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GESTÃO - BYD APRESENTA BATERIA QUE RIVALIZA COM OS MOTORES A GASOLINA

Executive Digest

2026-04-22 21:04:32

AS NOVAS BATERIAS DA FABRICANTE AUTOMÓVEL CHINESA OFERECEM UM CARREGAMENTO EM CINCO MINUTOS E UMA AUTONOMIA DE MIL QUILÓMETROS BEM COMO UMA VIDA úTIL DE UM MILHÃO DE QUILOMETROS E PREÇOS MAIS BAIXOS BYD acaba de anular qualquer argumento que ainda pudesse existir contra a adopção de veículos eléctricos. Num evento realizado em Shenzhen, na China, a empresa apresentou a Blade Battery 2.0, capaz de proporcionar mais de mil quilómetros de autonomia com uma única carga. Para além disso, mostrou o quão atrasada está a restante indústria automóvel no que toca aos veículos eléctricos. Durante mais de um século, os automóveis a gasolina mantiveram duas vantagens gigantes: a paragem de cinco minutos para abastecimento e uma autonomia típica de cerca de 650 quilómetros, que permitia realizar longas viagens sem grandes preocupações. Em contrapartida, os veículos eléctricos sofreram com tempos de carregamento prolongados e autonomias mais reduzidas, o que gerava a chamada ansiedade de autonomia” entre potenciais compradores , muitos dos quais preferiam continuar com motores de combustão interna (MCI) ou híbridos.com o lançamento da nova Blade Battery 2.0 e da arquitectura Megawatt Flash Charge 2.0, esse receio poderá ter chegado ao fim. Segundo dados oficiais apresentados pela BYD, modelos de produção em grande escala, como o novo Denza Z9GT conseguem agora percorrer mais de mil quilómetros com uma única carga, acrescentar cerca de 400 quilómetros no tempo que leva a pedir um café e contar com um conjunto de baterias concebido para durar mais do que o próprio automóvel, com uma vida útil garantida de um milhão de quilómetros algo sem precedentes no universo dos veículos eléctricos. A mais recente tecnologia de baterias e carregamento da BYD faz com que outros veículos eléctricos pareçam o Modelo T da Ford I , pelo menos por agora. Enquanto segundo maior fabricante de baterias do mundo, a empresa chinesa fornece, actualmente, construtores como a Toyota, Kia, Hyundai e até a Tesla. A nova arquitectura de carregamento da marca chinesa elimina por completo a vantagem das paragens rápidas dos motores de combustão, ao permitir um pico de potência de 1.500 quilowatts através de um único cabo , ou até 2.100 quilowatts com um sistema de duplo conector. Para perceber a magnitude deste fluxo eléctrico, é necessário olhar para o padrão actual da indústria. Imagine os quilowatts como a largura de um tubo que enche uma piscina. Um carregador doméstico comum fornece energia lentamente durante a noite, a cerca de sete quilowatts equivalente a uma mangueira de jardim. Um Tesla Supercharger, considerado durante muito tempo o padrão de excelência no car-regamento rápido público, atinge um maximo de cerca de 250 quilowatts. A BYD está a libertar seis vezes essa quantidade de energia, ligando na prática o automóvel a uma conduta municipal de alta pressão. Durante a demonstração, a empresa ligou o seu novo sedan BYD Han L, fazendo a bateria passar de 10% para 80% de capacidade em exactamente seis minutos e 30 segundos. No ecrã da apresentação, a companhia declarou oficialmente uma velocidade de carregamento de «1 segundo = 2 quilómetros». Traduzido em termos reais de condução, cinco minutos ligados a este sistema proporcionam entre 400 e 500 quilómetros de autonomia. Naturalmente, um carregador de 1.500 quilowatts é inútil sem uma rede onde o utilizar. Para resolver essa questão, a BYD confirmou que irá instalar 15.000 estações de carregamento megawatt em toda a China até ao final de 2026. A empresa construirá mais de 4.000 destas estações de forma independente, sendo as restantes implementadas através de parcerias. Está também previsto o lançamento de uma rede europeia com 3.000 carregadores até ao final deste ano. anSiEDADE DE AUTONOMIA, NUNCA MAIS A Blade Battery 2.0 eleva a autonomia de futuros veículos, como o Yangwang U7, para além de mil quilómetros, ultrapassando com facilidade a autonomia típica de um depósito de combustível, que geralmente se situa entre os 560 e 645 quilómetros no caso dos sedans (embora alguns modelos a gasóleo, híbridos ou a gasolina com depósitos maiores possam ultrapassar os 965 quilómetros). A BYD alcançou este resultado graças a um enorme salto na densidade energética - a medida que indica quanta energia eléctrica pode ser armazenada por unidade de peso. Durante anos, a indústria automóvel enfrentou um obstáculo estrutural: era possível construir uma bateria baseada em fosfato de ferro lítio (LFP) - barata, altamente durável e extremamente segura - mas cuja densidade padrão se situava num modesto intervalo entre 150 e 180 watt-hora por quilograma. A alternativa, baseada em níquel-cobalto-manganês (NCM), normalmente com 200 a 280 watt-hora por quilograma, é mais cara e mais propensa a incêndios. Devido à sua arquitectura e composição química, as baterias NCM têm menor tolerância a danos e libertam grandes quantidades de oxigénio quando perfuradas num acidente, alimentando o incêndio e tornando-o praticamente impossível de extinguir. As baterias LFP, por sua vez, são muito mais difíceis de perfurar e, caso isso aconteça, libertam quantidades mínimas de oxigénio. O aumento de densidade resulta da nova estrutura interna da Blade Battery 2.0. Em primeiro lugar, os engenheiros da BYD moeram os materiais químicos da bateria LFP até obter um pó microscópico ultrafino, permitindo concentrar muito mais energia no mesmo espaço físico. Em segundo lugar, criaram “auto,estradas” internas mais curtas e directas para a corrente eléctrica, permitindo à bateria absorver enormes quantidades de energia em segundos sem sobreaquecer. Este processo aumentou a densidade energética entre 36% e 40% face à geração anterior. Os novos conjuntos atingem entre 190 e 210 watt-hora por quilograma , e, segundo a empresa, com custos mais baixos (embora não tenham sido revelados valores concretos, afirma que a inovação aumentará as suas margens de lucro). Na prática, o fabricante chinês concretizou as promessas feitas por Elon Musk em 2020, quando apresentou a chamada «revolucionária célula de bateria Tesla 4680», que deveria aumentar drasticamente a autonomia e reduzir os custos. Meio decénio depois, a implementação da 4680 pela Tesla continua a enfrentar constrangimentos de produção e resultados decepcionantes em termos de densidade energética. A empresa acabou por comprar baterias Blade de primeira geração à BYD para alimentar o Tesla Model y produzido na gigafábrica de Berlim, enquanto utilizava as problemáticas 4680 em alguns Model y fabricados no Texas. Já o Tesla Cybertruck utiliza uma versão melhorada denominada Cybercell, que terá uma densidade de cerca de 272 watt-hora por quilograma. AINDA MELHOR ESTâ A SUA LONGEVIDADE Outro argumento de peso desta nova tecnologia é a sua longevidade. As baterias representam cerca de 30% a 40% do custo de um veículo eléctrico, pelo que muitos consumidores receiam o momento em que a bateria se degrade ao ponto de exigir uma substituição extremamente cara. Actualmente, a média da indústria aponta para baterias com duração entre 240.000 e 483.000 quilómetros. As baterias NCM utilizadas pela maioria dos concorrentes resistem normalmente entre 1.000 e 2.000 ciclos de carregamento antes de perderem uma parte significativa da sua capacidade. A Blade Battery 2.0 está classificada para mais de 5.000 ciclos. Embora a multiplicação destes ciclos pela autonomia máxima sugira um limite teórico de milhões de quilómetros, a BYD garante oficialmente uma vida útil operacional de 1,2 milhões de quilómetros. O condutor médio nos EUA percorre cerca de 22.000 quilómetros por ano. A esse ritmo, seria necessário conduzir este automóvel todos os dias durante 55 anos para atingir o fim da vida útil da bateria. A bateria durará mais do que o chassis metálico, os bancos e, provavelmente, o próprio condutor. Poder-se-ia supor que estas especificações implicariam um preço muito elevado, mas a lógica financeira parece seguir no sentido inverso. A BYD conseguiu reduzir o custo de produção entre 15% e 30% face à geração anterior. Enquanto a bateria anterior estava mais reservada a veículos de luxo com preços de seis dígitos, a empresa afirma que as novas baterias e arquitecturas de carregamento serão integradas nos modelos SUv para 2026, como o Tang e o Song, posicionados numa faixa de preço entre os 17.500 e 27.600 euros. Ainda assim, não se trata de uma so-lução perfeita. Continua a existir uma vantagem inegável para OS MCI: OS invernos rigorosos. Historicamente, as baterias LFP não lidam bem com temperaturas negativas. Um depósito de gasolina contém exactamente a mesma quantidade de energia a-20 c que à temperatura ambiente. Já uma bateria eléctrica perde normalmente entre 10% e 20% da autonomia para aquecer o habitáculo, enquanto as reacções químicas se tornam mais lentas, dificultando o carregamento rápido até que o conjunto aqueça. Para mitigar esse problema, a BYD integrou na Blade Battery 2.0 um sistema interno de aquecimento por impulsos e um sistema completo de gestão térmica líquida. A-20 c, a bateria mantém mais de 85% da sua capacidade. A-30 c, conserva cerca de 80% (nos veículos eléctricos LFP da geração anterior, a perda podia atingir 50% nestas condições). As baterias NCM convencionais mantêm normalmente entre 70% e 80% da capacidade a-20 c, descendo para cerca de 40% a 60% a-30 PC. Os veículos eléctricos com baterias NCM também restringem ou bloqueiam o carregamento rápido em temperaturas baixas para evitar danos permanentes nas células. No entanto, segundo o director executivo da BYD, Wang Chuanfu, «a nova Blade Battery pode ser carregada de 20% a 97% em menos de 12 minutos a temperaturas de-20 PC, proporcionando uma autonomia de mais de 770 quilómetros». Embora não iguale a ausência de perdas da gasolina, é impressionante. Será necessário aguardar por testes em estrada para verificar como se comportam todas estas promessas. Mas, ten-do em conta o desempenho da geração anterior, não há razões imediatas para duvidar. Acrescente-se o facto de que esta tecnologia estará disponível em toda a gama da BYD , o luxuoso Yang-wang U7 ou o económico Dolphin , e poderemos estar no início de uma nova era para os veículos eléctricos. Pena que não chegue aos EUA e à Europa tão cedo. SEGUNDO DADOS OFICIAIS APRESENTADOS PELA BYD, MODELOS DE PRODUçaO EM GRANDE ESCALA CONSEGUEM AGORA PERCORRER MAIS DE MIL QUILóMETROS COM UMA UNICA CARGA » BYD Flash Charger » BYD Solar-Storage-Charging Integrated System TESLA RIVAL NA PRâTICA. O FABRICANTE CHINêS CONCRETIZOU AS PROMESSAS FEITAS POR ELON MUSK EM 2020, QUANDO APRESENTOU â CHAMADA «REVOLUCIONâRIA CêLULA DE BATERIA TESLA 4680», QUE DEVERIA AUMENTAR DRASTICAMENTE A AUTONOMIA E REDUZIR CUSTOS «â NOVA BLADE BATTERY PODE SER CARREGADA DE 20% ? 97% EM MENOS DE 12 MINUTOS A TEMPERATURAS DE-20 o c, pROpORCIONANDO UMA AUTONOMIA DE MAIS DE 770 QUILõMETROS» » Wang Chuanf, director executivo da BYD ? EMPRESA GARANTE QUE AS NOVAS BATERIAS ? ARQUITECTURAS DE CARREGAMENTO SERãO INTEGRADAS NOS MODELOS SUV PARA 2026, COMO O TANG ? O SONG » BYD Dolphin Jesus Diaz