PORQUE OS PNEUS DOS ELÉTRICOS SE GASTAM MUITO MAIS DEPRESSA DO QUE OS DOS CARROS A COMBUSTÃO
2026-04-14 21:09:09

guteksk7 / Depositphotos Os elétricos tendem a desgastar os pneus até 20% mais depressa do que os automóveis a combustão. Dois fatores explicam essa diferença: os elétricos têm um binário instantâneo, e muitas vezes são mais pesados. Mas há formas de ajudar a aumentar a vida útil dos pneus - dos elétricos e não só. Os veículos elétricos continuam a ganhar popularidade, sobretudo à medida que os preços dos combustíveis sobem, e surgem novas tecnologias de baterias que ajudam estes automóveis a rivalizar com os modelos tradicionais com motor de combustão, com autonomias mais alargadas e funcionalidades adicionais. No entanto, apesar dos avanços alcançados por muitos destes veículos mais recentes, continua a haver um problema que afeta os proprietários de elétricos: o desgaste dos pneus. Mas porque é que os veículos elétricos são mais propensos a gastar os pneus mais rapidamente do que os automóveis convencionais a combustão? A resposta está numa combinação de vários fatores, explica o BGR. Importa começar por reconhecer a rapidez com que os elétricos podem consumir pneus. Segundo afirmou em 2021 no Clean Fleet Report Scott Clark, ex-CEO da Michelin, os elétricos tendem a desgastar os pneus até 20% mais depressa do que os automóveis convencionais a combustão. Não é claro se essa percentagem exata continua válida mais de 5 anos depois. Ainda assim, pouco mudou de forma substancial no funcionamento dos elétricos durante esse período: continuam a ter mais binário instantâneo do que os carros a combustão e, muitas vezes, pesam mais. Tudo isto exerce maior pressão sobre os pneus, o que acelera o seu desgaste. Há ainda outro fator a ter em conta, diz o BGR: os carros elétricos precisam de pneus concebidos especificamente para este tipo de veículo. A Michelin explica que os pneus para elétricos são desenvolvidos com recurso a “técnicas avançadas”, o que permite criar uma estrutura resistente e de elevado desempenho para o pneu, a que a empresa chama “carcaça”. Alguns destes pneus apresentam até ângulos diferentes nas cinturas, o que pode ajudar a otimizar a forma do pneu. Peso e conceção Para quem tem um veículo elétrico, perceber porque é que os pneus se desgastam é essencial para encontrar formas de prolongar a sua vida útil. Como referimos acima, o peso do veículo e a quantidade de binário instantâneo, que é, no essencial, o que permite ao elétrico acelerar mais depressa desde a imobilidade e melhorar o comportamento dinâmico, são dois fatores centrais para explicar este desgaste. Estes dois fatores exigem mais fricção durante a aceleração, o que significa que os pneus têm de assegurar maior aderência. Alguns veículos elétricos podem até necessitar de pneus específicos para compensar o impacto do aumento de peso e do binário instantâneo. Embora haja pouco a fazer para contrariar os efeitos do binário instantâneo, pelo menos sem alterar de forma radical o modo como os elétricos funcionam, há medidas que podem ajudar a mitigar o impacto do peso. Atualmente, algumas versões elétricas de modelos populares podem pesar mais de 1.360 quilos acima das suas equivalentes a combustão. Grande parte dessa diferença deve-se às células de bateria, que são caras e pesadas. À medida que forem surgindo novos desenvolvimentos na tecnologia das baterias para veículos elétricos, esses pesos irão inevitavelmente mudar. Ainda assim, muitos desses avanços parecem continuar a vários anos de distância de uma adoção generalizada. Há também o facto de muitos pneus para veículos elétricos serem concebidos para oferecer menor resistência ao rolamento, o que ajuda a aumentar a autonomia e a reduzir o ruído de circulação. Esses pneus incluem frequentemente flancos mais rígidos, pisos mais estreitos e menos profundos, bem como compostos de borracha mais duros na banda de rodagem. Naturalmente, a composição do pneu pode influenciar de forma decisiva a sua durabilidade, e uma menor profundidade do piso pode traduzir-se numa vida útil mais curta. Como tirar mais partido dos pneus A Michelin recomenda a escolha de pneus especificamente concebidos para o perfil dos veículos elétricos como uma das melhores formas de garantir a máxima durabilidade possível. Além disso, seguir rotinas simples de manutenção, como a rotação e o alinhamento dos pneus, pode também ajudar a assegurar que estão preparados para a utilização diária, ao mesmo tempo que mantém o automóvel em condições ideais de funcionamento. E, claro, é importante vigiar a pressão dos pneus e garantir que circula sempre com a pressão correta - embora muitas destas recomendações também se apliquem aos veículos com motor de combustão. A Michelin acrescenta que, apesar de ser aliciante aproveitar o binário instantâneo oferecido pelos elétricos, o melhor é moderar a frequência com que se acelera de forma brusca, o que ajuda a reduzir a fricção exercida sobre os pneus nas acelerações rápidas, dando-lhes assim maior durabilidade a longo prazo. Em última análise, uma das melhores formas de prolongar a vida dos pneus de um veículo elétrico passa por antecipar essa necessidade e optar por pneus classificados para uma maior longevidade. Mas essa opção também faz subir o preço médio dos pneus para elétricos e não é uma solução infalível, sobretudo tendo em conta o efeito do binário instantâneo, mas pode pelo menos garantir alguma tranquilidade extra. ZAP // ZAP