SÓ 6% DAS CONVENÇÕES COLETIVAS TÊM ORDENADOS DE ENTRADA DE MIL EUROS
2026-04-13 21:06:21

No ano passado, 22 convenções coletivas publicadas estabeleciam este patamar mínimo para 19,5 mil trabalhadores. São poucas, estão sobretudo concentradas nas profissões da saúde e no setor financeiro, e em parte em multinacionais estrangeiras, ao mesmo tempo que abrangem uma percentagem muito reduzida de trabalhadores. O levantamento do último relatório anual da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) sobre a contratação coletiva mostra que, em 2025, houve 22 convenções coletivas com remunerações mínimas de pelo menos mil euros. Ao certo, apenas 6% dos instrumentos publicados. Nos cálculos do Negócios, com base na listagem da DGERT, os trabalhadores abrangidos por tabelas salariais que garantiram este patamar mínimo foram no ano passado 19.531. É um universo muito reduzido, quando considerado o número global de mais de 992 mil trabalhadores por conta de outrem que tiveram instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho renovados, correspondendo a 2% do total. 22CONVENÇÕES No ano passado, apenas 22 das 378 convenções coletivas determinavam pelo menos mil euros como remuneração mínima. A dar o principal contributo para estes números está a área financeira. Foram sete os acordos coletivos e acordos de empresa que, neste setor, asseguraram salários de entrada mínimos de mil euros, com as remunerações convencionais de base a situarem-se entre os 1.033 e os 1.107 euros. O acordo negociado entre BNP Paribas e Mais Sindicato é aquele que mais trabalhadores abrange - ao certo, 5.739 - representando mais de um quarto do universo total daqueles que estão a coberto de tabelas que oferecem um salário de entrada de mil euros. O setor da saúde também tem bastante peso nestas contas, considerando os salários mínimos das carreiras de médicos e enfermeiros. O acordo coletivo entre Sindicato Independente dos Médicos e Centro Hospitalar Universitário de Coimbra e outras é o que apresenta maior número de abrangidos - 5.140 médicos - tendo como remuneração convencional mínima 3.351 euros. Já os acordos entre Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e sindicatos de enfermeiros colocaram o patamar mínimo nos 1.550 euros para 813 profissionais. A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada e o Sindepor colocam o valor mínimo nos 1.300 euros. O setor industrial tem também exemplos para mostrar. O acordo de empresa das OGMA, sob controlo da brasileira Embraer, oferecia no ano passado mil euros à entrada, enquanto a espanhola Repsol Polímeros, instalada em Sines, punha a fasquia nos 3.601 euros. Também a Cimpor, detida por um grupo de Taiwan, tinha na base da tabela 1.206 euros. No comércio, só o contrato coletivo entre Associação Nacional de Farmácias e SIFAP assegura o patamar acima de mil euros (1.200 euros de remuneração convencional mínima). Já no alojamento e restauração, destaca-se o acordo entre FESAHT e a empresa portuguesa Newrail, que explora os bares de comboio da CP, com um salário de entrada de mil euros. Nos transportes, são exemplo de mínimos acima de mil euros as convenções com o Metro Mondego, Medtug Sines, Medway. Entram ainda para esta lista os acordos para os trabalhadores da empresa municipal de gestão desportiva de Lagos e da Associação Académica de Coimbra. Maria Caetano mariacaetano@negocios.pt Maria Caetano