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OPINIÃO - MUDANÇA GERACIONAL NO DESIGN

Turbo

2026-04-21 21:07:55

Somos muitos os que sentimos que o tempo passa depressa demais e que, com ele, são criadas novas formas de estar e estilos de vida que nem sempre entendemos. As novas tecnologias acompanham ou catalisam essas mutações, mas o lado estético continua a ser um fator primordial de sucesso nesta indústria. Quase nada é tão importante num automóvel como o design. Por isso, nas últimas duas décadas, os designers mais talentosos e com atributos corporativos foram ganhando espaço e subindo na hierarquia dos principais fabricantes mundiais, conquistando até lugares nos seus conselhos de administração. Onde, para além do CEO , Chief Executive Officer , de marca (o seu manda-chuva, para todos os efeitos) e do CFO (o chefão das finanças), passou a haver, em alguns casos, uma cadeira com outra sigla a refletir esses novos tempos: CCO (Chief Creative Officer). Nos últimos meses temos assistido a uma renovação quase transversal em marcas de automóveis que geralmente conservam esse papel de líder do estilo durante décadas, o que, de certa forma, reflete uma nova visão e as novas prioridades do estilismo automóvel. Gorden Wagener é uma das grandes estrelas do design automóvel mundial. Viveu na Costa Oeste dos EUA durante muitos anos e viajava regularmente para Estugarda para dar os últimos retoques aos veículos que ostentam a estrela de três pontas. Por mais autoconfiante e extrovertido que Wagener fosse (chegando a vezes causar alguns incómodos diplomáticos como quando satirizou a evolução do design na Audi), a sua experiência e espírito de equipa eram valorizados em toda a indústria. A sua marca é indelével no design dos Mercedes das últimas duas décadas mas, aos 58 anos, o criativo que adora carros desportivos tanto como cavalos e surfar no Pacífico, teve no final de janeiro (na estreia mundial do Classe S renovado), a sua última grande aparição sob a bandeira americana. A escolha do seu sucessor, Bastian Baudy (da AMG) causou surpresa. Aos 40 anos tinha tido poucas oportunidades de ganhar destaque e uma plataforma adequada, mas a sua idade além de competência = terá tido influência (Wagener substituiu Peter Pfeiffer aos 39 anos. Tem uma missão hercúlea pela frente em tempos economicamente desafiantes e há muito a fazer no design da Mercedes, especialmente após os fracassos dos elétricos EQE/EQS. Dentro de meia-dúzia de anos saberemos se terá sucesso, porque até lá, todos os veículos que serão apresentados já estarão finalizados e, em grande parte, com o design “congelado”. Mas esta não foi a única mudança criativa na área metropolitana de Estugarda. A Porsche também rendeu Michael Mauer, que moldou a aparência dos seus carros durante mais de 20 anos. O seu sucessor, Tobias Súhlmann, vem da McLaren, que foi também a última entidade empregadora do novo CEO da Porsche, Michael Leiters. Tal como Mauer, também Súhlmann, de 46 anos, estudou design automóvel na Universidade de Pforzheim, antes de ter entrado na Volkswagen em 2005 e passado pela Bugatti, Aston Martin e Bentley, anteriormente à sua transferência para a McLaren. E é fácil perceber qual será a próxima grande sucessão no design automóvel europeu. Adrian van Hooydonk, de 61 anos, está à frente do estilismo da BMW há quase três décadas e deverá deixar a empresa nos próximos 18 meses. O seu sucessor ainda não foi nomeado, mas a recente reestruturação do seu departamento criativo deixa Maximilian Missoni (contratado à Polestar para definir os traços dos modelos de luxo e de gama média-alta da BMW) é um muito forte candidato ao almejado cargo. JOAQUIM OLIVEIRA JURADO D0 "CAR OF THE YEAR” NA EUROPA E DO INTERNATIONAL ENGINE OF THE YEAR” é6 MERCEDES, PORSCHE E = EM BREVE , BMW, ESTaO A SUBSTITUIR OS CHEFôES DO SEU DESIGN AUTOMôVEL QUASE EM SIMULTaNEO JOAQUIM OLIVEIRA