DSTGROUP - QUANDO FAZ BEM FAZER O BEM NÃO É SLOGAN, É ESTRATÉGIA
2026-04-22 21:06:15

Pode a Gestão de Pessoas assumir-se como uma filosofia de vida assente no humanismo, cultura e bem-estar? No dstgroup, sim. Para o director de Recursos Humanos, José Machado, são hoje conceitos tão estratégicos como a inovação ou a produtividade. POR Tânia Reis á dizia Fernando Pessoa, “cultura não é ler muito, nem saber muito; é conhecer muito”. ? precisamente isso que o dstgroup, grupo empresarial português da área da Engenharia e Construção, assume como seu ethos, reflectido na assinatura de marca, “building culture”. E fá-lo com elevado sentido de missão junto dos 3566 colaboradores, da comunidade de Braga onde está inserido, e da sociedade em geral, cá e além-fronteiras. «Nas áreas de actividade onde actuamos, a Gestão de Pessoas está no cerne da nossa atenção e assume um papel cada vez mais estratégico, sobretudo num contexto marcado por mudanças rápidas e exigências crescentes, quer do ponto de vista técnico quer do ponto de vista humanístico», começa logo por realçar o director de Recursos Humanos, José Machado. Para contrariar a escassez de mão-de-obra qualificada e a rotatividade do sector, «que compromete a continuidade do conhecimento, faz aumentar custos de recrutamento e formação, Boas Práticas e afecta a produtividade», o grupo tem apostado na criação de um vasto conjunto de políticas e práticas, num «equilíbrio constante entre produtividade, segurança, qualidade, conhecimento e bem-estar das equipas». Num sector caracterizado por elevada pressão e exigência, «investir no desenvolvimento humano, na formação técnica e humanística de forma proporcional» revela-se essencial para garantir resultados sustentáveis, competitividade e diferenciação a longo prazo. A estratégia assenta no mote “faz bem fazer o bem”, que «significa que praticar boas acções beneficia não só quem as recebe, mas também quem as realiza», explica o responsável de Pessoas «Existe reciprocidade, pois, por um lado, melhora a vida dos outros e, por outro, atitudes destas geram efeitos positivos em quem as pratica, aumenta o sentido de propósito e o bem-estar emocional.» E esta ideia impacta em dose dupla, acrescenta, «nos outros e em nós próprios». Basicamente, entenda-se como um convite a agir com generosidade. No dstgroup, «isso importa, e muito», assegura. Para quem trabalha no grupo, os benefícios incluem um centro de saúde com serviços de medicina geral, curativa, dentária, psicologia, enfermagem e fisioterapia; bem como consultas de medicina estética e rejuvenescimento. Mas também um campuis desportivo, campos de férias e aulas de ballet para os filhos dos colaboradores, manicure e cabeleireiro, lavandaria comunitária e, desde 2024, disponibilizam o campus em Braga para casamentos dos colaboradores. «Já realizámos os sonhos de dois trabalhadores. Este ano será o terceiro, com tudo pago: catering, animação, decoração», revela. Mais concretamente no âmbito do well-being, é dada formação em “Primeiros Socorros em Doença Mental”. «Despertar a nossa consciência para o “eu interior” e para os sinais que muitas vezes tentamos ofuscar ou até ignorar é o primeiro passo para o autoconhecimento», diz José Machado, sublinhando a importância de olhar ao redor e ter conhecimento de indícios que possam despertar sinais de alerta. Cultura que aproxima Numa vertente mais “cultural”, os colaboradores têm acesso a aulas de pintura, reading parties, banda corporativa, uma sala de jogos arcade, um teatro e até uma discoteca interna. «A empatiasaià rua, expõe-se e coloca-se à prova», conta. «Estas iniciativas compararam-se com laboratório sociais de partilha, convívio e bem-estar. Ganhamos todos!» Externamente, e na qualidade de mecenas cultural, o grupo promove, em parceria com a Associação Paisagem Periférica e com o apoio da Cruz Vermelha Portuguesa , Delegação de Braga, as “Consultas Poéticas”. «E uma iniciativa que surge dessa ambição contínua de democratizar o acesso às artes, à leitura, à poesia, ao mundo da criação e da imaginação.» Cada conversa, que dura entre 20 e 25 minutos, começa sempre com a questão “Como é que estás?” e decorre entre um artista e um “paciente-espectador” que, no final do encontro, recebe uma prescrição poética. O responsável partilha que, «em 2024, dezenas de sem-abrigo participaram nas “Consultas Poéticas”, descrevendo-as como uma experiência rara de escuta, valorização e presença». E o sucesso comprovado levou a uma segunda edição no ano passado e ao alargamento do alcance da iniciativa. Conscientes do impacto que uma acção aparentemente simples pode ter no quotidiano de quem vive em contextos de maior isolamento, levaram também estas consultas ao Estabelecimento Prisional de Guimarães, «sessão igualmente marcante», realça. Este ano, a segunda edição das “Consultas Poéticas” naquele estabelecimento prisional aconteceu no Dia Mundial do Teatro, a 27 de Março. “Ler na creche, no lar, no hospital e na prisão” é outro exemplo. «A iniciativa surgiu da vontade de alargar o alcance da acção cultural e de aproximar a literatura de públicos que, muitas vezes, estão afastados dos circuitos culturais tradicionais», faz notar José Machado. à semelhança das “Consultas Poéticas”, o impacto foi muito positivo. «Em espaços como o hospital, o lar de idosos ou o estabelecimento prisional, este momento de leitura permitiu criar espaços de pausa, escuta e reflexão», conta. «Sentimos aue a literatura funcionou como uma forma de conforto emocional, aju-dando a aliviar rotinas mais duras, o isolamento ou até a ansiedade.» O director de Recursos Humanos destaca ainda outras iniciativas culturais de relevância, como o “Grande Prémio de Literatura dst”, de âmbito nacional, promovido há 30 anos, conceito que, desde 2019, se estendeu para Angola, em parceria com o Instituto Camões, dando vida ao Prémio de Literatura dstangola/Camões; e ainda o apoio à Companhia de Teatro de Braga, há mais de 40 anos, e à Companhia de Teatro Comédias do Minho. Aliás, este mês de Abril será inaugurado o MUZEU de pensamento e arte contemporânea. Para José Machado, o impacto desta estratégia no employee engagement é notório. «Todo o investimento no salário emocional, na formação e no bem-estar gera percepções positivas, pela valorização que nos traz por parte dos trabalhadores. O compromisso, o espírito de missão e a confiança dos trabalhadores na empresa fortalece-se», defende. Da técnica ao pensamento crítico O crescimento contínuo e a aprendizagem das suas pessoas tampouco é descurado e ganha vida na escola dst e na escola industrial dst. e nestas escolas que a transformação dos trabalhadores do futuro acontece, salienta. «o sentido crítico, a autonomia, a reflexão convidam à “libertação intelectual”, tornando-nos cidadão activos, livres e uma espécie de activistas sociais.» O Plano de Formação Anual é construído a partir do levantamento de necessidades identificadas pelos colaboradores, em paralelo com a avaliação de desempenho anual. «Um processo subsidia o outro e ambos se fortalecem de forma a identificarmos os macro direccionadores estratégicos anuais da formação no dstgroup.» Esse plano foca as hard skills e as soft skills, com especial destaque para as áreas humanísticas. No caso da escola dst, localizada em Palmeira, «decorre de uma visão estra-tégica que ultrapassa a formação estritamente funcional, assumindo como obiectivoo o desenvolvimento integral dos trabalhadores». Neste ambito, promove uma abordagem formativa de matriz humanista, onde o saber técnico é complementado por dimensões culturais, artísticas e de pensamento crítico. Além das iniciativas de natureza cultural e formativa, designadamente nas áreas do teatro, filosofia, pintura e cinema, a escola dst assegura o acesso a um conjunto abrangente de ofertas formativas de natureza técnica e profissional, ajustadas às diferentes funções e áreas de actividade do grupo. «Estas incluem formação profissional especializada, bem como programas desenvolvidos em articulação com várias entidades do ensino superior, promovendo a qualificação contínua e a evolução de competências ao longo da vida», especifica José Machado. No caso das lideranças, reconhece que a formação executiva em Comunicação e Liderança com a UMinhoExec ou o curso geral de Gestão com a Porto Business School são exemplos de ini-ciativas estratégicas e diferenciadoras. «Valorizamos abordagens muito práticasenersonalizadas.com anarticinação de especialistas que alinham o seu conhecimento às necessidades reais das lideranças.» A análise de casos práticos do dia-a-dia visa aumentar a percepção e compreensão das competências adquiridas e módulos como “teatro na gestão de operações” promovem competências interpessoais, humanistas e de liderança. Ademais do reforço de competências técnicas avançadas, particularmente nas áreas da Engenharia, Construção Industrial, Gestão, Inovação, Digitalização e Sustentabilidade, existe uma forte aposta no desenvolvimento de competências de pensamento crítico e analítico, como é o caso do curso de Filosofia ministrado a mais de 500 trabalhadores. O objectivo é «consolidar competências de gestão estratégica, liderança humanista e gestão de equipas, promovendo líderes capazes de alinhar resultados com o desenvolvimento das pessoas, em coerência com a cultura organizacional». Na verdade, o dstgroup foi promotor do primeiro doutoramento em Portugal, na área da Construção Industrial, inteiramente pago a uma colaboradora, que defendeu a sua tese em Janeiro deste ano. Empatia no centro da liderança Se dúvidas houvesse, o reconhecimento e atractividade reflectem-se no número de candidaturas espontâneas, que «dispara» cada vez que é comunicado um novo benefício ou projecto, revela o director de Pessoas. «Claro que as áreas de maior escassez de mão-de-obra continuam a ser críticas, mas isso não se re-laciona connosco, mas com a realidade do mercado de trabalho.» Falando das competências mais valorizadas, «a gestão empática está no topo da agenda», confirma, nomeadamente entender a complexidade em torno das emoções, das diferentes perspectivas e das necessidades do outro. «Ao termos a capacidade de “nos colocarmos nos sapatos do outro”, conseguimos ajustar expectativas, respeitar e apoiar o desenvolvimento de cada um.» E alerta que, caso se menospreze o tema, a baixa produtividade poderá ser o resultado esperado. Por esse motivo, José Machado entende que o departamento de Recursos Humanos surge, cada vez mais, como sponsor dos processos de escuta activa dos trabalhadores. «Será inevitável, as organizações relevantes, sustentáveis, humanas e de futuro serão empresas que escutam mais, que vivem em busca daquilo que não é dito e em busca de ver o que ainda não vimos.» Por este motivo, o grupo promove processos coerentes de escuta activa que criam um canal genuíno de comunicação bidireccional. Escutar torna-se assim uma prática estratégica e «será importante reconhecer que implica compromisso», ou seja, a escuta activa só gera valor quando está ligada a acções posteriores. «Claro que nem todas as sugestões são implementadas, mas é essencial dar retorno, explicar decisões e manter transparência no processo.» Olhando para o futuro, conclui que os próximos grandes desafios de RecurSOS Humanos passam por, em primeiro lugar, dotar as lideranças com maiores competências humanistas, para que «novos formatos de gestão assentes no bem-estar psicológico possam conciliar-se em paralelo com a produtividade, rigor e competência», Em segundo, alinhar as expectativas dos trabalhadores às necessidades de integração de inteligência emocional e automação nos processos, com o upskilling e o reskilling no topo da agenda, assim como um plano de comunicação associado aos temas mais relevantes. «Todo o investimento no salário emocional, na formação e no bem,estar gera percepções positivas.» José Machado Director de Recursos Humanos do dstgroup «As organizações relevantes, sustentáveis, humanas e de futuro serão empresas que escutam mais.» Tânia Reis