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BUILDING OF THE YEAR 2026: SEDE DA EDP EM LISBOA VENCE “EDIFÍCIO DO ANO”

Idealista Online

2026-04-17 21:06:06

Obra emblemática em betão, construída pelo grupo DST, de Braga, foi distinguida pelo ArchDaily na categoria de escritórios. Há edifícios que não se limitam a ocupar espaço. Mudam a forma como olhamos para uma cidade, reescrevem a paisagem e tornam-se cenário silencioso de novas rotinas urbanas. Em Lisboa, junto ao Tejo, nasceu um desses protagonistas discretos mas incontornáveis: a nova sede da EDP. Um colosso de betão aparente e luz, desenhado para trabalhar, mas também para ser vivido, atravessado e observado.  Agora, o mundo tomou nota. O portal internacional  de arquitetura ArchDaily elegeu este projeto como “Building of the Year 2026”, na categoria de Escritórios , e, no centro desta história, está uma construtora de Braga que fez do betão uma espécie de assinatura: o grupo DST. PublicidadeUm prémio global com ADN portuguêsConstrução do edifício: do projeto à obraUm miradouro de betão sobre o TejoDois prémios e um país em destaqueOs 15 vencedores do “Building of the Year 2026”Um prémio global com ADN português Créditos: Francisco Nogueira O título de “Edifício do Ano” não é apenas mais um selo para o portefólio. É um reconhecimento internacional da arquitetura feita em Portugal e, em particular, da engenharia que nasce em Braga e se afirma lá fora. O projeto da nova sede da EDP foi desenhado pelo chileno Alejandro Aravena, vencedor do Pritzker, em colaboração com o arquiteto português João Luís Carrilho da Graça. A dupla pensou um edifício de escritórios que vai além da função: é também praça, miradouro, percurso urbano. A obra ficou nas mãos do dstgroup. Várias empresas do grupo bracarense integraram o projeto: bysteel, dte, tbetão, tgeotecnia, tlaboratório, tmodular, tagregados e bim+. Um esforço conjunto, altamente técnico, que agora vê o seu impacto reconhecido a nível mundial. Construção do edifício: do projeto à obra Créditos: Francisco Nogueira Este não é um edifício que se esconde. As fachadas em betão à vista assumem-se como pele e estrutura e não há maquilhagem excessiva: há textura, matéria, peso. O complexo é composto por duas torres, nascente e poente, interligadas na cave. A escala é tudo menos tímida: 23.800 metros quadrados (m2) de área bruta de construção;11.400 m2 de área útil para serviços;4 pisos de estacionamento;257 lugares, 97 dos quais públicos. Na base, uma estrutura de betão armado, nos pisos superiores, uma solução mista que combina leveza e resistência e em todo o edifício uma geometria que impõe respeito. Entre as duas torres, um gesto arquitetónico faz a diferença: um túnel em forma de abóbada, com 10 metros de largura, ao nível do piso 0. Por detrás do impacto visual, há números que contam outra parte da história: 22.000 m3 de betão;3.700 toneladas de aço;45.000 m2 de cofragem, estudada ao detalhe. No interior, o edifício troca a robustez do betão pela proximidade da matéria quente. A protagonista é a madeira maciça de Acácia da Austrália, cerca de 3.000 m2 aplicados em paredes e tetos. Este uso extensivo de madeira traz conforto visual e tátil. Acolhe, suaviza e humaniza o espaço de trabalho. Outro elemento em destaque são os cerâmicos Viúva Lamego. Mais de 3.500 m2 de peças produzidas e pintadas à mão, autênticas obras de arte que revestem paredes e caixas de elevadores panorâmicos. No exterior, ao centro do edifício, abre-se uma praça pública. Um vazio pensado para ser vivido, atravessado por trabalhadores, visitantes, lisboetas curiosos. Aqui, o edifício deixa de ser “apenas” sede de empresa e passa a fazer parte da cidade. Dessa praça, nasce ainda um dos elementos mais inesperados: um miradouro. Um miradouro de betão sobre o Tejo Créditos: Francisco Nogueira O miradouro projeta-se sobre a paisagem com a confiança de quem sabe o que vale: 50 metros de extensão;20 metros em consola, suspensos no ar. É uma varanda monumental para o Tejo. Um lugar pensado para parar, respirar, ver Lisboa de outra perspetiva. Dois prémios e um país em destaque Créditos: Fernando Guerra Portugal não brilhou apenas em Lisboa. Na mesma edição do “Building of the Year 2026”, outro projeto nacional foi distinguido: a reabilitação de uma antiga fábrica de conservas, em Matosinhos, venceu na categoria de Arquitetura Industrial. Os 15 vencedores do “Building of the Year 2026” The ET-302 Memorial, Etiópia Créditos: Aron Simeneh Entre milhares de nomeações do mundo inteiro, o ArchDaily distinguiu 15 projetos em diferentes categorias. Eis os vencedores: Categoria Melhor Aplicação de Produto: The ET-302 Memorial / Alebel Desta Consulting Architects and Engineers, Etiópia;Categoria Arquitetura Comercial: Neuhoff District / S9 Architecture, Estados Unidos; Categoria Arquitetura Cultural: Anatomia de um Dhow, Pavilhão do Bahrein, Expo Osaka 2025 / Lina Ghotmeh Architecture, Japão;Categoria Arquitetura Educacional: Edifício de Ciências Humanas - Universidade Industrial de Santander / taller de arquitetura de Bogotá, Colômbia;Categoria Arquitetura de Saúde e Bem-Estar: OAKV Healthcare Space / Atelier Carle, Canadá;Categoria Arquitetura de Hospitalidade: Hong Tra Hoa Binh Bui Thi Xuan Cafe, Vietname;Categoria Casas: Casa de Mainha / Studio Zé, Brasil;Categoria Habitação Multifamiliar: Bagsværd Observation Home / JAJA Architects, Dinamarca;Categoria Arquitetura Industrial: Fábrica de Conservas / OODA, Portugal;Categoria Arquitetura de Interiores: Signa Sports United High-Rise Tower / Allen Kaufmann Architekten, Alemanha;Categoria Escritórios: Sede Energia de Portugal / ELEMENTAL, Portugal;Categoria Arquitetura Pública & Paisagismo: Jardim Criativo Lattice / RAD+ar (Research Artistic Design + architecture), Indonésia;Categoria Arquitetura Religiosa: Salão de Discursos Raj Sabhagruh / Serie Architects, Índia;Categoria Pequena Escala e Instalações: Pavilhão SUPRA / SO? Architecture and Ideas, Coreia do Sul;Categoria Arquitetura Esportiva: Reforma do Estádio da Universidade Católica / IDOM, Chile.Martim Galvão