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MORREU WLADIMIR BRITO

Jornal O Vilaverdense Online

2026-04-08 21:07:09

Wladimir Brito, professor e referência do direito internacional público e constitucional, morreu esta quarta-feira, aos 77 anos, vítima de doença prolongada. Wladimir Augusto Correia Brito nasceu na Guiné-Bissau, mas viveu até à juventude em Mindelo, Cabo Verde, terra dos pais. Atualmente, estava radicado na cidade de Guimarães. Participou contra a ditadura e como militar na Revolução de Abril de 1974, opôs-se ao regime de partido único na Guiné em 1975-77 e em Cabo Verde e foi o redator principal da Constituição de Cabo Verde em 1992, ajudando à transição democrática. Fez a licenciatura, o mestrado e o doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra. Foi depois professor catedrático da Escola de Direito da UMinho e da Universidade Portucalense, presidente do Conselho do Ensino Superior Militar, presidente do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, diretor da revista “Scientia Ivridica” e da “Revista Jurídica Portucalense”, cofundador de várias entidades e exerceu advocacia quase 50 anos. Foi condecorado com a Primeira Classe da Medalha de Mérito pelo Presidente da República de Cabo Verde e foi-lhe atribuído o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria pela Assembleia Nacional de Cabo Verde. Recebeu também a Medalha da Marinha do Brasil e a da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Brasil), entre outras, e foi membro da lista de Conciliadores das Nações Unidas, designado pelo Governo de Portugal. Em outubro, no dia em fez 77 anos, foi homenageado numa cerimónia promovida pela Universidade do Minho e pela Comissão de Homenagem aos Democratas do Distrito de Braga. “Este foi um reconhecimento público a uma vida dedicada à liberdade, à justiça, aos direitos humanos e ao saber, num legado que perdura na academia e na sociedade lusófona”, salientou então a UMinho. GUIMARÃES EVOCA “FIGURA MAIOR” Já esta quarta-feira, a Câmara de Guimarães emitiu uma nota de pesar, sublinhando que Wladimir Brito “foi uma figura maior do pensamento jurídico e cívico no espaço lusófono, amplamente reconhecido como referência do direito internacional público e constitucional”, “Guimarães despede-se, hoje, de um homem de convicções, de coragem e de pensamento, cuja memória permanecerá ligada aos valores da liberdade, da justiça e da dignidade humana”, salienta a autarquia, numa mensagem de pesar assinada pelo presidente da Câmara, Ricardo Araújo, que apresenta as “mais sentidas condolências”. Para a autarquia vimaranense, Wladimir Brito foi um “homem de pensamento livre, de elevada cultura jurídica e de profunda intervenção cívica, cujo legado ultrapassa fronteiras e permanecerá ligado à defesa da dignidade humana, da liberdade e da justiça. A memória de Wladimir Brito perdurará como exemplo de independência intelectual, coragem democrática e serviço ao bem comum”.