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BYD SEALION 7. FOMOS DE LISBOA AO PORTO NO SUV SÓ NUMA CARGA (E SOBROU)

Notícias ao Minuto Online

2026-04-19 21:05:49

Por alguns dias, o Auto ao Minuto pôde conduzir o BYD Sealion 7. É um crossover de tamanho médio totalmente elétrico de uma das marcas chinesas que mais tem vindo a crescer globalmente. A ofensiva da BYD continua e a gama vai-se diversificando. Um dos modelos disponíveis em Portugal é o BYD Sealion 7, que o Auto ao Minuto pôde conduzir durante alguns dias. É um crossover SUV médio, 100 por cento elétrico. Levámo-lo a percursos interurbanos e urbanos, passando por trânsito em hora de ponta, para além de fazermos uma deslocação contínua longa entre Lisboa e Porto - pouco mais de 600 km de ida e volta - maioritariamente em autoestrada. Motorizações e bateria Tivemos em mãos a versão Excellence, mais apetrechada com preços atualmente em torno dos 57 mil euros em Portugal. Propõe tração integral e uma bateria Blade Battery de fosfato de ferro e lítio. A capacidade é de 91,3 kWh para uma autonomia combinada de 502 km (ou de 616 km em uso urbano). Há dois motores, um em cada eixo, com 530 cv de potência e 690 Nm de binário, reivindicando a possibilidade de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 4,5 segundos e de atingir os 215 km. Mas o nível de entrada é o Comfort. A bateria tem a mesma tecnologia, mas fica-se pelos 82,5 kWh de capacidade e permite percorrer 482 km (combinado) e 631 km em uso urbano. Há apenas um motor no eixo frontal, com 313 cv de potência e 380 Nm de binário. A aceleração dos 0 aos 100 km/h faz-se em sete segundos e a velocidade máxima é, também, de 215 km/h. Condução BYD Sealion 7, interior à frente© Notícias ao Minuto Logo nos primeiros metros com o carro, sentimo-nos bem acolhidos no interior. Talvez pelo desenho, pelos bancos ou pelo ambiente do interior, mal nos sentámos ao volante sentimos uma ligação emocional ao carro pouco habitual. O condutor segue numa posição relativamente alta, o que não é de estranhar tratando-se de um SUV. O volante aquecido em pele é de tato agradável e boa aderência, permitindo manejar uma direção que sentimos leve, mas com pouco "feedback". Não é das mais precisas e por vezes é necessário corrigir, especialmente em velocidades de autoestrada, mas não compromete uma experiência de condução agradável. A travagem é suave, mas sentimos que, por vezes, se arrasta um pouco. Se em pisos regulares e em linha reta o carro é muito suave e mal se sente o pisar no asfalto, a suspensão podia lidar melhor com pisos mais acidentados ou depressões e lombas maiores - sente-se perda de compostura nos movimentos. Com quase três toneladas de peso (2.845 kg), o BYD Sealion 7 revela-se, ainda assim, dinâmico quanto baste para as massas em causa. No entanto, não é o mais ágil dos modelos, nem é particularmente entusiasmante de conduzir. É agradável, sentimos como já dissemos uma ligação emocional ao veículo, mas não há aquela "emoção" de condução. Os mais de 500 cv de potência e 600 Nm de binário estão disponíveis de forma célere ao carregar o pedal do acelerador. Nunca sentimos falta de desempenho quando requerido para manobras como ultrapassagens, mas também não há uma aceleração brusca nem precipitada. O pedal é fácil de dosear, em especial no modo Eco quando a resposta é ainda mais suave e progressiva. O condutor pode escolher entre os modos Normal, Eco, Snow e Sport - este mais desportivo. Em Eco, há um comportamento claramente mais contido. Para maximizar o potencial de eficiência energética, há dois modos de regeneração, com o mais elevado (High) a ter uma clara consequência nas sensações em travagem. Autonomia sem preocupações Vista lateral do BYD Sealion 7© Notícias ao Minuto Entre uma deslocação interurbana na zona de Lisboa e uma viagem de ida (Lisboa-Porto), percorremos cerca de 355 km maioritariamente em autoestrada. Com o modo Eco constantemente ativado e alguma bagagem a bordo, parámos numa área de serviço com 19 por cento de bateria e uma autonomia estimada para mais 85 km. Não iria chegar aos mais de 500 km prometidos em autoestrada, mas ficaria relativamente próximo. Os consumos médios nos 50 km anteriores a esse carregamento situavam-se nos 19 a 21 kWh por 100 quilómetros - abaixo dos 22 kWh anunciados pelo fabricante. Também conferimos os consumos em meio urbano, registando em torno dos 16 a 17 kWh/100 quilómetros - em linha com o que a BYD promete para ciclo urbano. Testámos o carregamento num outro momento, em que tínhamos a bateria nos 30 por cento. Em cerca de uma hora, chegou aos 78 por cento. Longe dos 18 minutos prometidos pela BYD, mas com uma ressalva: a potência do posto não passou dos 47/48 kW, quando a potência de carregamento máxima é de 230 kW. E as ajudas à condução? O condutor é apoiado por vários sistemas eficazes, desde o controlo eletrónico de estabilidade ao controlo de tração, passando por funções como Auto Hold, controlo de arranque em subida e travão de estacionamento elétrico. Os sistemas de assistência avançada (ADAS) são também vários. Neste particular, consideramos que a monitorização da atenção e cansaço do condutor nem sempre é precisa, com os avisos a tornarem-se algo repetitivos e intrusivos. De resto, nada a apontar aos demais sistemas, com um cruise control adaptativo eficaz, tal como o controlo inteligente de limite de velocidade - que permitem garantir o cumprimento dos limites a cada momento sem termos de nos preocupar com o doseamento "manual" do acelerador. O pacote inclui também reconhecimento de sinais de trânsito, avisos de colisão à frente e atrás, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, aviso de saída de faixa, alerta de tráfego cruzado com travagem e câmaras múltiplas. Há câmara de visão 360º, uma preciosa ajuda para estacionar ou manobrar o carro em espaços mais apertados - mitigando o impacto dos quase cinco metros de comprimento e dois metros de largura em espaços urbanos ou parques subterrâneos, por exemplo. Um destaque em particular para o espelho retrovisor digital, que é apresentado no ecrã tátil central facilitando manobras de mudança de faixa, por exemplo. Vida a bordo Visão panorâmica do interior© Notícias ao Minuto Uma das grandes mais-valias do BYD Sealion 7 é o espaço abundante por dentro, em particular na parte de trás. E há uma bagageira generosa, com 520 litros de capacidade (se os bancos estiverem rebatidos, chega a mais de 1.700 litros). O espaço, aliado aos bancos em pele aquecidos à frente e atrás e às janelas traseiras com proteção UV, isolamento térmico e escurecidas, torna a estadia a bordo numa experiência agradável - mesmo se nem sempre a acústica é a melhor, passando algum ruído especialmente nas velocidades de autoestrada com o vento gerado pelo movimento a ouvir-se. Nada de extremamente ruidoso, porém. Acima das cabeças, encontra-se um tejadilho panorâmico, com cortina para o fechar se não quisermos tanta luminosidade por dentro. O banco do condutor é ventilado e aquecido, assim como ajustável eletricamente em oito posições, dispondo de função de memória. O do passageiro é ajustável em seis posições e não tem função de memória. Os encostos de cabeça são integrados, mas os passageiros dos bancos de trás podem-nos ajustar manualmente. Na variante Excellence, os bancos são em pele. Há climatização de dupla zona e a possibilidade de escolher entre várias cores de iluminação interior para personalizar o ambiente. Ao centro, encontra-se um prático ecrã tátil rotativo de 15,6 polegadas para o sistema de infoentretenimento - que, de início, pode ser algo complexo de operar e requer habituação. O condutor dispõe de um painel TFT de 10,25 polegadas por trás do volante, com muita informação disponível - todos os dados essenciais, como a velocidade, modo de marcha, consumos, distância percorrida na viagem, limites de velocidade, cruise control/limitador de velocidade inteligente, temperatura, gráfico de posicionamento são mesmo vários os dados, o que reconhecemos que para alguns pode ser demasiada informação para processar. E ainda há um head-up display que projeta os dados essenciais no para-brisas, no campo de visão do condutor - permitindo não desviar os olhos das estradas. O carro pode ser ligado a smartphones sem fios via Android Auto e Apple CarPlay, dispondo também de uma bandeja de carregamento wireless de 50 watts com ventilação e quatro tomadas USB-C (duas à frente, duas atrás) - duas delas para carregamento rápido a 60 watts. O BYD Sealion 7 inclui sistema de som Dynaudio de 12 altifalantes, que proporciona uma agradável experiência sonora. Os materiais não são "super premium", apesar de terem uma qualidade razoável. Há muitos plásticos, mas a construção é boa. Há um design interior que aposta nas formas curvas, como a linha que vai desde os painéis das portas até ao tablier e o formato deste. A cor preta é sóbria. Há muitos controlos físicos - o que nos surpreendeu pela positiva - mas sentimos falta de controlos físicos para a climatização. Estes estão, sobretudo, no ecrã central, embora existam funções básicas em botões na consola central como a ativação ou desativação. Na consola central, estão os controlos essenciais: seletor de modo de marcha com design de cristal, travão de estacionamento, ligar/desligar, seletores de modos de condução e de regeneração de energia (que consideramos não terem o posicionamento mais intuitivo possível), Auto Hold, luzes de emergência, ativação das câmaras e até um rotativo para o volume da multimédia. Design exterior Traseira do BYD Sealion 7© Notícias ao Minuto O BYD Sealion 7 que experimentámos surge na cor Atlantis Grey (que, na verdade, nos parece mais um tom de azul), com jantes em liga leve de 20 polegadas bicolores. O desenho é moderno e perfeitamente identificável com a BYD, com recortes trabalhados aerodinamicamente. Não há uma grelha dianteira tradicional, os faróis estendem-se em comprimento, com tecnologia LED. A postura dos mesmos é algo agressiva. O capot tem dois vincos, que destacam a sua parte central. A silhueta remete para um SUV coupé, já que a linha de tejadilho tem uma ligeira inclinação para trás. Termina num spoiler, que contribui para o visual mais desportivos. Atrás, as óticas são ligadas por uma faixa luminosa contínua e encontra-se um para-choques de grandes dimensões. Há puxadores de portas embutidos, linha de janelas arqueada com molduras pretas e cavas das rodas de dimensões generosas, tal como os frisos laterais inferiores. Destaque, ainda, para as pinças de travão em vermelho, que puxam para o lado desportivo da imagem exterior do carro. Este é um carro grande: 4.830 milímetros de comprimento, 2.189 milímetros de largura contando com os espelhos retrovisores (rebatíveis eletricamente) e 1.620 milímetros de altura - altura, ainda assim, contida. O peso bruto é de 2.845 kg, enquanto a distância entre eixos é essencial para o generoso espaço por dentro: 2.930 milímetros. Os preços Atualmente, o BYD Sealion 7 está a ser vendido em Portugal a partir dos 47.175 euros na variante Comfort. A versão Excellence surge a partir dos 57.175 euros. Preços por automóveis atuais e bem apetrechados de equipamento e tecnologia, assim possuidores de desempenhos e autonomias muito razoáveis. No entanto, coloca-o num patamar de preço superior a um dos principais concorrentes - o Tesla Model Y, que com tração traseira começa em menos de 40 mil euros e com tração integral surge a partir dos 52.990 euros. ESPECIFICAÇÕES TECNICAS BYD SEALION 7 EXCELLENCE AWD MOTOR Posição Um motor em cada eixo Arquitetura FR: Assíncrono; TR: Síncrono de ímane permanente Potência 530 cv Binário 690 Nm TRANSMISSÃO Tração Integral Caixa de velocidades Uma relação CHASSIS Suspensão FR: Duplo braço oscilante; TR: Multi-link Travões FR/TR: Discos ventilados DIMENSÕES E CAPACIDADES Comp. x Larg. x Alt. 4.830 mm x 2.189 mm x 1.620 mm Distância entre eixos 2.930 mm Capacidade da mala 520 l (1.789 l com os bancos traseiros rebatidos) Capacidade da bateria 91,3 kWh Rodas FR/TR: 245/45 R20 Peso 2.845 kg PRESTAÇÕES E CONSUMOS Velocidade máxima 215 km/h 0-100 km/h 4,5 s Consumo misto 22 kWh/100 km Emissões CO2 0 g/km 8 0-10 ANÁLISE Diríamos que o BYD Sealion 7 não é um carro particularmente dinâmico, ágil e emocionante de conduzir. No entanto, é versátil, capaz para deslocações mais longas com a sua autonomia e desempenho. O seu espaço torna-o muito competente para famílias e permite levar uma boa quantidade de bagagem para férias, por exemplo. A suspensão, que nem sempre passa uma sensação de equilíbrio, e a direção que poderia ser mais precisa, tal como um interior que podia ser mais insonorizado, são os reparos principais que fazemos. No entanto, não tornam a experiência de condução e a bordo desagradável e desconfortável - embora, claro, tudo pudesse ser mais refinado. Autonomia Tempo de carregamento Conforto Suspensão em pisos irregulares Avisos de atenção e cansaço do condutor intrusivos e por vezes despropositados Insonorização do interior Bernardo Matias