AEROESPACIAL E DEFESA EXPORTAM 92% DO QUE PRODUZEM
2026-04-13 21:06:15

O presidente do AED Cluster, José Neves, revela que os setores da aeronáutica, espaço e defesa têm vindo a consolidar o seu peso na economia, com forte orientação externa, Os setores aeroespacial e defesa em Portugal exportam 92% da produção e deverão crescer acima de 10%, atingindo novos máximos em volume de negócios e emprego, segundo o presidente do AED Cluster. Em entrevista à Lusa, ainda antes do acordo de cessar fogo entre os EUA, Israel e o Irão, José Neves detalhou que os setores da aeronáutica, espaço e defesa (AED) têm vindo a consolidar o seu peso na economia, com forte orientação externa, sublinhando que “92% do que é produzido é exportado”. Questionado sobre os principais destinos dessas exportações, apontou que é, “garantidamente, o Brasil, por causa da produção da Embraer em Portugal e da relação muito próxima” ao país. Depois vêm Espanha, França e Alemanha, “acima de tudo porque temos empresas com base em solo português, mas cuja casa-mãe está em França“, como é o caso da Airbus. Segundo o responsável, os dados mais recentes, relativos a 2024, apontam para um volume de negócios de 2,1 mil milhões de euros e cerca de 20 mil postos de trabalho, antecipando-se um crescimento de pelo menos 10% em 2025. O cluster integra atualmente cerca de 180 entidades entre empresas, universidades e centros de investigação de aeronáutica, espaço e defesa, refletindo a expansão de um setor que tem vindo a ganhar dimensão na última década. José Neves destaca que Portugal tem vindo a reforçar capacidades industriais em várias áreas, desde a aeronáutica ao espaço, incluindo o desenvolvimento de satélites, drones e sistemas de comunicações. “Estamos hoje a fabricar satélites e lançadores de satélites, algo inimaginável, se calhar, há 10 anos“, afirmou. A par do crescimento industrial, o setor mantém uma forte integração nas cadeias de valor internacionais, com componentes produzidos em Portugal a integrar aeronaves de fabricantes globais. “Todas as aeronaves da Embraer, da Airbus e da Boeing levam a bordo componentes ou peças fabricadas em Portugal”, disse. José Neves sublinha ainda a importância da articulação entre indústria, Estado e Forças Armadas para sustentar o crescimento do setor. “É o triângulo entre a indústria, as Forças Armadas e o Governo“, afirmou, defendendo um maior alinhamento entre necessidades operacionais e desenvolvimento industrial. Segundo o responsável, este trabalho conjunto é essencial para garantir que Portugal desenvolve capacidades próprias e aumenta a incorporação nacional nos grandes projetos de defesa. Neste contexto, defende que a área da defesa e aeroespacial pode vir a assumir um peso relevante nas exportações portuguesas, à semelhança de outros setores industriais. As exportações na área da defesa representam atualmente menos de 1% do total, um valor que o responsável admite que é “pouco”. “Estamos a falar de sistemas de drones e de comunicações, mas no futuro vamos ter satélites, lançadores e aeronaves. Portanto, vamos ter uma panóplia muito maior”, apontou. “Temos que ambicionar que as exportações na área da defesa possam ser 2 ou 3% no futuro“, afirmou, apontando um horizonte de cerca de 10 anos. José Neves estabelece uma comparação com o impacto da indústria automóvel na economia nacional, referindo que a Autoeuropa “representa 3% das exportações nacionais” e que o setor da defesa poderá seguir uma trajetória semelhante. “Neste momento, dos automóveis produzidos na Europa, 95% têm algo produzido em Portugal. Portanto, nós queremos também ter essa ambição na área da defesa”, apontou. Esse crescimento dependerá também da capacidade de atrair investimento, desenvolver produtos com maior valor acrescentado e reforçar os recursos humanos qualificados. Lusa