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“A LEGISLAÇÃO EUROPEIA É MUITO CONSERVADORA”, DIZ DIRETOR DE PRODUTO DA MIIO

Expresso Online

2026-04-19 21:05:38

Daniel Carvalho, diretor de produto da Miio, fala ao Expresso sobre o seu percurso profissional e sobre a mobilidade elétrica Daniel Carvalho achava que, por esta altura, já estaria a criar robôs ou “máquinas voadoras”. Isso (ainda) não aconteceu, mas a ambição de construir tecnologia que resolve problemas reais manteve-se intacta. Hoje, é essa mesma lógica que o leva para a Miio, uma startup portuguesa que criou uma aplicação para simplificar o carregamento de carros elétricos, onde assumiu funções como diretor de produto. Desde cedo que o caminho parecia traçado. Daniel Carvalho seguiu engenharia informática no Instituto Politécnico de Bragança, com a convicção de que “a área das novas tecnologias” se manteria como a sua “área de eleição”. Ainda durante a licenciatura, surgiu a oportunidade de trabalhar em Madrid. Aceitou, conciliando trabalho e estudos num modelo acordado com os professores. Foi o primeiro passo de um percurso internacional que o levou depois a países como a Estónia e os Países Baixos. “Sou muito aberto a estar fora da minha zona de conforto. Nunca tive problemas em mudar de país ou aceitar novos desafios. Geralmente vejo isso como algo bastante positivo”, comenta ao Expresso. A Miio vai apostar na IA para adaptar a aplicação ao comportamento dos utilizadores A experiência internacional, admite, expôs diferenças claras entre mercados. Nos projetos ligados a empresas norte-americanas, conta que encontrou uma cultura mais tolerante ao erro e mais aberta à experimentação, uma abordagem que contrasta com a realidade europeia. “O mercado norte-americano valoriza riscos. A Europa não valoriza cometer erros, bem pelo contrário. Portugal claramente é um país muito europeu nesse sentido: nós gostamos muito de medir os riscos antes de executarmos qualquer ação”, afirma, acrescentando que a “legislação europeia é muito mais conservadora”, embora reconheça vantagens em áreas como a proteção de dados. Na Miio, o foco passa agora por simplificar a experiência aos consumidores. Entre as prioridades está a evolução da aplicação, tornando-a mais intuitiva e capaz de acompanhar o crescimento do mercado. A médio prazo, a aposta passa também pela inteligência artificial (IA), com a ambição de criar uma experiência personalizada. “A minha visão é que a app comece a perceber o comportamento dos utilizadores, assim como acontece nas redes sociais, em que os nossos feeds adaptam-se a nós”, explica. Quanto ao futuro da mobilidade elétrica, Daniel Carvalho acredita que o crescimento vai continuar, apesar da incerteza. A instabilidade internacional, marcada pela guerra no Médio Oriente e o consequente impacto nos preços da energia, torna o cenário “difícil de prever”, mas pode também, admite, acelerar a transição para soluções elétricas, menos dependentes dos combustíveis fósseis. A este cenário soma-se ainda o fim do papel da Mobi.E como entidade central da rede pública de carregamento, previsto no novo regulamento da mobilidade elétrica. Daniel Carvalho admite incerteza quanto ao impacto, mas alerta para o risco de fragmentação do mercado. Sobre este tema, o gestor garante que a Miio tem estado em “conversações com os players no mercado nacional”. FORMAÇÃO Licenciatura em Engenharia Informática pelo Instituto Politécnico de Bragança e MBA na Porto Business School LEMA DE VIDA “A vida começa onde a zona de conforto termina” LIVROS “Man s Search for Meaning”, de Viktor Frankl, e “How to Win Friends and Influence People”, de Dale Carnegie FILMES “Regresso ao Futuro” e “Karate Kid”, clássicos que viu várias vezes na infância PASSATEMPO Atividades ao ar livre, como caminhadas, ciclismo e natação. O objetivo, diz, é “não pensar em mais nada que não seja respirar” Juliana Simões Jornalista Juliana Simões