de uma zona de acolhimento empresarial dedicada à economia do espaço, reforçando a centralidade industrial do concelho. O autarca destacou ainda que, ao contrário da solução anterior, esta aposta não implicará investimento direto do município na reabilitação do edifício, ficando essa responsabilidade a cargo do CEiiA. “Era um investimento na ordem dos 10 milhões de euros em que havia apenas um um milhão de euros de fundos comunitários. Neste momento, a Câmara não vai gastar dinheiro e encontrou parceiros para assumir a reabilitação do imóvel”, vincou. A cedência do espaço será formalizada através de um contrato de comodato com duração de 25 anos, permitindo criar condições de estabilidade para o desenvolvimento do projeto e para a fixação de investimento a longo prazo. Durante a discussão da proposta, o vereador do Partido Socialista, Ricardo Costa, manifestou concordância com a instalação da fábrica de satélites, considerando que o projeto se enquadra na necessidade de posicionar Guimarães na nova economia. “o que hoje nos foi apresentado parece-nos bem. Concordamos com esta nova economia que temos de trazer para Guimarães”, afirmou, destacando a ligação ao desenvolvimento do setor aeroespacial no concelho, nomeadamente com a aposta na formação nesta área. Ainda assim, o vereador socialista alertou para a importância de não abandonar projetos anteriormente previstos para a Fábrica do Alto, como a Academia Digital e a chamada “Fábrica do Futuro”. A única coisa que propusemos ao senhor presidente foi que não deixe cair essa ideia”, referiu. Ricardo Costa defendeu que o avanço para a economia do espaço deve ser acompanhado por uma estratégia mais ampla de valorização do tecido empresarial local, propondo a criação de um ecossistema de inovação industrial, espacial e da defesa na zona de Pevidém. Segundo explicou, este modelo permitiria aproveitar infraestruturas existentes e integrar entidades científicas e tecnológicas, promovendo a ligação entre conhecimento e indústria. O autarca sublinhou ainda que setores tradicionais do concelho, como o têxtil, o calçado ou a metalomecânica, podem desempenhar um papel relevante nesta nova economia, incluindo na área da defesa, desde que devidamente preparados e integrados em cadeias de valor internacionais. “Temos de preparar as nossas empresas para esta transformação, para a economia do espaço e da defesa”, afirmou, defendendo também a necessidade de apoiar a qualificação e certificação das empresas locais para acesso a programas europeus. O vereador destacou ainda que esta transição representa uma oportunidade para gerar emprego mais qualificado e melhor remunerado, desde que exista uma estratégia que articule empresas, universidades e centros de investigação. “Temos de potenciar o que já existe e reposicionar o nosso tecido empresarial nesta nova economia”, concluiu. Ricardo Costa defende ecossistema industria e alerta para não abandonar a “Fábrica do Futuro”