FERNANDO DANIEL: "EU QUERO SER JUSTO"
2026-04-17 21:06:05

O distrito de Aveiro e a Área Metropolitana do Porto passam a contar com um novo polo cultural impulsionado por Fernando Daniel que, como aqui revelámos, lançou recentemente um novo tema musical. O projeto ganhou forma no antigo espaço da discoteca Pildrinha, junto à Praia do Furadouro, transformado num complexo com cerca de mil metros quadrados. O edifício integra três salas de aulas, duas régies, estúdio de vídeo, sala de ensaios, vocal booth, ciclorama, tone library e uma área de captação com 100 metros quadrados, além de um bar interno, lounge empresarial, museu dedicado ao percurso do cantor (mediante marcação) e loja oficial. Batizado de estúdios Nagana, o conceito começou a desenhar-se durante a pandemia. A designação surgiu de forma espontânea, como explicou o próprio músico: “Um dia deu-me na gana ter o meu próprio espaço e foi assim. Gana significa querer, vontade, raça, e isso também caracteriza a forma como este estúdio nasceu”. A ideia inicial rapidamente evoluiu para um projeto com dimensão social, incluindo uma escola com diferentes níveis de propinas, pensada para garantir acesso à formação musical a quem não dispõe de meios. Fernando Daniel recordou, à Lusa, um percurso marcado por limitações financeiras e aprendizagem autodidata: “Quando eu era miúdo, os meus pais não tinham muitas possibilidades e não havia sequer a hipótese de eu aprender música numa escola, portanto aprendi no computador das minhas irmãs, um daqueles que ainda era de torre e lia disquetes. Vi coisas no Youtube, quando aquilo era ainda muito arcaico; vi tutoriais e cantei em karaoke; vi como se tocava guitarra, piano, etc.; e fui aprendendo”. Após várias tentativas de colaboração com autarquias sem avanços concretos, o projeto avançou por iniciativa própria, enfrentando custos elevados logo na fase inicial das obras. A requalificação contou com o apoio de 15 empresas parceiras, responsáveis por fornecer materiais e equipamentos. As parcerias permitirão também sustentar bolsas de estudo, somadas às 10 asseguradas pelo próprio artista, incluindo encargos com professores e instrumentos. O processo de seleção terá critérios rigorosos, como explicou Fernando Daniel: “Eu quero ser o mais justo possível porque me lembro de andar na escola e haver miúdos com escalão igual ao meu, mas, enquanto eu tinha que me levantar muito cedo e ia a pé, alguns deles chegavam de Porsche e tinham na mesma os livros de graça, quero evitar esse tipo de coisas aqui”. Miguel Ângelo