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OS CARROS ELÉTRICOS E O ESTREITO DE ORMUZ

Nascer do Sol Online

2026-04-22 21:04:31

Os VE são a opção mais correta do ponto de vista económico, a que melhor protege a saúde pública, que apresenta menor impacto ambiental, e ainda que potencia a soberania energética nacional e europeia A transição para a mobilidade elétrica tem sido apresentada como um forte trunfo no contexto da urgente necessidade de redução das emissões de CO2 para a atmosfera, de modo a travar o aquecimento global e as alterações climáticas. Contudo, outras razões, tão ou mais ponderosas, voltam a estar na ordem do dia. Convém relembrar a ancestral distração dos europeus face à sua extrema dependência de recursos naturais críticos importados de outras regiões do globo. É o caso do petróleo e do gás, bem patente com a guerra da Ucrânia e, agora com o conflito no Irão. O que vivemos hoje revela como a soberania energética é um imperativo e como os veículos elétricos (VE) podem ser um contributo para reduzir essa dependência do exterior. Outro argumento, estranhamente pouco referido na comunicação social, é o impacto das emissões dos motores a combustão na saúde humana. São emitidos uma multiplicidade de poluentes, designadamente óxidos de azoto, óxidos de enxofre, partículas finas e compostos orgânicos voláteis, os quais levam a complicações respiratórias graves e à morte prematura. Esta situação tem sido reconhecida pela OMS e pela UE e comprovada em inúmeros estudos científicos, como é exemplo o estudo que envolveu investigadores das Universidades de Harvard, Birmingham e Leicester, o qual aponta para 8 milhões de mortes prematuras a nível mundial resultantes das emissões dos veículos a combustão. Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Considerando a atual crise dos preços dos combustíveis, identificamos ainda ao nível dos custo de utilização, outra razão pragmática para a adoção de veículos elétricos e para a sua progressiva massificação. A tecnologia já provou ao ponto de no mercado norueguês cerca de 100% dos novos modelos vendidos serem elétricos e, em 2025, a nível global as vendas terem ultrapassado os 10 milhões de unidades. Além do preço cada vez mais competitivo e de redes de carregamento em franco crescimento, a manutenção dos VE é menos complexa, apresentando um custo reduzido. Quando analisamos os custos de deslocação, se compararmos dois veículos eficientes, um VE carregado em casa, em tarifa bi-horária, com consumo de 15 kWh aos 100 km e um veículo a gasolina, com consumo de 5 litros aos 100 km, o VE terá um custo de 1,8 euros por 100 km, valor este que não chega para comprar 1 litro de gasolina aos preços atuais. No cenário de carregamento na rede pública, em postos de carga normal ou rápida, o custo do VE poderá ascender a 6 euros por 100 km, o que compara com 10 euros por 100 km do veículo a combustão. O custo de carregamento em postos ultra-rápidos é mais elevado, mas ainda assim sem ultrapassar o custo de um veículo a combustão, sendo de notar que a utilização deste tipo de postos é, para um utilizador normal, muito esporádica. Acresce que as recentes alterações da legislação que regula os carregamentos elétricos alinhou finalmente Portugal com a Europa, esperando-se que potenciem o investimento e a inovação do mercado e tragam uma desejada transparência aos custos de carregamento que inexistia no modelo anterior. Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Benefícios exclusivos? TORNE-SE PREMIUM Concluímos, assim, que os VE são a opção mais correta do ponto de vista económico, a que melhor protege a saúde pública, que apresenta menor impacto ambiental, e ainda que potencia a soberania energética nacional e europeia. Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra Luís Neves