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MARCAS CHINESAS ESTÃO A GANHAR COM BLOQUEIO DO ESTREITO DE ORMUZ

Razão Automóvel Online

2026-04-21 21:08:39

O bloqueio do Estreito de Ormuz está a ter consequências no preço dos combustíveis e nas exportações chinesas de elétricos e híbridos O bloqueio do Estreito de Ormuz está a ter consequências não só no preço dos combustíveis, como nas exportações chinesas de veículos elétricos e híbridos. O bloqueio do Estreito de Ormuz devido ao conflito no Médio Oriente provocou um aumento brutal do preço dos combustíveis. E esse aumento acabou por dar um impulso enorme às vendas de elétricos e híbridos no último mês de março, um pouco por todo o mundo. Neste contexto, são os construtores chineses que estão a ser os mais beneficiados: as exportações de veículos elétricos e híbridos atingiram níveis históricos o mês passado. Subiram 140%, atingindo as 349 mil unidades, mais do dobro do que em março de 2025. Os dados, divulgados pela Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA), mostram que a BYD liderou as exportações, sendo responsável por cerca de 1/3 do total. A Geely e a Chery completaram o pódio dos maiores exportadores do mês. © Omoda A Omoda é uma das marcas da Chery e já está em Portugal. “Os construtores chineses estão em posição de expandir rapidamente a sua presença global durante a crise do Estreito de Ormuz”, afirmou Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA. O responsável adicionou que a situação atual se assemelha à procura por veículos mais eficientes produzidos pelos fabricantes japoneses durante a crise petrolífera dos anos 70. Foi na Ásia que a procura foi muito maior que a habitual. Os concessionários registaram um aumento significativo de visitas nas últimas semanas, à medida que os condutores procuravam alternativas à volatilidade dos preços nos postos de abastecimento. Mercado doméstico em contraciclo Se as exportações chinesas de elétricos e híbridos revelam um cenário animador, o mesmo não se pode dizer dentro de portas. O mercado chinês para os NEV (veículos novas energias), que inclui os elétricos, híbridos plug-in e elétricos com extensor de autonomia, continua em queda. Em março, as vendas caíram 14% para 848 mil unidades. É o terceiro mês consecutivo de queda e o primeiro trimestre negativo desde 2020, o ano da pandemia. A BYD foi também um dos casos mais expressivos: enquanto as exportações cresceram, as vendas domésticas caíram mais de 40%. Também a Tesla registou uma queda de 24% nas vendas na China em março, apesar de os envios a partir da sua fábrica em Xangai terem subido cerca de 9% face ao ano anterior. Por detrás desta contração está, em grande medida, a redução dos incentivos à compra de elétricos e híbridos, assim como ao fim da isenção do imposto de compra destes automóveis. Mudanças que penalizaram, especialmente, os segmentos mais acessíveis. “A procura foi afetada pelo aumento dos custos e pela redução do poder de compra dos consumidores”, reconheceu Cui Dongshu, acrescentando que, ainda assim, “os elétricos e os híbridos continuam a superar os carros a combustão no mercado doméstico”. Mariana Teles