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JORDI VILA: VAMOS PASSAR À ELETRIFICAÇÃO

Nascer do Sol Online

2026-04-14 21:09:09

A estratégia da Nissan para responder aos construtores chineses passa por apresentar múltiplas soluções energéticas e oferecer ao cliente bons produtos a preços competitivos. Jordi Vila é atualmente vice-presidente da divisão de Marketing e Vendas da Nissan Europa e presidente da Nissan África. Nos últimos 30 anos desempenhou diversos cargos de relevo na Nissan, onde foi preciso mostrar serviço para resolver problemas e obter resultados. Num momento em que a indústria automóvel passa por uma profunda transformação e enfrenta sérios desafios com as guerras na Ucrânia e Médio Oriente, Jordi Vila falou ao Nascer do SOL sobre a transição para a mobilidade elétrica, e de que forma isso vai alterar os hábitos do consumidor. A chegada dos construtores chineses teve impacto na dinâmica do mercado, mas em nada mudou a estratégia da marca, que tem o foco no cliente, na diversificação tecnológica e no lançamento de novos produtos com preços competitivos. Fora do âmbito profissional, este executivo, que nasceu em Barcelona, tem um espírito aventureiro e ocupa o tempo livre a pilotar aviões, fazer vela e jogar ténis. Como vê a evolução no setor automóvel e como define o mercado atualmente? Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Tenho uma longa experiência e passei por algumas etapas, o que me permite dizer que a evolução tem sido enorme. Neste momento, estamos numa fase de grande transformação com a eletrificação. Não significa isso que todos os veículos sejam elétricos, mas há uma forte tendência nesse sentido na Europa, com Portugal incluído. Por outro lado, há uma maior concorrência com a chegada dos construtores chineses. Outra caraterística do momento atual tem a ver com a mudança na legislação. Há mais regulação e isso impacta com a tecnologia e com o desenvolvimento de novos produtos. Cada marca tem a sua estratégia para acompanhar essa mudança. Como é que a Nissan se adaptou? Nos últimos anos passámos por diversas fases. Tivemos um grande crescimento a nível mundial, agora estamos num período de reset e o nosso principal objetivo é produzir bons automóveis, bons motores e antecipar a eletrificação na Europa. Este ano, vamos dar início a um novo ciclo de produtos. Em que ponto se encontra a Nissan na estratégia de mobilidade elétrica? Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Fomos os pioneiros com o lançamento do Nissan Leaf em 2010. Naquela época, havia muita gente que não acreditava numa solução que é, hoje em dia, uma realidade. A mobilidade sustentável avança a diferentes velocidades e a estratégia da Nissan consiste na eletrificação. O lançamento do novo Micra e do Leaf em 2026 fazem parte dessa estratégia, que terá continuidade no próximo ano com a apresentação de outros modelos. A implementação dessa estratégia é feita com veículos 100% elétricos ou há outras alternativas? Estamos a apostar em modelos elétricos, mas também em veículos eletrificados com a tecnologia e-Power que, do nosso ponto de vista, é única entre os híbridos, e teremos também híbridos num conceito mais tradicional. Temos diversas soluções, mas os últimos lançamentos, incluindo veículos comerciais, foram 100% elétricos. Há um debate aceso entre as vantagens dos elétricos face aos automóveis com motor de combustão interna. Como será o futuro? Quem vai ganhar a guerra de tecnologias? Não vejo isso como uma guerra, são apenas pontos de vista diferentes. Como construtor não temos dogmas, a nossa obrigação é apresentar soluções. Inevitavelmente, vamos passar à eletrificação e, em termos estratégicos, não podemos ficar dependentes das motorizações do passado. Aliás, alguns tipos de motores já desapareceram da gama. Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Então, o futuro vai ser somente elétrico? Não tenho dúvidas de que os elétricos vão ser preponderantes. A tecnologia das baterias está a evoluir muito rapidamente e, dentro de alguns anos, a autonomia vai ser muito superior. Porém, sabemos que essa transformação vai acontecer a velocidades distintas, pois temos a consciência de que a população na Europa ou em qualquer outra parte do mundo não tem a mesma facilidade para carregar as baterias. Por essa razão, temos diferentes soluções para os próximos anos, sobretudo com modelos eletrificados, sendo que a tecnologia da terceira geração do e-Power é melhor em termos de performances do que a tecnologia híbrida. O consumidor está preparado para fazer essa mudança? O consumidor sim, o que não está preparado é a envolvência. Há dois aspetos que são determinantes: devia haver incentivos justos em toda a Europa para compensar o custo de utilização de um carro elétrico a três anos. Depois, era importante haver mais infraestruturas. Nos países do norte da Europa isso acontece, mas em outros países depende muito das zonas. Portugal está bastante avançado nesse sentido. Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Os governos europeus deviam ser mais ativos para acelerar a transformação energética? Absolutamente. Há muitos anos que peço aos governos centrais e ao poder local essa colaboração, pois têm a responsabilidade de criar parques e infraestruturas para os carros elétricos. É uma decisão política e nós, setor automóvel, não podemos fazer muito mais. Os construtores têm força suficiente para influenciar os governos e a União Europeia? Temos força, mas não a suficiente. Escutam-nos e há um bom diálogo, mas nem sempre temos o que desejamos. Existe um perfeito entendimento em relação à legislação europeia, a situação difere um pouco no que diz respeito à adaptação dessa legislação às leis nacionais de cada país, como é o caso dos postos de carregamento que é um tema local. Existe a ideia de que os carros elétricos são caros. Como justifica esse preço? O preço pode ser mais caro, mas o consumo é menor, a manutenção é muito inferior e, em alguns países, têm vantagens fiscais. Não podemos olhar apenas para o preço, que tem vindo a baixar, temos de avaliar o custo de utilização a três ou cinco anos, e, na maioria dos casos, é igual ou melhor do que num carro com motor de combustão. A prova disso é que os mercados de frotas só têm veículos elétricos devido aos baixos custos de utilização. Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM A Nissan está a trabalhar em várias áreas com vista aos automóveis do futuro. Quer deixar algumas pistas? Vamos melhorar aquilo que temos, nomeadamente o sistema e-Power e as baterias. Estamos a desenvolver baterias em estado sólido que são mais económicas e têm maior autonomia. Para o cliente, vai ser um enriquecimento gradual no sentido de ter um veículo integrado e mais ecológico. Os veículos autónomos podem ser uma realidade em breve? Já temos veículos totalmente autónomos, mas continuamos a trabalhar na segurança, bem-estar a bordo e sustentabilidade desses veículos. Continuamos a realizar testes em Inglaterra e no Japão, mas a sua comercialização depende muito do ecossistema legislativo. Qual a importância da Fórmula E para a Nissan? É fundamental para nós competir a este nível. A Fórmula E possui uma tecnologia de baterias e software muito sofisticados. Aprendemos muito com as corridas, nomeadamente com a regeneração das baterias e com a travagem, esses ensinamentos são aplicados nos carros do dia a dia. É também uma declaração de intenções sobre o papel da Nissan. Além disso, há uma grande proximidade com o público e isso é uma vantagem para todos. Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM [Additional Text]: Jordi Vila: “Vamos passar à eletrificação” Joao Sena