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TWINGO: DE CARRO "COOL" DOS ANOS 90 A UM DOS ELÉTRICOS MAIS ACESSÍVEIS DO MERCADO

Jornal de Notícias Online

2026-04-05 21:08:56

Novo Twingo quer vingar nos citadinos Interior da versão Tecnho Bancos rebatíveis aumentam capacidade para bagagens Interior do novo Twingo Interior do novo Twingo Fotos: Renault Renault Renault Renault Renault A Renault prepara o regresso de um dos seus modelos mais emblemáticos com uma proposta clara e ambiciosa: democratizar o acesso à mobilidade elétrica e devolver relevância ao segmento dos citadinos. O novo Twingo E-Tech elétrico foi apresentado à imprensa europeia em Ibiza e chega a Portugal em maio com um preço de entrada abaixo dos 20 mil euros, posicionando-se como uma das soluções mais acessíveis entre os veículos 100% elétricos - e assumindo-se como alternativa direta a modelos a combustão. Num cenário em que vários construtores abandonaram o segmento A, pressionados pelos custos de desenvolvimento, normas ambientais e margens reduzidas, a marca francesa acredita que ainda existe espaço - e procura - para este tipo de proposta. "O segmento tem vindo a desaparecer, mas não por falta de clientes, muito pela ausência de oferta", destacou Hugo Barbosa, diretor de comunicação da Renault Portugal, defendendo que o Twingo surge precisamente para preencher essa lacuna e responder a uma nova vaga de concorrência, incluindo marcas asiáticas. Compacto por fora e inteligente por dentro Fiel ao ADN que o tornou um ícone urbano, o novo Twingo mantém dimensões compactas, com 3,79 metros de comprimento e uma distância entre eixos de 2,49 metros. Ainda assim, evolui significativamente em termos de habitabilidade e versatilidade. O espaço interior foi otimizado para oferecer níveis surpreendentes para o segmento, com especial enfoque na modularidade: bancos traseiros deslizantes, encostos rebatíveis e várias soluções inteligentes de arrumação permitem adaptar o habitáculo às necessidades do dia a dia. A agilidade continua a ser um dos principais argumentos. Com um raio de viragem inferior a 10 metros e um peso contido em torno dos 1200 quilos o Twingo promete facilidade de utilização em ambiente urbano, com manobras simples e condução leve - características essenciais para quem privilegia mobilidade em cidade. Técnica simples Debaixo da carroçaria, a Renault optou por uma solução técnica simples, mas eficaz. O motor elétrico de 60 kW (82 cv) e 175 Nm de binário garante respostas imediatas, sobretudo em arranques e condução citadina. A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em cerca de 12,1 segundos, um valor ajustado ao posicionamento do modelo. Como sublinhou Hugo Barbosa, "pode parecer pouco, mas é muito responsivo", refletindo a natureza imediata da entrega de binário nos motores elétricos. E, na verdade, a potência é mais que ajustada tendo em conta o peso do carro. Conduzimo-lo pouco mais de 100 kms, os suficientes para perceber uma suspensão algo dura, - também por influência dos pneus 205/45 R18 -, mas que permite manter um comportamento sólido mesmo em pisos degradados, sem reações bruscas. A direção destaca-se pelo bom tato, equilibrada no nível de assistência e bem calibrada, transmitindo agilidade em cidade, ajudada por um diâmetro de viragem de apenas 9,8 metros. As patilhas de regeneração funcionam de forma intuitiva, sendo uma alternativa eficaz ao modo one pedal, que se revela progressivo e bem afinado. Existe também um modo Eco, acionado através de um botão na consola, que suaviza claramente a resposta do acelerador. A bateria de 27,5 kWh utiliza química LFP (lítio-ferro-fosfato), uma escolha que privilegia a durabilidade, segurança e redução de custos, ao mesmo tempo que diminui a dependência de materiais mais caros. A autonomia pode atingir até 263 km em ciclo WLTP, com consumos anunciados entre 11 e 12,2 kWh/100 km. Mais relevante do que os números oficiais é a utilização real: a Renault aponta para percursos médios diários entre 30 e 40 km, o que significa que a maioria dos utilizadores poderá carregar o veículo apenas uma ou duas vezes por semana. No carregamento, a estratégia segue a mesma lógica de simplicidade e adequação ao uso urbano. A versão base integra um carregador AC de 6,6 kW, suficiente para uma carga completa em cerca de quatro horas. Opcionalmente, o modelo poderá contar com carregamento AC de 11 kW e ainda carregamento rápido DC até 50 kW, permitindo recuperar dos 10 aos 80% em aproximadamente 30 minutos - uma solução que acrescenta versatilidade para deslocações fora do ambiente urbano. Tecnologia e preço como trunfos O interior marca um claro salto tecnológico no segmento A. O Twingo estreia o sistema multimédia OpenR Link com Google integrado, com ecrã central de 10 polegadas e painel de instrumentos digital. A experiência de utilização aproxima-se da de um smartphone, com navegação inteligente, aplicações integradas e assistente de voz. A conectividade total e a facilidade de utilização assumem-se como argumentos centrais para um público cada vez mais digital. A condução beneficia igualmente de novas soluções tecnológicas. A função One Pedal permite conduzir praticamente sem recorrer ao travão, facilitando a circulação em trânsito intenso e aumentando o conforto. O Twingo é o único no segmento que pode estacionar sozinho e a segurança é reforçada com até 24 sistemas de assistência à condução, incluindo travagem automática de emergência, assistência ao estacionamento e vários sistemas de apoio à condução urbana. Outro dos pilares do projeto é o controlo de custos. Desenvolvido em cerca de dois anos - um tempo recorde na indústria - o Twingo resulta de uma abordagem industrial otimizada, combinando engenharia europeia com processos de desenvolvimento mais eficientes. A produção será assegurada na Europa, contribuindo para reduzir custos logísticos e impacto ambiental. A sustentabilidade é, aliás, um dos pontos-chave do modelo. Desde a conceção, o Twingo foi pensado para reduzir a pegada de carbono ao longo de todo o ciclo de vida, apresentando valores significativamente inferiores aos de um modelo equivalente com motor de combustão. Inserido numa gama elétrica que já representa cerca de 20% das vendas da Renault, este novo citadino assume um papel estratégico. A marca pretende não apenas reforçar a sua presença no mercado elétrico, mas também atrair novos clientes para este tipo de mobilidade, eliminando uma das principais barreiras: o preço. Com uma proposta simples, acessível e adaptada à realidade urbana, o novo Twingo E-Tech elétrico quer provar que ainda há espaço para os citadinos - e que o futuro elétrico pode estar, finalmente, ao alcance de muito mais condutores.