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CONDUZI A NOVA APOSTA EUROPEIA DA XPENG E NÃO DESILUDIU MENOS NUM PONTO

Razão Automóvel Online

2026-04-06 21:07:42

A XPeng deposita grandes esperanças no P7+, uma berlina elétrica que também foi desenvolvida na Europa para os europeus. Chega a Portugal no verão. XPeng P7+ RWD Long Range Pro Primeiras impressões 7.5/10 A XPeng quer reforçar a presença na Europa e o próximo passo dá-se com o P7+, que chega com um alvo claro: Tesla Model 3. Prós Qualidade geralSuspensão adaptativaEquipamento de sérieAutonomia Contras Comportamento dinâmicoSistemas de apoio à condução demasiado intrusivosInfoentretenimento requer habituação A XPeng é chinesa, mas tem-se esforçado para ser vista cada vez mais como europeia, desenvolvendo e até montando os seus carros localmente: os SUV G6 e G9, por exemplo, já são montados na Áustria, ainda que os componentes continuem a ser importados da China. Essa ambição, de crescer na Europa, ganha agora um reforço de peso na forma do novo XPeng P7+. Uma berlina familiar elétrica com mais de cinco metros de comprimento, carregada de tecnologia, mas que assume, sem rodeios, um alvo claro a abater: o Tesla Model 3. © XPeng Foi apresentado no início do ano, mas só deverá chegar a Portugal no início do verão. As pré-reservas já abriram. Fomos até Barcelona, em Espanha, conduzir pela primeira vez o novo topo da gama europeia da XPeng, onde pudemos fazer à volta de 300 km ao volante do novo P7+. Será que tem argumentos para enfrentar aquele que é um dos elétricos mais vendidos da Europa? Descubra nas próximas linhas. “Gostos não se discutem”, como se costuma dizer, mas olhando para o XPeng P7+ há um facto que é inegável: tem presença. Para isso muito contribuem os mais de cinco metros de comprimento, os três metros que separam o eixo dianteiro do traseiro e a largura de cerca de dois metros. © XPeng Independentemente da versão por que optar, as diferenças estéticas são mínimas e resumem-se às jantes, que podem ser de 19? ou de 20?. Mais relevante é o trabalho aerodinâmico. O XPeng P7+ é das propostas com menor resistência aerodinâmica do mercado, com um coeficiente (Cx) de apenas 0,211. Para tal muito contribuem as superfícies limpas e sem vincos desnecessários, a silhueta fastback com uma linha de tejadilho baixa e os puxadores das portas à face da carroçaria. Qualidade interior em destaque O interior segue o exterior na sua depuração, apostando num design minimalista similar ao dos outros modelos da marca. Há um ecrã tátil central (15,6?) que concentra todas as atenções, secundado por um de menor dimensão (8,8?) atrás do volante que serve de painel de instrumentos. Mas é na qualidade que o XPeng P7+ se demarca em relação à concorrência. Os materiais e montagem estão num ótimo nível e não houve momentos durante este primeiro contacto que em que desse conta de barulhos parasitas. O espaço é outro dos pontos fortes do P7+ e é neste capítulo onde os três metros de distância entre eixos se fazem sentir mais. A bagageira, com 573 litros também está longe de desiludir, ainda que a linha de tejadilho limite o transporte de objetos mais altos. O XPeng P7+ se destaca-se também no conteúdo tecnológico, mas precisa de evoluir em alguns aspetos. É a partir do ecrã central que se controlam rigorosamente todas as funções do veículo - não há praticamente botões. Acabamos, por isso, a recorrer frequentemente ao ecrã que exige alguma habituação. O sistema de infoentretenimento não é o mais intuitivo e obriga a navegar por vários menus até chegarmos à função que procuramos. Um bom exemplo são os sistemas de apoio à condução que mostraram ser sempre muito intrusivos. É possível desligá-los - e obriga a fazê-lo cada vez que ligamos o carro -, mas na prática continuaram a intervir. © XPeng Acabei por passar muito tempo a interagir com este ecrã No fim deste primeiro contacto acabei por sentir que o ecrã menor, atrás do volante, acaba por ser redundante. Isto porque a unidade que conduzi equipava um head-up display que apresentava praticamente a mesma informação e quando era preciso mais, acabava sempre por regressar ao ecrã central. Conforto domina Ao volante, o XPeng P7+ não esconde a sua prioridade: o conforto. A suspensão adaptativa filtra bem as irregularidades, sobretudo em cidade, garantindo uma condução muito suave. Há modos de condução, mas as diferenças pouco se notam, mesmo quando se opta por uma configuração mais firme. © XPeng A aposta no conforto reflete-se no comportamento dinâmico. A afinação branda da suspensão resulta em movimentos da carroçaria mais pronunciados, mesmo em autoestrada, o que acaba por retirar alguma confiança ao volante em condução mais exigente. O comportamento é sempre seguro e previsível, mas admito que estava à espera de mais no que respeita ao compromisso entre conforto e comportamento. É uma berlina que se sente mais à vontade a ritmos mais modestos, pelo que os 230 kW (313 cv) da versão RWD Long Range Pro que pude conduzir são mais que suficientes. A alimentar o motor elétrico montado sobre o eixo traseiro surge uma bateria de iões de lítio LFP (fosfato de ferro-lítio) que, face ao anterior P7, perdeu capacidade: 74,9 kWh contra 86,2 kWh. © XPeng O P7+ pode carregar até 446 kW em corrente contínua (DC), mas na versão com a bateria menor, não vai além dos 350 kW. Apesar disso, elevar a carga da bateria dos 10% aos 80% leva o mesmo tempo: 12 minutos. Consequentemente, a autonomia também desceu, de 576 km para 530 km. Para compensar, o P7+ pode ser carregado em corrente contínua (DC) a potências tão elevadas como 446 kW - melhor, só outro XPeng, o G9 -, consequência da sua arquitetura elétrica de 800 V. Ou seja, bastam 12 minutos para carregar dos 10% aos 80%. Quanto a consumos, espero ter outra oportunidade para privar com o XPeng P7+ por mais algum tempo para aferir a eficiência real do modelo, mas as primeiras impressões são positivas. Durante os cerca de 300 quilómetros que percorri, os consumos fixaram-se na casa dos 15 kWh/100 km. Já disponível para encomenda O novo XPeng P7+ já chegou ao mercado nacional e a fase de pré-vendas já começou, com preços a começar nos 38 200 euros (+IVA) para a versão de entrada - a forma como o preço é apresentado revela uma aposta clara nas empresas e ENI (empresários em nome individual) -, que equipa um motor elétrico traseiro com 180 kW (245 cv) e a bateria de 61,7 kWh, para uma autonomia de até 455 km (WLTP). © XPeng A versão RWD Long Range Pro, que conduzi, poderá ser a mais interessante, já que oferece mais potência 225 kW (313 cv) e mais autonomia, graças à bateria de 74,5 kWh. Se procura mais performance, a XPeng tem ainda disponível o P7+ AWD Performance, que adiciona um motor elétrico no eixo dianteiro, conferindo-lhe tração integral e uma potência total de 370 kW (503 cv). Veredito XPeng P7+ RWD Long Range Pro Primeiras impressões 7.5/10 O XPeng P7+ quer enfrentar o Tesla Model 3 e leva vantagem a vários níveis: ao ser maior é também mais espaçoso, a qualidade de materiais e montagem é superior e é mais confortável. Mostrou ainda ser muito eficiente e o preço é competitivo, Nem tudo é perfeito. O arsenal tecnológico é elevado, mas os sistemas de apoio à condução são intrusivos e o infoentretenimento requer habituação. E dinamicamente, estava à espera de melhor. Prós Qualidade geralSuspensão adaptativaEquipamento de sérieAutonomia Contras Comportamento dinâmicoSistemas de apoio à condução demasiado intrusivosInfoentretenimento requer habituação Miguel Nascimento