ECONOMIA - NOVA APTIV ENTRA NA BOLSA DE NOVA IORQUE
2026-04-06 21:07:06

i i i João Carrega joão.carrega@reconquista.pt Versigent é o nome comercial pelo qual a fábrica de cablagens Aptiv passará a responder. Esta alteração ocorreu no dia 1 de abril, já depois do fecho da nossa edição impressa, e corresponde ao nome da nova multinacional criada e que no nosso país emprega 1040 trabalhadores. A nova sociedade passa a ser negociada na Bolsa de Valores de Nova York sob o código “VGNT”, segundo divulgou a própria sociedade. Como o Reconquista tinha anunciado, em primeira mão, em novembro do ano passado, a fábrica de cablagens da Aptiv, em Castelo Branco, um dos maiores empregadores no distrito, deixou de pertencer à empresa mãe da Aptiv a nível internacional e passou a ser detida por uma nova sociedade anónima que além da unidade albicastrense incluirá também o polo tecnológico do Lumiar. Na casa mãe mantém-se a Aptiv de Braga. LÍDER Joseph Liotine, diretor Executivo da Versigent, explica que a “Versigent operará como uma nova empresa de capital aberto, com talento incrí- vel, escala global e capacidades líderes na indústria de otimização de arquitetura de veículos”. Em informação partilhada com o Reconquista, aquele responsável diz que “aquelas caraterísticas exclusivas posicionam a Versigent para satisfazer a crescente procura por arquiteturas elétricas de nova geração, capazes de alimentar plataformas de veículos modernas e com muitas funcionalidades”. “O nome Versigent reflete o nosso compromisso com soluções elétricas versáteis e inteligentes que permitem a distribuição segura e eficiente de sinais, energia e dados em diversas arquiteturas. Estou entusiasmado em liderar a nova empresa, dando continuidade ao nosso legado de 100 anos como parceiro confiável de OEMs (Fabricante de Equipamentos Originais) nos mercados automotivo e de veículos comerciais”, disse. A mudança de nome aconteceu, no passado dia 1, mas a nova sociedade foi criada ainda no final de 2025, a partir da casa mãe. Esta nova spin-off está cotada em bolsa.com esta divisão, a Aptiv, que anualmente fatura em todo o mundo 21 biliões de dólares, deixou de ter sob a sua responsabilidade o negócio das cablagens em todo o mundo, o que corresponde a 8,5 biliões de dólares de faturação anual. TRANSFERÊNCIA A confirmação desta alteração também foi feita ao Reconquista por Francisco Matias, representante português no Comitê Europeu da Empresa Aptiv e dirigente do Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (Sindel). “Segundo a Aptiv, a separação permitirá que cada uma das empresas se foque mais no seu crescimento próprio, permitindo uma maior e mais rápida expansão”, explica aquele responsável. Com esta alteração, os cerca de 800 funcionários da Aptiv em Castelo Branco passaram para a Versigent, “sendo garantidos todos os direitos (contrato de trabalho e antiguidade)”, adianta Francisco Matias. O futuro da fábrica de Castelo Branco é visto com expetativa. Recorde-se que em novembro a administração da Aptiv internacional, em resposta colocada por Francisco Matias, referiu que não haveria nenhuma alteração ou restruturação nas fábricas de Portugal. Isto porque noutras unida-des produtivas situadas na zona euro houve reestruturação e fecho de unidades. Na Roménia encerraram fábricas, enquanto que na Polónia, Alemanha e França registaram-se despedimentos por mútuo acordo. Segundo apurámos, esta alteração não vai mudar em nada o funcionamento da fábrica em Castelo Branco. Recorde-se que a atual Aptiv já sofreu várias alterações de nome (Cablesa, Delphi e agora Aptiv), mas nunca tinha sido criada uma nova empresa para assumir a unidade em Castelo Branco e, neste caso, também o polo tecnológico do Lumiar. Neste momento, a fábrica de Castelo Branco produz cablagens para veículos a combustão das marcas John Deere, INEOS, Ferrari, Maserati e Alfa Romeo, e para viaturas elétricas da Ferrari e Maserati. E se a fábrica de cablagens está a funcionar para aquelas marcas, uma outra de produção de cabos de dados e de alta voltagem está a ter um crescimento signifci ativo. Esta unidade altamente tecnológica, que neste momento funciona em instalações cedidas pela câmara albicastrense (antiga fábrica de Fernando Miguel, na zona industrial) deverá ver o seu espaço produtivo aumentar, num investimento estimado em 10 milhões de dólares. A unidade de produção tem já 70 funcionários e a sua produção tem sido escoada para Marrocos, onde se situam fábricas de cablagens para carros elétricos. A ampliação em curso visa dar resposta às necessidades de um mercado em crescimento no domínio dos carros elétricos. A fábrica de cablagens em Castelo Branco, passa a designar-se Versigent. A nova sociedade vai ser negociada em bolsa. P4 Acordo salarial para 2026 O Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (Sindel) e a Associação Portuguesa das Empresas do Sector Eléctrico e Electrónico alcançaram um acordo de princípio para os aumentos salariais para 2026, o qual entrou em vigor a 1 de abril.com este acordo, foram atualizados o subsídio de refeição, para 8,5 euros; e as diuturnidades para 42,81 euros. No que respeita a aumentos salariais, eles variam, consoante os graus do trabalhador, entre 41 euros e os 60 euros mensais, o que corresponde a aumentos de 1,84 a 5,49 por cento. Francisco Matias, dirigente do Sindel, considera que este “entendimento resulta de uma negociação firme e persistente e representa uma valorização dos trabalhadores do setor”. Aquele responsável considera que o acordo, no âmbito do contrato coletivo do setor não foi o desejado, mas o que foi conseguido. O Sindel continuará atento, determinado e empenhado na defesa dos direitos, condições de trabalho e valorização profissional dos seus associados”. JC Joseph Liotine, diretor Executivo da Versigent Francisco Matias, dirigente do Sindel João Carrega