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A PRÓXIMA REVOLUÇÃO DA IA PODERÁ DEPENDER DO 6G

Sapo Online

2026-04-06 21:07:42

A próxima geração de redes móveis, conhecida como 6G, poderá tornar-se um dos pilares da próxima vaga de desenvolvimento da inteligência artificial (IA), ao permitir sistemas de grande escala, aplicações imersivas e novos modelos de negócio digitais. A conclusão surge num estudo recente da Boston Consulting Group (BCG), intitulado The 6G Network Is the Future of AI , que aponta para uma transformação profunda no papel das redes móveis: de simples sistemas de comunicação para plataformas capazes de suportar aplicações intensivas em dados, sensores e inteligência artificial. Ao contrário das aplicações digitais tradicionais - sobretudo orientadas para consumo de conteúdo - os novos sistemas de IA exigem grandes volumes de dados enviados pelos dispositivos para a rede (uplink), tempos de resposta previsíveis e uma arquitetura distribuída que combina dispositivos, computação de proximidade (edge) e infraestruturas de cloud. Segundo Eduardo Bicacro, Managing Director and Partner da BCG, essa mudança altera a própria lógica de desenvolvimento das redes móveis. Estamos a passar de redes otimizadas para consumo de conteúdo para redes desenhadas para geração contínua de dados e decisão em tempo real. As aplicações de IA exigem uplink significativo, latência determinística e uma arquitetura distribuída entre dispositivo, edge e cloud - requisitos que tornam o 6G não apenas uma evolução, mas uma condição necessária para escalar a IA na sociedade e na economia. O impacto económico do 5G A geração atual de redes móveis já abriu caminho para esta transformação. O lançamento comercial do 5G, em 2019, representou uma mudança estrutural na conectividade, ao permitir maior velocidade, menor latência e a ligação simultânea de milhões de dispositivos. De acordo com o estudo da BCG, as aplicações suportadas por 5G já geraram mais de um bilião de dólares em impacto económico global. A consultora estima que este valor poderá ultrapassar os 6 biliões de dólares até 2030 e aproximar-se dos 18 biliões até 2035. A tecnologia tem vindo a acelerar a transformação digital em vários setores - da indústria à saúde - e a impulsionar novos serviços baseados em dados e conectividade permanente. A próxima etapa: redes pensadas para IA Previsto para surgir no final desta década, o 6G deverá introduzir melhorias significativas na capacidade de rede, na latência e na integração entre dispositivos, sensores e infraestruturas digitais. Essas características poderão suportar uma nova geração de aplicações baseadas em inteligência artificial, incluindo: automação industrial avançada e robótica colaborativa; experiências imersivas em realidade aumentada e realidade virtual; cidades inteligentes e infraestruturas urbanas conectadas; sistemas de mobilidade autónoma; monitorização remota e cuidados de saúde digitais. O relatório sublinha que nenhuma camada isolada - dispositivo, edge ou cloud - consegue suportar de forma eficiente estes sistemas. O 6G será desenhado para orquestrar dinamicamente essas camadas, equilibrando latência, capacidade e consumo energético. Decisões desta década serão determinantes Apesar do potencial tecnológico, o estudo alerta que o desenvolvimento do 6G dependerá de decisões estratégicas tomadas nos próximos anos. Entre as prioridades identificadas estão o acesso ao espectro de radiofrequência necessário para novas redes, a definição de padrões tecnológicos globais, o investimento contínuo em investigação e desenvolvimento e a formação de talento especializado. À medida que a inteligência artificial evolui para sistemas contínuos e multimodais, capazes de operar em tempo real entre dispositivos, sensores e infraestruturas, a conectividade deixa de ser apenas um meio de transmissão e passa a integrar a própria arquitetura de computação. Sem estas evoluções, alertam os autores do estudo, as redes poderão enfrentar congestionamento no tráfego de dados enviados pelos dispositivos, latências inconsistentes e limitações na escalabilidade das aplicações de IA. Nesse contexto, conclui a BCG, as decisões tomadas ao longo desta década - desde o investimento em investigação até às políticas públicas de conectividade - serão determinantes para definir como a próxima geração de tecnologias digitais será desenvolvida e utilizada. SAPO