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NO SALÃO AUTOMÓVEL DE PEQUIM, MARCAS CHINESAS FAZEM SOMBRA À QUALIDADE EUROPEIA

Público Online

2026-04-22 21:06:16

As fabricantes chinesas de automóveis apresentam-se em Pequim com uma mensagem para as marcas alemãs: estamos prontas para conquistar os vossos clientes - na China e não só. Depois de anos a serem desconsideradas nos principais palcos europeus, as marcas de automóveis chinesas parecem ter virado o jogo e preparam-se para desdenhar de emblemas oriundos da Europa, decididas a conquistar a fatia de clientes que durante anos estes amealharam na China, o maior mercado a nível mundial. Isto porque marcas como a Geely e a Nio, que passaram um longo período a produzir em massa veículos eléctricos tecnologicamente avançados e de custo competitivo, reviram as regras e passaram a concentrar-se no segmento premium, no qual BMW, Porsche e Mercedes-Benz deram cartas durante muito tempo. E, agora, estão a apostar em modelos equipados com elevado nível de tecnologia, a evidenciarem rigor de construção, enquanto a política de preço, inferior, pode representar um problema para as marcas do velho continente, tanto na China, como dentro das suas próprias “casas”. É uma espécie de mais por menos. “A guerra de preços transformou-se numa guerra de relação qualidade-preço”, observou o director nacional para a Grande China da JATO Dynamics, Bo Yu, à agência Reuters. E, no Salão Automóvel de Pequim deste ano, que arranca na sexta-feira e que se realiza de dois em dois anos (a intercalar com o Auto Shanghai), deverão surgir muitos SUV de grandes dimensões e posicionamento premium, adiantou à mesma agência Cui Dongshu, secretário-geral da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA). Certo é que esta ofensiva no segmento premium já está a pressionar os fabricantes alemães no seu principal mercado. Dados da S&P Global Mobility indicam que as vendas acumuladas das marcas alemãs na China caíram quase 25%, de 5,1 milhões de unidades em 2019 para 3,85 milhões. Em Portugal, por exemplo, a chegada de marcas chinesas tem pressionado o mercado e nem mesmo as tarifas adicionais da União Europeia sobre veículos eléctricos fabricados na China parecem ter servido para travar o crescimento, sendo que os híbridos e modelos com motor de combustão não estão sujeitos a essas taxas. “O novo rei da estrada” Em Pequim, prevê-se que a Geely esteja em destaque, com o 8X, um SUV híbrido plug-in de grandes dimensões e longa autonomia, que revelou recentemente, equipado com avançados sistemas de segurança, infoentretenimento e assistência à condução. Entre as funcionalidades destacadas, o modelo pode elevar ligeiramente a carroçaria antes de um impacto lateral para reforçar a protecção dos ocupantes. E, em manobras de estacionamento, permite que o condutor o faça sair do lugar sem que esteja aos comandos. Num vídeo promocional, a Geely apresentou o 8X - com preço inicial estimado entre os 70 mil e os 100 mil euros - a superar em aceleração modelos como o Porsche Cayenne ou o BMW XM, cujos preços de entrada, no mercado nacional, rondam os 110 mil e 155 mil euros, respectivamente. “Este é o novo rei da estrada”, afirmou o CEO da Geely Automobile, Gan Jiayue, durante um evento em Ningbo, a cerca de 200 quilómetros de Xangai. E segundo Tu Le, director-geral da Sino Auto Insights, consultado pela Reuters, o lançamento de SUV de grandes dimensões e elevado valor acrescentado constitui também “um aviso” para os construtores norte-americanos - como a General Motors, a Ford e a Stellantis - tradicionalmente fortes neste segmento. Embora os consumidores norte-americanos ainda não tenham acesso a veículos chineses, muitos analistas antecipam uma eventual abertura desse mercado. “A galinha dos ovos de ouro de Detroit já não está segura”, afirmou. “Impensável há cinco anos” A ascensão dos modelos premium chineses ocorre num contexto de transformação demográfica e de preferências dos consumidores, explicaram analistas à Reuters. De acordo com Cui Dongshu, a idade média dos compradores na China subiu de 30 para mais de 40 anos, com uma crescente procura por veículos maiores e mais sofisticados, em detrimento dos modelos de entrada. Simultaneamente, os consumidores chineses valorizam cada vez mais a tecnologia avançada dos fabricantes nacionais de veículos eléctricos, enquanto os compradores mais jovens demonstram menor ligação ao legado histórico que sustenta as marcas premium alemãs na Europa, explicou Bo Yu. “As marcas alemãs estão presas ao passado”, afirmou. “Mas os consumidores chineses querem abraçar o futuro.” Felipe Munoz, analista do sector automóvel, considera que, embora fosse “impensável há cinco anos” que os consumidores chineses privilegiassem modelos locais de gama alta em detrimento dos alemães, o cenário mudou de forma estrutural. “As marcas estrangeiras de luxo e de gama alta vão agora ter mais dificuldade em sobreviver na China”, afirmou. Além das marcas chinesas, como a Aito, BYD, FAW, Geely, Great Wall Motor, Leapmotor, Li Auto, Nio, Xiaomi, Xpeng e Zeekr, espera-se uma forte aposta de emblemas internacionais, como as europeias Audi, BMW, Mercedes-Benz e Volkswagen, a nipónica Toyota ou a norte-americana Ford. A Tesla não foi mencionada, o que indica que a fabricante automóvel norte-americana poderá continuar ausente dos principais salões automóveis na China. O Salão Automóvel de Pequim abre as portas na sexta-feira e decorre até dia 3 de Maio, entre o Centro Internacional de Exposições da China, em Shunyi, e o Centro Internacional de Exposições e Convenções de Pequim, exibindo um total de 1451 veículos, incluindo 181 estreias e 71 protótipos. tp.ocilbup@oriebir.alrac Em Pequim, prevê-se que a Geely esteja em destaque, com o 8X DR Carla B. Ribeiro