EUROPA CORTA EMISSÕES, MAS HÁ UM SETOR QUE INSISTE EM ACELERAR NO SENTIDO OPOSTO
2026-04-21 21:09:13

A Europa reduziu as emissões de gases com efeito de estufa em 2024, com uma queda de 3% face ao ano anterior, de acordo com dados divulgados pela Agência Europeia do Ambiente (AEA). No total, as emissões estão agora 40% abaixo dos níveis de 1990, o valor mais baixo registado nas últimas décadas. A Agência Europeia do Ambiente indica que esta evolução resulta sobretudo do aumento da produção de energia a partir de fontes renováveis, da substituição de combustíveis mais poluentes por alternativas menos intensivas em carbono e de ganhos consistentes em eficiência energética. A eletricidade e o calor lideram esta transformação na Europa, com emissões a caírem 58% desde 1990, num contexto em que o carvão perdeu peso e as renováveis ganharam protagonismo. Mas nem todos os setores acompanham esta trajetória. Os transportes rodoviários continuam a ser um dos principais pontos de fricção na estratégia climática europeia. Apesar da crescente presença de veículos elétricos e da maior eficiência dos motores de combustão, as emissões continuam a subir, tanto no transporte de passageiros como de mercadorias. A explicação é simples: o volume de circulação está a crescer mais depressa do que a capacidade de redução de emissões. Este dado ajuda a enquadrar o papel da mobilidade elétrica. A transição tecnológica, por si só, não chega se não for acompanhada por uma mudança estrutural na forma como as pessoas e bens se deslocam. Mais veículos elétricos ajudam, mas não compensam automaticamente o aumento da procura. Portugal acompanha a tendência europeia, embora com menor intensidade. Entre 2023 e 2024, as emissões nacionais caíram 1%, um contributo modesto no conjunto europeu. Desde 1990, a redução acumulada ronda os 19%, abaixo de vários Estados-membros. O relatório da AEA destaca ainda outras dinâmicas relevantes. As emissões associadas à refrigeração e ar condicionado, nomeadamente os hidrofluorocarbonetos (HFC), cresceram durante décadas, mas têm vindo a cair nos últimos dez anos, fruto de regulamentação europeia. Em sentido inverso, a capacidade das florestas para absorver dióxido de carbono está a diminuir, devido ao envelhecimento, à exploração e aos efeitos das alterações climáticas. No total, a União Europeia representa hoje cerca de 5% das emissões globais, abaixo dos cerca de 14% registados em 1990. Ao mesmo tempo, a economia cresceu mais de 70% nesse período, enquanto as emissões recuaram, um sinal de desacoplamento entre crescimento económico e impacto climático. Welectric Welectric