REPOSIÇÃO DE INCENTIVOS LEVA ALEMÃES A COMPRAR MAIS CARROS ELÉCTRICOS DO QUE A GASOLINA
2026-04-09 21:06:15

Na Alemanha, a venda de veículos eléctricos caiu com a retirada dos incentivos no final de 2023. Agora que regressaram as ajudas, os eléctricos já vendem mais do que os carros com motor a gasolina. Se a retirada dos incentivos à venda de veículos eléctricos, em Dezembro de 2023, fez cair abruptamente a procura por modelos eléctricos (EV) na Alemanha, o regresso das ajudas, em Janeiro de 2026, teve o condão de aumentar o interesse por automóveis a bateria, que viram as vendas disparar. Em Março, este tipo de mecânicas alcançou 24% das novas matrículas no país, ultrapassando as vendas dos veículos equipados com motores a combustão (ICE), que se ficaram pelos 22,8%. A Alemanha não só é a maior economia europeia, como é o país que (folgadamente) mais veículos transacciona, inclusivamente 100% eléctricos. Daí que, quando há dois anos terminaram os incentivos à venda de carros a bateria, o volume de vendas de modelos sem motor a combustão tenha caído. Isto favoreceu os construtores germânicos que, à época, pretendiam provar - ainda que artificialmente - que os condutores europeus, com ênfase nos alemães, não se sentiam atraídos por modelos eléctricos, tentando convencer a Comissão Europeia a relaxar as regras que pretendiam banir, a prazo, a venda de modelos com motor ICE. Com a reintrodução dos incentivos para eléctricos no início do ano, a procura por EV no mercado alemão não pára de aumentar, tendo subido mais 16% em Março, mês em que dos 294.161 veículos vendidos, 24% (70.663) eram exclusivamente a bateria. Face a Março de 2025, as vendas de eléctricos em 2026 aumentaram 66,2%, incremento que baixa para 41,3% se considerarmos o comportamento do 1.º trimestre de 2026 contra o mesmo período de 2025. Ao contrário do que acontecia antes de 2023, agora o esquema de incentivos não limita o valor do veículo, tanto mais que isso ajuda as marcas de luxo germânicas, impondo apenas um rendimento familiar máximo mensal de 3.000EUR por membro do casal para aceder às ajudas, valor que para o Governo germânico é sinónimo de famílias de baixo rendimento. A imprensa alemã realça os maiores incrementos no volume de veículos eléctricos comercializados, com destaque para a BYD que cresceu 327% em Março, transaccionando 3438 unidades, seguida pela Leapmotor, com uma subida de 318% e 1388 unidades entregues a clientes, com a Tesla a vender mais 315% e a matricular 9252 novas unidades. Entre as marcas ditas tradicionais, a Opel foi quem mais cresceu (+43%), seguida da Audi (+25%) e BMW (+16,5%). Enquanto isso, os veículos equipados com motores híbridos e híbridos plug-in - sendo que estes últimos não perderam por completo os seus incentivos nos cortes de 2023 -, viram a procura aumentar em Março 16,2% e 10,4% no trimestre. Para quem pensa que só os modelos a bateria e híbridos plug-in têm o hábito de receber incentivos do Estado alemão, é bom ter presente que distribuir ajudas pela indústria automóvel é uma prática recorrente. Na Alemanha, os euros fluem com bastante facilidade rumo à indústria que é o maior pilar do país, seja a pretexto de compensação da inflacção (como acontece desde 2022), seja como subsídio à investigação e desenvolvimento (de 2020 a 2026), passando por incentivos às actividades económicas regionais (de 2014 a 2020 e depois de 2022 a 2027) e por apoios ao investimento na produção e em energias renováveis (desde 2000). A tabela das 25 marcas mais vendidas inclui algumas surpresas, como o facto de a Skoda ser o 2.º construtor que mais vende, logo atrás da Volkswagen, que continua a liderar o mercado de forma esmagadora. Entre as marcas de luxo, a BMW é a primeira, surgindo na 3.ª posição do ranking geral, à frente da Mercedes (4.ª) e da Audi (5.ª), com a Porsche a ser apenas a 23.ª marca mais vendida, acusando um tombo de 12,1% face a Março de 2025. É mesmo o único construtor de luxo cujo volume de vendas diminuiu. A venda de eléctricos continua a ser dominada pela Tesla, a 10.ª marca com mais unidades vendidas no mercado alemão, com um volume de vendas que ainda é cerca de três vezes superior ao da BYD, embora esta comercialize modelos eléctricos substancialmente mais pequenos e acessíveis, como o Dolphin Surf, o Dolphin e o Atto 2, além de modelos híbridos a gasolina. Entre as marcas chinesas, a MG aparece na 25.ª posição, atrás da BYD e com um menor crescimento, contando também ela com uma gama com veículos mais pequenos a bateria, além dos híbridos e PHEV. Ainda assim, a MG cresce 21,9% contra os 327,1% da BYD e os 315,1% da Tesla. Alfredo Lavrador