SEGWAY A MINHA HISTÓRIA DAVA UM LIVRO
2026-04-06 21:08:12

INTEGRADA NO GRUPO SEGWAY-NINEBOT, SEDIADO EM PEQUIM, A HISTÓRIA DA SEGWAY DAVA UM LIVRO (PARA SERMOS WOKE E NÃO DIZER: UM FILME "INDOSTaNICO") COM MOMENTOS DE: GENIALIDADE, GLôRIA, TRAICÃO E MORTE; MAIS PROPíCIOS DE UM CONTO DE FICCÃO, A MARCA CRIADA POR DEAN KAMEN PASSOU POR VÁRIOS ALTOS E BAIXOS, ATÉ TER SIDO ADQUIRIDA POR UMA DAS EMPRESAS QUE A TINHA ACUSADO EM TRIBUNAL DE INFRINGIR ALGUMAS DAS SUAS PATENTES. O GRUPO QUE INTEGRA ATUALMENTE E A QUE Da NOME, GARANTE-LHE O RESPALDO FINANCEIRO E O ACESSO A UM MERCADO GLOBAL, PARA ALÉM DA EXPANSÃO EM DIVERSAS aREAS. COMO SUCEDE COM A SEGWAY POWERSPORTS, MARCA VIRADA PARA OS VEÍCULOS DE QUATRO RODAS DE TODOO-TERRENO PARA TRABALHO E LAZER, E QUE SE ESTREOU NO MERCADO NOS FINAIS DE 2019, PRECISAMENTE NAS VÉSPERAS DA PANDEMIA QUE MUDOU O MUNDO Pedrinho/MotoX.pt A história da Segway está inseparavelmente ligada à do seu criador, o inventor Dean Lawrence Kamen. Dean nasceu num lugar bem conhecido da imigração portuguesa, situado no sul do estado de Nova lorque, em 1951, mais precisamente em Long Island. Bastante ativo e criativo durante a juventude, as diversas atividades a que se dedicava, e trabalhos que aceitava, permitiam-lhe ganhar sessenta mil dólares norte-americanos quando ainda estudava no liceu. a imagem de diversos visionários, como Steve Jobs ou Bill Gates, não concluiu os seus estudos universitários. o seu génio inventivo falava mais alto e levou-o a criar várias soluções e equipamentos na área medicinal, como a primeira bomba de infusão de medicamentos, que comercializou debaixo da marca Auto Syringe, ou o purificador de água ligado a um gerador acionado por um motor Stirling, o qual aproveitando o ciclo de compressão e expansão de um gás, permite transformar a energia calorífica em trabalho mecânico. Mas a invenção mais arrojada talvez tenha sido a iBOT, a cadeira de rodas elétrica de todo-o-terreno, dotada do sistema de equilíbrio com recurso a um giroscópio, que mais tarde viria a ser usado na Segway PT, e que lhe valeu mesmo uma receção e demonstração na Casa Branca, ao Presidente Bill Clinton. Kamen fundou a DEKA Research & Development em 1982, com quase 400 engenheiros e técnicos especializados, trabalhando em projetos tão distintos como o lançamento pneumático de um soldado de uma força de intervenção para o ar, ou na área do aproveitamento da energia solar. Isto sem esquecer o Luke, o braço prostético cujos motores permitem ao seu utilizador um controlo muito mais refinado face às próteses tradicionais. A primeira patente de um dispositivo de transporte ohrrrene individual autoequilibrado foi submetida para patente em fevereiro de 1993 e reconhecida a 30 de dezembro de 1997. O desenvolvimento em torno da iBOT teve início em 1990, surgindo o primeiro protótipo dois anos depois. Em 1994 a DEKA chega a acordo com o gigante da indústria farmacêutica Johnson & Johnson, permitindo a produção da cadeira de rodas e todo o desenvolvimento da mesma. Para manter a sua independência fora da área médica, a DEKA aceitou receber um royaltie inferior ao normal para operações do género. A Segway Incorporated surge, então, em julho de 1999, com o intuito de desenvolver e comercializar aplicações não medicinais com tecnologia de auto equilíbrio. E é assim que a icónica Segway PT, a plataforma de duas rodas paralelas e um guiador fixo para transporte individual, é lançada em dezembro de 2001, chegando ao mercado no ano seguinte. A marca esperava atingir vendas de 50.000 a 100.000 unidades nos primeiros 13 meses, mas em setembro de 2006 apenas tinha escoado cerca de 23.500 PT s. e então que surge uma chamada de todas as unidades aos concessionários para correção de um erro de software que poderia causar a queda do seu utilizador, fruto de uma reversão incontrolada e espontânea do movimento capaz de surpresas e até mesmo perigo. só que o otimismo em torno da marca e deste conceito não diminuiu apesar deste aparente desaire. Numa previsão tão característica de um espírito inventivo, Dean Kamen fez uma afirmação categórica, de que uma Segway “seria para o carro, o que o carro foi para o cavalo e a carroça”. O entusiasmo vivido era tal que o investidor de risco, com uma participação na companhia, John Doerr, projetava a Segway para o restrito setor dos unicórnios, ao antecipar vendas superiores a mil milhões de euros. Mas a realidade era outra. Apenas trinta mil unidades comercializadas até 2007, bem como os primeiros sinais de uma companhia não rentável, com custos de desenvolvimento superiores a 100 milhões de dólares. O PUMA parecia ser o balão de oxigénio tão ansiado para a Segway. Tal como já sucedera com a DEKA, nos anos noventa, o aparecimento de um gigante da indústria perfilava-se na forma de uma importante injeção de capital. Estávamos em 2009 e a General Motors apresentava o protótipo de um veículo de dois lugares elétricos, que designou com veículo de mobilidade e acessibilidade urbana pessoal, no acrónimo inglês Puma . Presente em diversos salões, no ano seguinte como projeto EN-V, durante a EXPO 2010 de Changai. Só que o diretor executivo da Segway, James Norrod, tinha uma ideia diferente para a empresa e, na perspetiva de recuperar o investimento efetuado pelos acionistas, preparou a venda da companhia. Isso concretizou-se no final de 2009, quando a Hesco Bastion se tornou a proprietária da Segway. A marca ostenta- va as cores da Union Jack, já que James Heselden, O dono da Hesco, era um inglês nascido em Leeds. Jimi , como era conhecido, começou a trabalhar como mineiro numa mina de carvão, depois de deixar a escola quando tinha quinze anos de idade. O seu golpe de génio surgiu sob a forma da gaiola tipo gabião, colapsável, fácil de montar para controlo de cheias e erosão. A patente do sistema Concertainer catapultou-o para o clube dos milionários. Mas numa manhã de setembro de 2010, tinha 62 anos, a tragédia abateu-se sobre a família Heselden e a própria Segway. Conduzindo uma versão todo-o-terreno da ET, Jimi perdeu o controle do veículo num dos trilhos junto à beira de um penhasco e acabou cair ao rio Wharfe, sem qualquer hipótese de sobrevivência. A Segway viria a mudar de mãos novamente, pouco depois, já que no início de 2013 a Summer Investments anunciou a compra da empresa por uns meros nove milhões de dólares norte-americanos. E outra vez o discurso da esperança, de aumento da gama de produtos, diversificação e rede de distribuição. Convirá referir que o fundador da marca já havia ficado pelo caminho, pois na anterior venda à Hesco, Dean Kamen deixou a sua participação da marca, para se dedicar à DEKA, FIRST (as iniciais de: Para a Inspiração e Reconhecimento da Ciência e Tecnologia) e ARMI, o Instituto de Produção Regenerativa Avançada. Aproveitando este interlúdio na história da Segway e enquanto recuperamos o fôlego perante tamanhas convulsões vividas pela marca, falta ainda referir a origem do nome. A primeira parte do nome é um homófobo da palavra segue, que significa uma suave transição de um tópico ou assunto, para outro. O logótipo, que perdurou até hoje, é francamente feliz e dá ideia de alguém a deslocar-se para diante, como se planasse, com os braços esticados para trás para alcançar o necessário equilíbrio dinâmico. Voltemos então a 2014, ao final do Verão desse ano, altura em que a Segway dá entrada na Comissão Norte-Americana de Comércio Internacional por via de uma queixa por infringimento de várias patentes por uma série de companhias chinesas onde se incluíam a Shenzen Inmotion, a Robstep Robot e uma tal de Ninebot. Pouco mais de meio ano volvido, a Ninebot comprou a Segway à Summit Strategic Investments por 75 milhões de dólares, dando origem ao grupo Segway-Ninebot. A start-up chinesa na área da robótica de transporte está sedeada em Pequim e tem como investidores iniciais a Xiaomi, Sequoia Capital, ShunWei e West- Summit Capital, que garantiram, ainda em 2014, OS 80 milhões de dólares necessários para a aquisição da Segway. Entre outros acionistas da Segway-Ninebot, contam-se o fabricante de microprocessadores Intel, os fundos de investimento China Mobile, GIC e SDIC. Estas empresas acionistas que entraram entre 2015 e 2017 reforçaram o encaixe de capital em 160 milhões de dólares. O grupo conta agora com quatro subsidiárias que cobrem aplicações tão diversas como a mobilidade inteligente de curta distância, a cargo da Segway Discovery, ou da chamada logística inteligente, com a utilização de robôs autónomos, área coberta pela Segway Robotics. Já a Ninebot, marca bem conhecida na ásia, mantém a produção de scooter elétricas, patinetes, o equivalente atual da PT (aquilo a que se convencionou chamar “um Segway”, o famoso diciclo), para além do kart que inclui uma versão especial chamada Lamborghini Edition`. ATV E UTV Já a Segway propriamente dita, inclui a divisão Powersports, a qual apresentou no final de 2019, durante a Salão de Milão a gama de veículos de quatro rodas de todo-o-terreno para trabalho e lazer. Gama que inclui um quad , ou ATV, chamado Snarler, um UTV, ou veículo utilitário de trabalho, designado de Fugleman, e um Side-by-Side , para pura diversão, batizado de Villain. Esta marca está na Península Ibérica, sendo representada pela Multimoto em ambos os países. A Segway-Ninebot faz questão de frisar as parcerias que estabeleceu nos últimos seis anos, onde se destacam marcas da indústria automóvel como a Ferrari, Lamborghini, Ford, BMW, BYD, General Motors ou a Seat, além de nomes bem conhecidos da área da eletrónica e eletrificação, como a Intel, LG, Samsung, Panasonic, Bosch e Infineon, e de outras áreas como a Bolt, Infineon ou a HFX Scooters. Chega assim a história ao fim, com a Segway a atravessar um período de estabilidade e com um futuro risonho? Sim, de certa forma, mas pelo caminho ficou o modelo que sempre associámos à marca.com efeito, não obstante ainda vermos nas mãos de segu- ranças de centro comerciais ou em filinhas pirilau de turistas à descoberta de uma cidade, o diciclo PT faz agora parte das memórias da marca, com cerca de 140 mil unidades fabricadas em pouco menos de 20 anos. A associação a um certo nível de periculosidade e descontrolo, com acidentes com nomes conhecidos, como os do velocista Usain Bolt ou do antigo presidente dos EUA George W. Bush, sem falar do malogrado Jimi Heselden, associado a um preço de venda acima dos cinco mil euros, levou a que o grupo asiático descontinuasse a sua produção e desenvolvimento. Tal como seria expectável, toda a produção passou para a âsia, mas a marca de Bedford, no estado norte-americano de New Hampshire, manteve a produção da PT até julho de 2020, altura em que o novo grupo colocou fim ao modelo e à atividade desta unidade fabril. Como já podem imaginar, a história da marca deu origem a vários livros que descrevem bem o ambiente das start-up norte-americanas e da bolha dot.com . Mas agora os tempos agora são outros, e está claro que a aposta da Segway-Ninebot é por produtos com as rodas bem assentes no chão, mas... ao longo deste ano os estimados leitores terão oportunidade de ler mais sobre a marca na autoDRIVE. // A SEGWAY INCLUI A DIVISAO POWERSPORTS, COM UMA COMPLETA GAMA QUE INCLUI UM QUAD , OU ATV CHAMADO SNARLER , UM UTV, OU VEÍCULO UTILITARIO DE TRABALHO, DESIGNADO DE FUGLEMAN, E UM SIDE-BY-SIDE PARA PURA DIVERSAO AD NOSSO ESTILO, BATIZADO DE VILLAIN EM PORTUGAL A MARCA e REPRESENTADA PELA MULTIMOTO A INVENçáO MAIS ARROJADA DA MARCA TALVEZ TENHA SIDO A IBOT A CADEIRA DE RODAS ELÉTRICA DE TODO-O-TERRENO, DOTADA DO SISTEMA DE FQUILIRRIO COM RECURSO A UM BIROSCIPIO INOVADOR, QUE MAIS TARDE VIRIA A SER USADO NO FAMOSO SEGWAY PT A SEGWAY-NINEBOT FAZ QUESTâO DE FRISAR AS PARCERIAS QUE ESTABELECEU NA ULTIMA DECADA, ONDE SE DESTACAM MARCAS DA INDUSTRIA AUTOMIVEL COMO A FERRARI/, LAMBORGHINI, FORD, BMW, BYD, GENERAL MOTORS OU A SEAT Fernando Pedrinho