GRUPO VOLKSWAGEN ESTÁ A VENDER MENOS ELÉTRICOS EXCEPTO NUMA MARCA
2026-04-16 21:05:54

Desde o início do ano que as entregas de elétricos no Grupo Volkswagen têm sofrido quedas, à excepção de uma marca, que quase as duplicou Desde o início do ano que as entregas de elétricos no Grupo Volkswagen têm sofrido quedas generalizadas, à excepção de uma marca, que quase as duplicou. O primeiro trimestre de 2026 não trouxe os números esperados para o Grupo Volkswagen. As entregas foram de 2,05 milhões de veículos, o que corresponde a uma descida de 4% face ao período homólogo. Nos elétricos, a queda foi mais acentuada: as entregas caíram 7,7% para 200 mil unidades. Mas no meio deste cenário há uma marca no grupo - a única - que está em contra-ciclo: a Skoda. A marca checa foi a única do grupo a crescer no geral e especialmente nos veículos elétricos. Fenómeno chamado Elroq A Skoda entregou 271 900 unidades nos primeiros três meses de 2026, mais 14% do que no período homólogo, mas nos elétricos esse crescimento foi brutal: mais 91,9% totalizando 51 800 unidades. O grande responsável? O Skoda Elroq. O SUV foi o elétrico mais vendido de todo o grupo no trimestre, acumulando 29 700 unidades, ao mesmo tempo que disputa o título de elétrico mais vendido da Europa com o Tesla Model Y. O sucesso do Elroq compensou as quedas de outros elétricos do grupo, como os Volkswagen ID.3, ID.4 e ID.7, o que fez com que as contas dos elétricos na Europa tenham fechado positivas: 176 400 entregas, mais 11,5% do que no período hómologo. O cenário nos EUA e na China, no que respeita aos elétricos, é muito mais tenebroso. Nos EUA, após o fim dos incentivos o ano passado, as vendas de elétricos estão pelas ruas da amargura e no Grupo Volkswagen não é excepção: deram um tombo de 80,1%, para cerca de 4000 unidades. Face a este cenário, a Volkswagen decidiu acabar com a produção do ID.4 na sua fábrica de Chattanooga, no estado do Tennessee. © Volskwagen O fim da produção do Volkswagen ID.4 na fábrica do Grupo no Tennessee, EUA, poderá resultar numa despesa equivalente a 60% a 75% do investimento de 800 milhões de dólares que foi feito para reequipar a fábrica de Chattanooga para produzir o modelo, disseram analistas da Bernstein. Na China, o cenário não é muito melhor, com as entregas de elétricos do Grupo Volkswagen a terem caído 63,8%, para as 9400 unidades. Uma queda grande, justificada, em parte, pelo fim da isenção do imposto de compra que os elétricos beneficiavam desde o início do ano. Todos os elétricos e híbridos plug-in, desde janeiro, passaram a pagar um imposto de compra de 5%, ainda assim metade do que os modelos só a combustão pagam. Além da Skoda, a divisão Volkswagen Veículos Comerciais também tem motivos para sorrir, ao ter entregue 13 100 elétricos desde o início do ano, mais 22,5% do que no período homólogo. No total, as suas entregas cresceram 10,1%, para 88 900 unidades. E as restantes marcas do Grupo? No que diz respeito às entregas de veículos elétricos, no primeiro trimestre, a Volkswagen registou a maior queda entre todas as marcas: -34,4%, para 62 400 elétricos entregues. Em 2025, no mesmo período, o construtor alemão tinha entregue 95 200 unidades. A Porsche também teve uma queda acentuada de 34,2% entre janeiro e março: a marca de Estugarda entregou 12 100 elétricos. Recorde-se que a Porsche atravessa um período especialmente conturbado, depois de ter anunciado um “realinhamento da sua estratégia de produto” com maior enfoque nos motores de combustão, decisão que terá gerado encargos extraordinários de cerca de 3,1 mil milhões de euros no exercício fiscal de 2025. A SEAT e CUPRA (-4,4%) e a Audi (-9,4%) também registaram quedas nas entregas de elétricos, com maior destaque para o construtor alemão. A Lamborghini e a Bentley ainda não têm elétricos nas suas gamas, mas a Bentley vai adicionar o seu primeiro elétrico ainda este ano : Mariana Teles