AO VOLANTE DO MINI ACEMAN SE. PODE UM MINI SÊ-LO COM DIMENSÕES MAIORES?
2026-04-12 21:09:05

O MINI Aceman foi o primeiro crossover elétrico da marca do Grupo BMW. A identidade MINI está lá apesar das dimensões deste carro - que o Auto ao Minuto pôde conduzir durante alguns dias na versão SE. Longe vão os tempos em que a MINI era associada a carros de pequenas dimensões. Exemplo disso é o Aceman, um SUV crossover 100 por cento elétrico lançado originalmente em 2024. O Auto ao Minuto teve a oportunidade de experimentar o modelo, na versão SE, durante alguns dias - ao longo dos quais o levámos a percursos de autoestrada, estrada nacional, trânsito em hora de ponta e também à cidade. Fabricado na China pela Spotlight Automotive, uma joint venture local entre a BMW e a Great Wall Motors. É um crossover familiar de pequenas dimensões, de cinco portas, posicionado na gama da marca algures entre o hatchback Cooper e o SUV Countryman Previsível e de suspensão firme Posto do condutor© Notícias ao Minuto Ao seguirmos viagem, encontrámos um MINI previsível, sem deixar de ser ágil e de ter uma suspensão firme - fazendo jus ao caráter da marca. A firmeza sacrifica um pouco o conforto, mas ao mesmo tempo não sentimos instabilidade na sua resposta. Antes de ir mais além, de fazer referência ao volante: visualmente, parece pequeno, é grosso, mas tem um revestimento com aderência e permite posicionar as mãos de forma confortável. O terceiro raio é uma fita de tecido. A direção revela uma resposta eficaz - precisa e direta. Encontramos, igualmente, uma reação do acelerador e entrega imediatas, com a pressão no acelerador a ser fácil de dosear. A posição de condução é confortável e equilibrada. Mas conduzir este MINI pode requerer alguma habituação pela instrumentação. Não há um painel de instrumentos convencional: o condutor consulta as informações ou no grande ecrã central circular (já falaremos dele mais adiante) ou no head-up display (HUD) que projeta dados essenciais no campo de visão: velocidade, limites de velocidade, aceleração, nível da bateria, instruções de navegação e ajudas à condução (limitador de velocidade ou cruise control adaptativo, por exemplo). A tela de projeção do HUD retrai-se quando o carro é desligado, contribuindo para um aspeto "clean" do tablier quando não está a ser usado. Autonomia não é o seu forte Quanto à autonomia, a MINI promete que o Aceman SE tem a possibilidade de percorrer até 407 km com a bateria de 49,2 kWh. Ao fim de mais de 220 km, restava-nos 31 por cento e uma estimativa que dava conta da possibilidade de percorrer mais uma centena de quilómetros. Assim, não iria atingir os valores prometidos pela marca, sendo que os consumos médios também ficaram longe dos 14 a 14,7 kWh/100 km anunciados - aproximando-se dos 17 kWh/100 km. No entanto, há que ressalvar que não tivemos um cuidado especial com a poupança de energia. Em menos de meia hora, carregámos dos 31 aos 84 por cento, ganhando uma autonomia estimada para 281 km. O posto de carregamento não aceitava a potência máxima admitida pelo modelo (95 kW, que lhe permite recuperar dos 10 aos 80 por cento em 31 minutos). Ainda assim, para um posto de 50 kW, não consideramos um tempo de carregamento desapontante. Interior divertido e funcional Dentro do MINI Aceman SE© Notícias ao Minuto Por dentro do MINI Aceman SE, encontramos muito plástico, mas a construção é razoável. O formato das portas, "primeiro estranha-se, depois entranha-se", enquanto o tablier é revestido num tecido um pouco áspero ao toque. Já os bancos surgem numa pele sintética muito suave. Também no tablier, há projeções luminosas que, principalmente à noite ou em condições de baixa iluminação, conferem um caráter particularmente animado e bem-disposto a este automóvel de uma marca britânica, com "ADN" alemão da BMW e produção chinesa. Também divertido é o já icónico ecrã central OLED circular do MINI, com diversos grafismos e que dá acesso ao infoentretenimento e a funções essenciais como a integração dos smartphones ou o mapa de navegação, por exemplo. A habituação inicial pode ser desafiante, mas uma vez familiarizado, revela-se um sistema amigo do utilizador. Através do mesmo ecrã, veem-se as diferentes interações visuais dos modos de condução - os MINI Experience Modes, selecionáveis através de um botão no "cluster" logo abaixo do ecrã. São eles: Go-Kart, Core, Green, Personal, Vivid, Timelesse, Balance e Trail. Destes, o Green e o Go-Kart têm uma influência marcante no comportamento do carro - em Green mais adaptado à poupança, em Go-Kart com uma "alma" mais desportiva. O Go-Kart também permite aceder a informações pouco habituais: medidor de força G e informações sobre binário e potência instantânea. Já em Trail, podemos ver a inclinação lateral e longitudinal do carro, ao passo que em Timeless acedemos a um velocímetro digital de estilo clássico. De resto, há quatro portas USB-C para carregamento (duas à frente, outras tantas atrás), um conveniente apoio para braços integrado no banco do condutor (por baixo do qual está um pequeno compartimento de arrumação tapado). Há porta-copos, carregador wireless para smartphones e uma boa quantidade de botões físicos para funções essenciais: quer no volante, quer abaixo do ecrã central com formatos que fazem lembrar carros de outros tempos. Aliás, o interior tem um desenho que tem um certo toque retro, sem deixar de se ver a modernidade. Porém, não há controlos físicos para o sistema de climatização, o que pode levar a distrações. Os bancos são um pouco rígidos, especialmente se pretender enfrentar viagens mais longas - que nunca poderão ser de centenas e centenas de quilómetros seguidos sem pausas devido às limitações impostas pela autonomia disponível. O espaço à frente é razoável mas, atrás, consideremos que o espaço para as pernas podia ser um pouco mais generoso. O habitáculo revela uma boa insonorização e não se sente a velocidade, num MINI Aceman SE que tem uma bagageira com apenas 300 litros de capacidade - expansíveis para mais de 1.000 litros a sacrifício dos bancos traseiros ficarem indisponíveis. Design e dimensões A parte traseira do MINI Aceman SE© Notícias ao Minuto Em termos de design, as linhas da MINI estão lá (e estão relativamente próxima das do "irmão mais crescido" Countryman). É um carro de visual jovem, robusto e até certo ponto aventureiro, com um toque clássico e moderno ao mesmo tempo e até alguma "energia" desportiva. E capta a essência daquilo que é a marca de origem britânica. Cavas das rodas marcadas, para-choques de dimensões razoáveis, farolins traseiros angulares com um padrão de iluminação, a integração do spoiler traseiro, o contorno da grelha frontal ou os faróis com formato entre o arredondado e retangular são alguns dos elementos que se destacam. O Aceman SE testado tem barras de tejadilho e estava pintado num vermelho a pender para o cor-de-laranja (Rebel Red) com tejadilho, capas dos espelhos retrovisores exteriores, para-choques e cavas das rodas em preto contrastante. Em termos de peso em ordem de marcha, atinge os 1.785 kg - o que não é um exagero, considerando que estamos perante um elétrico. A distância entre eixos é de 2.606 milímetros. Com travão, é possível rebocar até 750 kg. A largura é de 1.754 milímetros e altura é de 1.514 milímetros, ao passo que o comprimento é de 4.079 milímetros - embora pareça mais curto visualmente. ESPECIFICAÇÕES TECNICAS MINI ACEMAN SE MOTOR Posição Eixo dianteiro Arquitetura Motor síncrono Potência 218 cv Binário 330 Nm TRANSMISSÃO Tração Dianteira Caixa de velocidades Automática de uma relação CHASSIS Suspensão FR: MacPherson; TR: Multi-link Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos Direção Assistência eletro-mecânica DIMENSÕES E CAPACIDADES Comp. x Larg. x Alt. 4.079 mm x 1.754 mm x 1.514 mm Distância entre eixos 2.606 mm Capacidade da mala 300 l (expansível até 1.005 l) Capacidade da bateria 49,2 kWh Rodas FR: 225/40 R19; TR: 225/40 R19 Peso 1.785 kg PRESTAÇÕES E CONSUMOS Velocidade máxima 170 km/h Autonomia 407 km Carregamento rápido 10-80% 31 minutos 0-100 km/h 7,1s Consumo misto 14,7 kWh/100 km Emissões CO2 0 g/km 7,5 0-10 ANÁLISE O MINI Aceman SE é um carro previsível e amigo do condutor, que tem uma suspensão algo firme e cuja autonomia não impressiona nem convida a viagens muito longas. É divertido conduzir e seguir a bordo deste carro, que é muito competente para o uso no dia-a-dia e nas cidades. Não é para famílias numerosas nem para quem procura percorrer longas distâncias com uma certa frequência. E tem um desenho contemporâneo, sem perder a essência da MINI. Previsibilidade Desempenho Design Autonomia Espaço atrás Faltam controlos físicos para a climatização Bernardo Matias