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UM ESPECIALISTA DA CHINA CRITICA OS CARROS ALEMÃES

Pplware Online

2026-04-22 21:03:20

O mundo mudou e até no mercado automóvel, a China já "desvaloriza" o maior construtor automóvel do mundo. Os carros alemães já não convencem... "nem os seus 100 anos de história"! Já não convencem nem os seus 100 anos de história, nem o cromado nem os bancos em pele. O grupo Volkswagen, que aponta reduzir a sua produção de veículos em um milhão na Europa, considera que no seu mercado mais importante a nível mundial são vistos pelo público jovem como o tipo de carro que os seus pais conduziriam. Quando a Volkswagen motorizou a China No Salão Automóvel de Xangai de 1985, a Volkswagen mudou a China, e potencialmente todo o mundo, quando apresentou os seus primeiros carros destinados ao então gigante asiático ainda adormecido. Durante muitos anos, o Volkswagen Santana foi o carro que todas as famílias podiam comprar, o táxi por excelência em suma, o veículo que motorizou a China. Influência alemã na indústria chinesa Até alguns dos atuais gigantes chineses nasceram a partir do grupo Volkswagen, como é o caso da Chery, cujo primeiro carro foi, na verdade, o SEAT Toledo. Não só copiaram o SEAT Ibiza, como também levaram literalmente a linha de montagem da fábrica da Zona Franca, desmontada em partes, para produzir ali as suas próprias variantes destinadas a um público que necessitava de mobilidade mais acessível. Encontrámo-nos com uma quantidade inimaginável de pessoas e os nossos folhetos desapareciam das prateleiras. Para as pessoas naquele momento, era maravilhoso apenas tocar na qualidade do papel e da tinta e sonhar em poder ter um carro. Recordou nas suas memórias o então CEO do grupo, Carl Hahn. Carl Hahn foi o líder da Volkswagen que impulsionou a expansão decisiva da marca na China, lançando as bases do seu domínio no mercado automóvel asiático. O consumidor mudou e a história já não basta Sim, aprenderam, e em muitos casos copiaram diretamente, o legado alemão, a forma de construir carros e a tecnologia. Mas hoje o mundo é outro, e o comprador , especialmente o chinês, já não valoriza a história da marca. Não é um fator diferenciador como a tecnologia ou, sobretudo, o preço (e o facto de ser elétrico, dado que lá são muito mais fáceis de matricular do que carros a gasolina). Marcas alemãs vistas como “carros de pais” Tudo mudou. O atual CEO da Volkswagen na China, Robert Cisek, admite que podem ser vistos como uma marca para pais. A mudança é profunda, com uma forte tendência para carros de marcas chinesas, geralmente mais baratos, até nos segmentos premium, tradicionalmente dominados por marcas como Porsche ou Mercedes-Benz. Na prática, o selo “feito na Alemanha” afasta os condutores mais jovens, mesmo sendo associado a fiabilidade. A velocidade da mudança apanhou todos de surpresa Não esperavam esta grande mudança, nem a velocidade a que aconteceu. Afirma Felipe Muñoz, analista na Car Industry Analysis. Para o Salão de Xangai de 2026, o grupo prepara quatro novos carros elétricos, desenvolvidos com parceiros como a FAW e a Xpeng, além de um novo modelo da Audi, sem os tradicionais quatro anéis, criado em conjunto com a SAIC Motor, proprietária da MG. “O legado já não vende carros” Já não se pode confiar nas molduras cromadas, nos bancos em pele Napa ou numa história de cem anos para convencer os consumidores. Afirma Yale Zhang, diretor da Automotive Foresight. Zhang considera que este legado, aliado à resistência à mudança, está a enfraquecer progressivamente os outrora dominantes fabricantes alemães. Impacto na Europa e redução da produção Tudo isto, juntamente com a queda nas matriculações na Europa desde antes da pandemia, tem afetado seriamente até a Volkswagen, que continua a liderar no continente com mais de um quarto da quota total. No entanto, quando essa quota ronda os 25% e o mercado encolhe em cerca de dois milhões de unidades, isso traduz-se em meio milhão de carros a menos produzidos, com impacto direto nos lucros e em toda a cadeia de fornecimento. Por um lado, estamos a investir muito em novos produtos. Por outro, estamos a tomar grandes medidas. Estamos a reduzir mais de um milhão de unidades de capacidade para nos ajustarmos à situação atual do mercado. Afirmou o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, à revista Manager Magazin. Vítor M