OPEL MONZA GSE
2026-04-07 21:05:56

PRODUZIDO ENTRE 1977 ? 1986 o OPEL MONZA OCUPAVA O TOPO DE GAMA DOS COUPÉS DA MARCA ALEMà, SENDO O MONZA GSE DE 1983, FEITO COM BASE NO MODELO A2 E MOTOR DE SEIS CILINDROS EM LINHA COM 180 CV, A VERSÃO MAIS POTENTE E DESEJADA: : UM “ESPADA” QUE NOS PERMITIA IRRITAR OS PORSCHE E BMW... Estamos em 1983 na autobahn ao volante de um dos melhores carros do Mundo da época, um dos novos Mercedes-Benz 190E 2.0 w201, a explorar em pleno os seus 122 cv de potência e a ver a agulha do velocímetro a atingir os mágicos 200 km/h: algo só possível devido à excelente qualidade de engenharia do w201, incluindo na matéria de enganar o vento com um cx de apenas 0,33. Tão absorvidos e contentes que estamos, a passar por todos os carros da estrada, que, de início, nem acreditamos bem que algum outro se possa aproximar velozmente de nós... e estar mesmo a crescer a alhos vistos no nosso retrovisor; ainda há poucos instantes era apenas um pequeno ponto e agora está quase a apanhar-nos? Como!? Fotos , Dani Heyne MAS 0 QUE ? ISTO? COMO PODE ESTAR A ACONTECER? ê um Porsche? Um BMW M, ou talvez mesmo um Mercedes com cunho AMG? Sendo branco, certamente que não é um Ferrari. Nenhum dos suspeitos sugeridos. ê um Opel Monza GSE com um motor de seis cilindros em linha de 180 cv capaz de atingir os 215 km/h de velocidade real. Já fomos. Pois é, convém não esquecer que em 1983 a Opel era uma marca com outros dotes face aos nossos dias. Não Só tinha uma presença longa e distinta na competição, com destaque para os ralis, como no ano anterior Walter Rõhrl se tinha sagrado Campeão do Mundo de Ralis ao volante de um Opel Ascona 400 de grupo B, vencendo nada mais nada menos do que a poderosa equipa da Audi com os seus revolucionários Audi quattro, que implementaram a combinação tração às quatro rodas/motor turbo como o conceito irredutível para quem quer ganhar nas provas de estrada. E, de facto, se O Monza GSE ainda hoje é um carro que impressiona, seja pela leitura das suas características técnicas seja pela estética clássica de coupé desportivo, com um longo capot, apenas duas portas (sim, a moda dos coupés de quatro portas só iria começar uma década mais tarde) e o vidro traseiro a cair gradualmente até acabar numa asa traseira de razoáveis dimensões, responsável por garantir a estabilidade direcional e baixar O Cx até aos 0,35; não é tão bom como o do 190E que ficou para trás, mas ainda assim um dos melhores na sua época. UM SEIS CILINDROS COM PEDIGREE Mesmo na Alemanha dos motores potentes e com autoestradas livres de limites de velocidade (então em 1983 a percentagem de quilómetros de autobahn com limite de velocidade era extremamente reduzida), um motor de seis cilindros em linha com 180 cv de potência era algo bem acima da média; para contexto, O Porsche 911sc geração 930 de 1978 a 1983 tinha um seis cilindros boxer com os mesmos 180 cv, um Ferrari 308 GTBi um V8 2.9 de 214 CV e o VW Golf GTI (o desportivo do povo) uns parcos 112 cv! Melhor ainda, este seis cilindros da Opel é um motor com história de competição, sendo o antecessor do Monza, o Commodore 2.8 GSE, um dos carros dominadores das corridas de turismo em Grupo 1 (os mais próximos dos carros de série) europeias na segunda metade da década de setenta, além de que no término da sua evolução foi usado nos Opel Omega Evo 500 de DTM e ainda no famoso Lotus Omega Turbo, com uns 388 cv que faziam um M5 e39 parecer fraco. Depois, esse poderoso motor estava ligado a uma caixa Getrag 265 de cinco velocidades, que passava a potência às rodas traseiras através de um autocolante com 40% de percentagem de bloqueio. O chassis era servido por uma suspensão de afinação mais firme, tendo por base um esquema de quatro rodas independentes, semelhante ao do Opel Senator, com quem partilha a plataforma, com um eixo dianteiro MacPherson guiado por triãngulos inferiores e um eixo traseiro de braços obliquos triangulados, contando com barras estabilizadoras em ambos os eixos. E uma vez no interior do habitáculo, para além do equipamento generoso (ar condicionado, vidros elétricos, computador de bordo e direção assistida), temos os fabulosos bancos Recaro em alcântara estilo bacquet, computador de bordo e um futurista painel de instrumentos de cristais líquidos, uma cena upa upa nos revolucionários anos oitenta em que a ficção científica era um dos géneros mais populares de cultura pop, fosse no cinema, na televisão ou na literatura. CáPSULA DO TEMPO O nosso Monza GSE acusa pouco mais de 130 000 km (132 198 km para os que gostam de números exatos) e é uma verdadeira capsula do tempo, a começar pelo cheiro característico dos Opel desse “vintage” (sim, as colas e os tecidos conferem aos carros de cada construtor um cheiro característico, algo que nos atuais grandes grupos de tudo partilhado também se perdeu), passando pelo tal paínel de instrumentos digital e acabando no tato dos comandos, onde direção assis-tida acusa um certo peso (o seis cilindros de bloco em ferro não é leve e está mesmo em cima do eixo dianteiro), os pedais revelam um tato mecânico e a caixa um manuseamento bem oleado. E por falar do painel digital, a maior curiosidade está no conta rotações cujo gráfico reproduz a curva de potência do motor, pelo que assim ficamos logo a saber que a potência a sério habita entre as 4000 e as 6200 rpm; nada que a consulta das especificações do motor não permita aferir num conta rotações clássico “estilo relógio”. Em concreto, o GM 30E CIH (Cam in Head, ou árvore de cames à cabeça) de 2969 cc alimentado por uma injeção Bosh LE-Jetronic debita 180 cv de po-tência às 5800 rpm e um binário máximo de 248 Nm entre as 4200 e as 4800 rpm, ao que correspondem valores de rendimento específico conservadores, mesmo em 1983: cerca de 61 cv/l e 83,5 Nm/l, atestando ser um motor de força e, não tanto, de rapidez. Aliás, todos os motores Opel da família CIH com duas válvulas por cilindro, sobretudo os de maior capacidade cúbica, partilham essa característica de força tranquila: não sobem de regime com a rapidez espontânea de um Alfa NORD Twin Cam ou a contundência de o boxer Porsche, mas, uma vez estabelecida a aceleração, dão uma certa impressão de serem imparáveis a criar momento. E esta unidade do Monza GSE é assim, com músculo logo desde as 2000 rpm, pulmões cheios por volta das 4000 rpm e uma ponta final que estica sempre mais um bocadinho; até parece que a inércia das peças móveis cria o próprio ímpeto da subida de regime. A caixa Getrag 265 está bem escalonada para tirar o melhor partido do motor, com uma segunda e terceira longas, bem como um manuseamento suave e preciso.com cerca de 1400 kg de peso (os valores declarados oscilam entre os 1370 e os 1435 kg), pneus fininhos (205/60 R15), a tal segunda de amplo raio de ação, um autocolante macho e boa potência, o Monza GSE dá a entender que basta uma flexão mais assertiva do pé direito no acelerador para atingirmos O Nirvana do power slide , progressivo e fácil de controlar. De resto, com a suspensão MacPherson dianteira de caster generoso e a suspensão traseira independente de braços oblíquos, o Monza tinha fama de ser bastante estável a alta velocidade. No nosso contacto não foi possível experimentar o comportamento a alta velocidade, mas, no espectro de velocidades de segunda e terceira, a suspensão mostrou um compromisso bem conseguido entre conforto, controlo dos movimentos da carroçaria e aderência/tração, o que, a par da solidez e comandos justos desta unidade, acaba por proporcionar uma experiência de condução bem gostosa e cativante. Uma “delícia” como diziam os nossos colegas do antigamente. EU QUERO UM MONZA GSE Bom, este é um dos casos em que, claramente, o querer é bem diferente do poder. Não tanto pelos valores, que são até bastante decentes comparados aos que se pedem por carros que oferecem muito menos do que O Opel Monza GSE (sim o Opel Monza ainda pode ser um investimento), seja em prazer, seja em performance ou qualidade geral, mas sim pela raridade. No total, entre OS Monza A1 (produzidos de 1977 a 1982) e os Monza A2 (entre 1982 e 1986), foram produzidas apenas 43 816 unidades, sendo que O GSE (entre 1983 e 1986) é o mais raro de todos. Pior ainda, não sendo a Opel um construtor com imagem Premium, sobretudo após essa época de gloria na competição, os Monza passaram por aquele calvário típico de todos os “carros velhos”: desvalorizaram muito e caíram em mãos de quem não tinha nem os recursos nem a vontade de os manter (até porque os custos superavam o valor comercial do carro), incluindo jovens com pouca experiência de carros potentes de tração traseira, e assim muitos acabaram a vida na sucata. Por fim, há ainda o tunning. O baixo custo dos Monza GSE durante os anos 90 e início deste século, bem como a enorme variedade de melhoramentos mecânicos disponíveis, fez com que uma parte apreciável tenha visto o motor trocado pela versão mais recente de 24v (ganhando logo mais de 20 cv, pelo menos), sido equipada com travões maiores, suspensões rebaixadas/ s/melhoradas e diferenciais autoblocantes ainda mais agressivos. Ou seja, encontrar um Opel Monza para venda em estado original não é fácil e um Monza GSE ainda mais complicado se torna; o impossível não existe, mas a verdade é que, de momento, no estado desta unidade do museu da Opel não encontrámos nenhum disponível no mercado nacional, embora isso até possa funcionar como motivação extra para os amantes/colecionadores que gostam de desafios! E, já agora, para quem gosta de carros mexidos, existe uma unidade disponível na Finlândia com uma especificação muito bem conseguida. Aliás, gostámos tanto que até deixamos aqui o contacto (+358 45 6029441). Solução: procurar fora de Portugal e usar a lei existente para veículos de interesse histórico (pela sua raridade O Monza GSE facilmente se qualifica) para fazer uma importação livre de impostos e beneficiar de outras mais valias, como, por exemplo, a isenção de IUC ou as inspeções de quatro em quatro anos. Feita a pesquisa, apenas encontrámos quatro carros, sendo dois deles automáticos (menos interessantes) e os outros dois no Mobile.de, com valores situados entre os 16 000 e os 24 000 euros, mas isto de encontrar o clássico que queremos, numa versão “não podre” e que também não nos faça ter que ir emprestar um rim ao banco, é algo que requer paciência, consultação de amigos experientes neste nicho-segmento de paixão e, acima de tudo, coibirmo-nos de ónos sentirmos demasiado ansiosos-excitados, comprando gato por lebre. Pelo que: Boa sorte, é uma missão possível! // 0 OPEL MONZA ERA CONCORRENTE DE COUPêS COMO 0 BMW SÉRIE 6 E OS MERCEDES-BENZ C123/C124, So QUE BASTANTE MAIS ACESSiVEL A VERSAO GSE FABRICADA ENTRE 1983 E 1986, COM 180 CV E CAPAZ DE ATINGIR oS 215 KM/H/, ERA ATÉ 0 OPEL MAIS RAPIDO DE SEMPRE AS FAMOSAS JANTES RONAL DE 15 POLEGADAS ESCONDEM DISCOS DIANTEIROS VENTILADOS E DISCOS TRASEITOS SúLIDOS. 0 ABS ERA DE SÉRIE NO MONZA GSE VISTO DE TRASEIRA, TEM ASSIM UM POUCO ARES DE COUPÉ ESTADUNIDENSE DOS MENOS INSPIRADOS (TIPO O MUSTANG SN95) A CAIXA GETRAG 265 DE CINCO VELOCIDADES ATINGE A VELOCIDADE MÁXIMA EM QUARTA àS 6200 RPM. A SEGUNDA FAZ 98 KM/H E A TERCEIRA ATINGE OS 154 KM/H, COM A QUINTA AO ESTILO "OVERDRIVF” A BAIXAR 0 REGIME EM 1000 RPM A 180 KM/H: DAS 5200 RPM PARA AS 4200 RPM 0s BANCOS-BACQUETS SáO RECARO COM REGULAçáO DE EXTENSáO E UM ENCAIXE PERFEITO. ALáS, T0DO 0 INTERIOR É-NOS UM LUGAR QUE PARECE QUE Já CONHECíAMOS, E ONDE VAMOS PERFEITAMENTE CONTENTES DE ESTAR, NUM REGRESSO AD PASSADO QUE PODIA SER PARA SEMPRE ATÉ COM 180 CV DE POTENCIA, TRACãO TRASEIRA, AUTOBLOCANTE E UM CHASSIS EQUILIBRADO (A DISTãNCIA ENTRE EIXOS ? DE 2668 MM), 0 OPEL MONZA GSE PODE SER BASTANTE DIVERTIDO DE CONDUZIR E BALANCEAR DE ACELERADOR, AINDA POR CIMA VAMOS BEM SENTADOS A QUINTA LONGA, A BOA AERODINÂMICA E 0 DEPóSITO DE 70 L DE GASOLINA UNEM-SE PARA PROPORCIONAR UMA ADMIRAVEL AUTONOMIA A ALTA VELOCIDADE, SENDO POSSÍVEL FAZER ENTRE 400 A 500 KM SEM PARAR (AH POIS ê, CAROS BEV DESTE MUNDO) OPEL MONZA GSE 1983 MOTôR Tipo 6 cilindros em linha GM 30E CIH com bloco em ferro, 2969 CC, OHC, 12 válvulas, injeção de gasolina Bosh LE-Jetronic Potência 180 cv às 5800 rpm Binário 248 Nm das 4200 às 4800 rpm transmissão Tração traseira, autoblocante a 40% Caixa Getrag 265 manual, 5 velocidades CARROçARIA/CHASSIS Aço estampado DIREçáO Pinhão e cremalheira assistida TRAVAGEM Discos ventilados de 271 mm à frente Discos sólidos de 279 mm atrás DIMENSôES Comprimento 4720 mm Largura 1722 mm Altura 1380 mm Distância entre eixos 2668 mm Peso 1370-1435 kg (DIN), 1510 kg (EU) Mala = litros Depósito de combustível 70 litros Pneus 205/60 R 15 PRESTAçõES Velocidade 215 km/h 0-100 km/h 8,5 seg. CONSUMOS 7,3 a 13,7 I/100 km PREçO/Cotaçáo De 16 000 a 24 000 euros AVALIAçáO AUTO DRIVE KRRZ A A.SA TRASEIRA E 0 SPOILER DIANTEIRO SáO FUNDAMENTAIS PARA BAIXAR 0 DOS 0,40 DOS OUTROS MONZA PARA 0S 0,35 D0 GSE. 4 CONSOLA CENTRAL TRAZIA DE SéRIE PORTA-CASSETES, AL6O QUE HOJE VEM MESMO A CALHAR! Pedro Silva