pressmedia logo

“NÃO TÊM VERGONHA?”: AMBIENTE TENSO NA GIGAFÁBRICA DA TESLA

AEIOU.pt Online

2026-04-06 21:08:12

Tesla Fábrica da Tesla na Alemanha Episódio interno na Alemanha. Musk não quer pressões externas, sindicato não quer abusos. Houve intervenção da polícia. “As coisas vão certamente tornar-se mais difíceis quando houver, por assim dizer, organizações externas a pressionar a Tesla na direcção errada. Não vamos fechar a fábrica, mas, sendo realistas, também não a vamos expandir”. As palavras foram ditas por Elon Musk, numa mensagem de vídeo divulgada no final de Fevereiro, citada na revista Der Spiegel. O líder da Tesla não passava ao lado das eleições para o conselho de trabalhadores na gigafábrica da sua empresa na Alemanha, em Grünheide, perto de Berlim. Cerca de 11 mil pessoas trabalham lá. É a primeira fábrica da Tesla na Europa. Numa unidade que já tem produzido abaixo do esperado, surgiu um problema importante: um confronto directo entre o modelo de gestão ágil de Elon Musk e os sindicatos, a tradição sindical alemã , o IG Metall, o maior sindicato do país. Musk quer que a fábrica fique “livre de influências externas” e pretende expandir o negócio; o IG Metall alega que, naquela fábrica, a Tesla impõe ritmos de trabalho exaustivos, e quer mudar isso. Na Alemanha, o conselho de trabalhadores tem o poder legal de influenciar horários, salários e decisões estratégicas da administração da empresa. No início de Março foram realizadas as tais eleições: o sindicato independente Giga United venceu, o IG Metall ficou-se pelo segundo lugar. As eleições não foram tranquilas: a Tesla acusa o representante do sindicato IG Metall de espionagem, de gravar secretamente uma reunião do conselho de trabalhadores; o IG Metall acusa a Tesla de condicionar as eleições; o Ministério Público confirmou a abertura de um inquérito contra o dirigente sindical em causa; e houve intervenção policial na fábrica. O episódio do autocarro Mas a tensão é evidente. Uma viagem diária para a gigafábrica da Tesla em Grünheide tornou-se um retrato do momento interno que atravessa a unidade europeia da empresa. O Handelsblatt revela mensagens trocadas por trabalhadores em canais internos, que descrevem autocarros sobrelotados, insultos, empurrões e episódios perturbadores no trajecto entre a fábrica e localidades vizinhas , tudo isto num ambiente marcado por desgaste, conflito e nervos à flor da pele. Um caso na semana passada originou maior indignação: um autocarro que transportava dezenas de funcionários da Tesla passou por um acidente rodoviário grave, que envolveu vários veículos. Estava um carro virado ao contrário numa vala, enquanto os socorristas tentavam retirar uma criança pequena do interior. Vários trabalhadores da Tesla saíram do seu autocarro e começaram a filmar. Em vez de oferecerem ajuda , ou ficarem discretos. Isto enquanto tinham a farda de trabalho da Tesla. “O que aconteceu a seguir deixou-me sem palavras. Em vez de verificarem se alguém precisava de ajuda, pegaram nos telemóveis e filmaram a situação. Completamente fardados. Como se fosse uma espécie de espetáculo. Sinceramente: não têm vergonha?!“, pergunta o funcionário que relatou este caso. O departamento de recursos humanos deverá analisar este episódio. Um episódio que surge no meio de um ambiente de incerteza. No início deste ano, o Electrek até perguntava se a Tesla está a preparar-se para encerrar a produção em Grünheide. Porque os números de vendas na Europa são “desastrosos” na Europa , além das ameaças da administração contra o sindicato. Nuno Teixeira da Silva, ZAP // Nuno Teixeira da Silva