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É SÓ TIRAR O I E PÔR O E ?

Biturbo Açores Magazine

2026-04-20 21:06:01

Eis o Golf GTE, o desportivo da marca alemã “a pilhas”. É o Golf para quem quer prestações e, ao mesmo tempo, ser amigo do ambiente. Promete até 130 km em modo elétrico. Esta oitava geração está melhor do que nunca vamos ver isso. O Golf nasceu em 1974 e foi o modelo escolhido para substituir o Carocha, um automóvel que teve um peso enorme na reputação da marca germânica. Quando saiu, o Golf trazia um motor dianteiro, ao contrário do Carocha. A sua tração também passou para a frente, enquanto o modelo desenvolvido por Ferdinand Porsche “puxava” atrás. Além disso, o Golf tinha quatro portas, algo que o Carocha nunca teve. A aceitação do Golf pelo consumidor foi imediata: a primeira geração vendeu cerca de 7 milhões de unidades, provando ser um enorme sucesso comercial. Em 1976, a Volkswagen deu a primeira “tacada” no universo dos hot hatch com o lançamento do GTI, pioneiro no segmento. Desde então, o Golf já teve oito gerações e, ao longo de mais de 50 anos, assumiu várias configurações: carrinha, cabrio, duas ou quatro portas. Recuemos a 2014. A Volkswagen tentou, mais uma vez, inovar e criar uma “merenda mista” - isto é, criar um hot hatch (merenda), mas a pilhas (mista). Ou seja, autonomia elétrica, uma prestação a nível de um GTI e uma estética semelhante, mas com “toques” azuis em vez do vermelho. Foi nesse ano que o “país das salsichas” lançou o GTE, uma nova adição à sigla GT, ainda na sétima geração do Golf. AZUL, AZUL E AZUL Pela primeira vez em muito tempo, a Volkswagen decidiu arriscar no design do Golf. Na frente, rompe com as linhas da geração anterior: óticas mais finas, grelha mais estreita e um para-choques mais másculo. Nas laterais, encontramos um “jogo de cintura” diferente, são mais altas, e os guarda-lamas e janelas também contam com um novo desenho. Na traseira, mantémse uma linguagem robusta, agora com faróis LED mais fni os que lhe conferem um ar mais premium. O formato, face ao modelo passado, é parecido, mas deixou de ser arredondado, passando a ser mais angular. E, se antes a porta da mala tinha um certo volume, neste o volume saiu, ficando mais sóbria. Em 2024, houve uma atualização na gama que corrigiu alguns pontos criticados no modelo de 2020 e introduziu algumas mudanças estéticas: os faróis foram redesenhados, com uma assinatura LED mais moderna; os IQ Lights tiveram um aumento do alcance face aos anteriores e o logótipo dianteiro passou a ser iluminado. Os para-choques traseiro e dianteiro tiveram um retoque, assim como as entradas de ar. Novas jantes e novas cores também fazem parte deste “facelift”. Já o nosso “amigo”, sendo um GTE, conta com os seus os elementos específicos: filete azul na grelha central, logótipo GTE (abaixo do friso), para-choques mais agressivo e luzes de nevoeiro com padrão em favo de mel exclusivo da gama GT. As jantes deste plug-in também se desmarcam do resto da gama, com um design próprio. Nas laterais, junto aos retrovisores, há uma menção à sigla GTE (algo que veio na versão de 2020), e a porta de carregamento fica no lado esquerdo do guardalamas. Uma das novidades desta “cirurgia estética” é o carregamento rápido, um diferencial muito importante face à concorrência. As pinças do travão são em vermelho, algo que herdou do GTI. Ainda na secção traseira deste GTE, encontramos um difusor (não havendo as famosas “bufadeiras”), na parte inferior o símbolo GTE (em azul) e, por último, o spoiler traseiro. No interior, há detalhes que o distinguem do Golf “normal”, como o volante e os bancos. De resto, é tudo igual. Se, no passado, os interiores do Golf eram bem construídos, com botões para tudo e com um “layout” clássico, neste tudo mudou: praticamente todas as funções passam pela tela central, com um layout completamente diferente do habitual. Há que dizer que a qualidade de construção está uns furos abaixo daquilo a que o Golf nos habituou - por exemplo, as portas traseiras têm plásticos duros (e a unidade testada tem um PVP de 62 mil euros). Ainda assim, as forras das portas da frente são em soft-touch, o que ajuda a equilibrar O painel onde se ligam as luzes mudou de formato e de posição, passando para o lado esquerdo do painel de instrumentos e em forma de teclas, deixando para trás o formato arredondado. Já o manípulo da caixa de velocidades tornou-se uma pequena patilha na consola central. Ao nível do infoentretenimento, temos dois ecrãs: painel de instrumentos (10,2”), com uma personalização vasta e fácil de operar, e o ecrã central (12,9”), ambos com boa qualidade. O software podia ser mais refinado, mas cumpre. Na parte inferior da tela, estão os comandos do ar condicionado e do volume, que são táteis e que podem ser ajustados, deslizando ou carregando. Funcionam bem, mas não se perdia nada se fossem botões físicos Tem carregador por indução e Apple CarPlay sem fios. GTE NO ASFALTO Quando comecei o parágrafo sobre o interior, referi que o volante e os bancos eram os elementos que mais se diferenciavam dos Golf “normais”. De facto, o volante oferece uma pega soberba e excelentes ajustes, tanto em altura como em profundidade. Uma novidade desta atualização é o regresso dos botões físicos no volante, em substituição dos anteriores comandos táteis. Os bancos “imitam” o tecido do GTI, mas com apontamentos em azul. São irrepreensíveis: muito confortáveis, com boas regulações e um nível de apoio que segura bem o corpo em curva. Também o apoio de braço é bastante confortável e ajustável, tanto em altura como em profundidade. No que diz respeito ao amortecimento, podemos dizer que é firme, mas sem nunca se tornar desconfortável. A caixa de velocidades deste GTE é uma DSG de 6 velocidades. Quando comparada com a do GTI, perde uma relação, já que, segundo a marca de Wolfsburg, esta caixa foi desenvolvida especificamente para os PHEV da marca. Trata-se de uma caixa rápida, que pode ser utilizada em três modos: Auto, Sport e Manual. O modo manual tem, no entanto, um senão: mesmo quando selecionado, a caixa acaba por efetuar trocas automaticamente. Já no modo Sport, as relações são esticadas por mais tempo, proporcionando uma condução mais envolvente. No modo Auto, o funcionamento é globalmente correto; contudo, há momentos em que o seu refinamento deixa um pouco a desejar. O corte ocorre às 7.500 rpm, independentemente do modo selecionado. No que diz respeito aos modos de condução, esta viatura disponibiliza três opções: Eco, Sport e Individual. Já os modos do sistema elétrico são dois: E-Mode e Hybrid. A bateria foi aumentada, contando agora com 19,7 kWh, o que permite uma autonomia anunciada de até 130 km. Em autoestrada, é possível alcançar cerca de 100 km em modo elétrico, um valor que nos deixou maravilhados. Relativamente ao carregamento, em AC até 11 kW, demora cerca de 2 horas e 30 minutos. Já em DC, é possível carregar dos 10% aos 80% em aproximadamente 25 minutos, suportando potências até 50 kW. Ao volante, este alemão impressiona desde os primeiros quilómetros. O chassi é fenomenal: a frente responde exatamente para onde apontamos. A sua direção é perfeita, precisa e muito comunicativa, e a sua traseira é muito estável, mesmo quando levada ao limite. A frente dita a trajetória, a traseira acompanha, sem mexer um milímetro em curva. No arranque, contudo, há uma tendência para fugir de frente, mesmo com o ESP ligado, incluindo no modo sport.com o ESP desligado, tudo muda: além de fugir de frente, fica algo apático na resposta: mesmo com correções de volante, segue a trajetória que quer e não a que lhe impomos E patina como gente grande O ESP pode ser configurado em três modos: ligado, Sport e OFF. Quanto ao motor, este deixou de ser um 1.4 TSI para um 1.5, debitando 272 cv e 400 Nm. As performances sem pilha surpreendem, e muito. Ainda assim, houve momentos em que o motor se revelou algo ruidoso, sobretudo em esforço. Importa referir que este GTE não é, nem pretende ser, um GTI. É sim um automóvel versátil, com uma autonomia elétrica anunciada até 130 km, um valor interessante que, numa utilização diária, permite recorrer quase exclusivamente à “Duracel”. Quando necessário, o motor a combustão é capaz de assegurar uma autonomia adicional de perto de 400 km com um depósito. E, no final do dia, temos um carro com um “dark side” capaz de nos proporcionar uma diversão ao volante envolvente, algo que um Golf Plug-in convencional dificilmente oferece. Tudo isto sem esquecer um estilo próprio, que nada tem a ver com um Golf comum. Gostei muito deste GTE, diverti-me ao volante. Já quanto ao preço, pode não ser tão divertido assim: a começar nos 51 mil euros, valerá esse valor? Eis a questão Tomás Amorim