OLIGARCA DA MOLDOVA CONDENADO A 19 ANOS DE PRISÃO POR DESVIAR EQUIVALENTE A 15% DO PIB
2026-04-22 21:04:37

O oligarca Vladimir Plahotniuc foi condenado hoje a 19 anos de prisão na Moldova, num caso relacionado com o desvio de cerca mil milhões de euros de fundos públicos, equivalente a 15% do Produto Interno Bruto do país. Plahotniuc, contra quem o Ministério Público moldavo pedia 25 anos, foi condenado por fraude bancária, branqueamento de capitais e liderança de uma organização criminosa, segundo informou a agência Moldpres. Este é o maior caso de corrupção da história da antiga república soviética. O oligarca, que se encontra detido desde setembro na prisão n.º 13 de Chisinau e que não compareceu à audiência e poderá recorrer da sentença. O procurador, Alexandr Chernéi, afirmou que as autoridades vão prosseguir com a investigação sobre outros três processos criminais instaurados contra o empresário. O tribunal ordenou ainda que fossem confiscados 60 milhões de dólares (cerca de 51,2 milhões de euros ao câmbio atual). Com o dinheiro que desviou, Plahotniuc terá adquirido, entre outras coisas, um avião Embraer e vários imóveis, além de ter realizado investimentos e pago dívidas. Este antigo deputado e fundador do Partido Democrata, acusado de controlar nos bastidores instituições-chave na Moldova, tinha fugido do seu país em 2019, numa altura em que era alvo de investigações judiciais em vários processos. Entre 2019 e 2025 utilizou várias nacionalidades para se deslocar pelo mundo, incluindo a mexicana, fazendo-se chamar Vito Pérez González, entre outras identidades falsas. Plahotniuc tinha sido extraditado da Grécia no ano passado, após ter sido detido no aeroporto de Atenas na sequência de um alerta vermelho emitido pela Interpol, enquanto tentava chegar ao Dubai. A Presidente moldava, a europeísta Maia Sandu, tinha-se proposto, ao assumir o cargo há cinco anos, acabar com a corrupção dos oligarcas que defraudaram o país, o que inclui também o oligarca pró-russo Ilan Shor, exilado em Moscovo. Plahotniuc, que tinha apelado aos seus apoiantes para derrotar o partido no poder nas eleições, protagonizou em 2019 o chamado "roubo do século", ao desviar mil milhões de euros de três bancos nacionais moldavos, o que obrigou o Estado a destinar esse mesmo montante ao resgate bancário. A União Europeia anunciou, em meados de julho, sanções contra o oligarca de 60 anos por tentativa de desestabilizar a Moldova antes das eleições legislativas de setembro, cruciais para o futuro europeu deste país, situado entre a Ucrânia e a Roménia. Lusa